A Brasil Game Show de 2026 aconteceu e o Gamerview, mais uma vez, marcou presença para conferir tudo o que rolou nos quatro dias de evento. Uma coisa eu adianto: a feira, apesar dos pesares, me proporcionou um fim de semana dedicado àquilo de que nós, amantes de videogames, mais gostamos: jogos! Ainda que fosse necessário enfrentar as tradicionais filas, havia muitas experiências interessantes para conhecer.

Em sua 17ª edição, a BGS, considerada a maior feira de games da América Latina, reuniu grandes nomes da indústria para apresentar jogos e novidades que prometem movimentar os próximos meses. Apesar disso, não é segredo para ninguém que a feira já não conta com a presença de algumas marcas da mesma maneira que em anos anteriores. O Xbox não teve um estande, enquanto a PlayStation marcou presença com a final presencial do campeonato de MARVEL Tōkon: Fighting Souls. Ainda assim, houveram pequenas preciosidades que fizeram a visita valer a pena.

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Não é difícil encontrar comentários de que a feira está reduzida, perdeu relevância ou já não tem o mesmo apelo de antigamente. E, honestamente, se olharmos ao redor logo na chegada, essa foi a sensação que ficou martelando na minha cabeça. Mas, aos poucos, a BGS 2026 começou a revelar seus conteúdos, escondidos entre os vastos corredores e os estandes espalhados pelo Distrito Anhembi.

Na sexta-feira, 9 de outubro, a feira começou com sua já tradicional conferência. O evento, que apresentou novidades e atrações disponíveis ao longo dos dias seguintes, também demonstrou uma preocupação maior com o bem-estar dos participantes, reforçando os cuidados com a circulação e adotando uma disposição de cadeiras mais ampla e aberta.

Como pessoa com deficiência, fiquei realmente feliz e aliviado com essa preocupação, principalmente porque a edição de 2025 havia sido marcada por alguns transtornos nesse sentido. É um cuidado que merece ser reconhecido, pois a experiência em uma feira desse porte não se resume aos jogos: também depende de como as pessoas conseguem circular, acessar os espaços e aproveitar todas as atrações.

A conferência teve seus momentos mais dispersos, mas gostei muito de ver a BGS mantendo um formato que apresenta, de fato, jogos que ainda nem chegaram ao mercado e que já estavam disponíveis para experimentação. Entre os destaques estavam Alien: Isolation 2, Final Fantasy VII Revelation, Call of Duty: Modern Warfare 4 e Crazy Taxi: World Tour. Este último ainda contou com a participação de Kenji Kanno, criador do Crazy Taxi original e produtor do novo jogo, que apresentou novidades, incluindo o mapa brasileiro.

Também tivemos a participação da Devolver Digital, com novidades como Warhammer 40,000: Boltgun 2. Sério, foi incrível! E acho que esse é exatamente o tipo de iniciativa que ajuda a engajar o público: queremos novidades, queremos descobrir o que vem por aí e, principalmente, queremos experimentar esses jogos antes de todo mundo.

O vermelho que dominou a feira

O centro da feira foi tomado pelo vermelho da Nintendo. A Big N ocupou um espaço generoso com jogos já disponíveis, como Super Mario Galaxy + Super Mario Galaxy 2, Pokémon Pokopia, Mario Kart World e Star Fox, além de títulos third party, como EA Sports FC 27 e LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas.

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Mas, honestamente, senti que poderia ter trazido outras novidades de 2026 para compor essa seleção. Splatoon Raiders, Yoshi and the Mysterious Book e até Tomodachi Life seriam opções interessantes para ampliar a variedade e dar mais espaço a jogos que despertam a curiosidade dos fãs. Uma seleção diferente talvez ajudasse a tornar o estande ainda mais atraente para quem já acompanha de perto os lançamentos da empresa.

Foi empolgante conhecer um pouco de Nintendo Switch Sports Resort, e também foi uma surpresa encontrar Call of Duty: Modern Warfare 4 naquele espaço. Aliás, o game teve um espaço isolado devido a classificação indicativa, mas a presença do jogo reforçou a ideia de que o Switch 2 tem buscado ampliar seu catálogo para além das experiências tradicionalmente associadas à Nintendo.

A única coisa que realmente faltou, vocês sabem: o preguiçoso do Link, que não acordou a tempo! Infelizmente, The Legend of Zelda: Ocarina of Time não apareceu. Uma oportunidade desperdiçada, especialmente para um título extremamente aguardado. Ao mesmo tempo, imagino a extensão de filas e mais filas para conferir o game. Ao menos, poderemos por as mãos no remake muito em breve.

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Sustos e um pouquinho do Japão

Ao lado da casa do Bigodudo, havia um vislumbre de Sevastopol compondo o espaço da SEGA. Sim, meus amigos! A empresa trouxe uma área dedicada a Alien: Isolation 2, com uma demonstração exclusiva de aproximadamente 20 minutos para os corajosos que decidiram encarar o terror.

Levei sustos? Sim. Paguei mico? Com certeza! Mas adorei ter tido tamanha oportunidade. Pensem na exclusividade de poder colocar as mãos, aqui no Brasil, em um jogo que ainda nem tem data de lançamento definida. E o jogo está absolute Xenomorph! Tenho medo, mas já está na minha lista de desejos.

A SEGA também trouxe um pouquinho do Japão para demonstrar Stranger Than Heaven, reservou espaço para Crazy Taxi: World Tour e apresentou outras experiências, incluindo Persona 4 Revival, Total War: WARHAMMER 40,000 e a curiosa colaboração Sonic Pico Park. O estande foi um dos grandes destaques da feira. A variedade de jogos e a oportunidade de experimentar títulos ainda inéditos fizeram a diferença. Sem dúvidas, foi um dos espaços mais legais da BGS 2026.

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Grandes jogos, imensas filas de paciência

Já a Square Enix veio mais tímida, com um estande focado em apenas dois títulos: Final Fantasy Resonance e, claro, Final Fantasy VII Revelation. Este último representou outra honra imensa para os participantes, já que a feira recebeu sua primeira demonstração jogável na América Latina. A oportunidade, porém, veio acompanhada de uma experiência um tanto frustrante. Foram disponibilizadas apenas três estações, com cerca de cinco minutos de jogo para o público. Além disso, as estações precisavam atender tanto aos visitantes quanto à imprensa, que contava com agendamentos próprios e períodos de teste mais longos.

O resultado foi uma fila imensa e uma sensação de que a estrutura não estava preparada para a procura. Afinal, não basta trazer uma demonstração tão aguardada: é preciso oferecer condições para que o público consiga aproveitá-la sem transformar a espera em uma experiência desgastante. É uma pena, porque estamos falando de mais um jogo extremamente aguardado. Uma organização melhor das sessões, com horários dedicados ou mais estações disponíveis, poderia ter tornado essa experiência muito mais agradável.

Para aliviar as tensões, a Devolver Digital trouxe nada menos que um quarto gamer à moda antiga, abarrotado de referências aos jogos publicados pela empresa. E, no que diz respeito às demonstrações, uma beliche foi adaptada com estações para jogar alguns de seus títulos. Hilário demais! Foi uma ideia que fugiu do padrão dos grandes estandes e apostou em uma apresentação descontraída, divertida e cheia de personalidade. Em meio a tantas estruturas grandiosas, foi legal encontrar uma proposta que brincava com a própria cultura gamer e transformava o espaço em parte da atração.

O mistério das sacolinhas

Saindo um pouco dos espaços mais populares, ainda havia outros grandes estandes, como o da Monster Energy, além de marcas de PC gaming e, claro, muitas lojas para todos os gostos. Apesar da variedade, tive a impressão de que os bonecos colecionáveis, especialmente os Pop!, dominavam boa parte das vitrines.

Outra moda da feira foram as sacolas e caixas-surpresa. A Piticas apostou forte nesse formato, e o sucesso era visível: os corredores estavam tomados pelas sacolinhas laranja da marca. É claro que eu caí no bait e garanti a minha! Mas a surpresa não foi das melhores, com produtos um tanto genéricos de séries e filmes que eu nem cheguei a assistir. Ainda assim, a compra cumpriu a proposta do modelo de venda: eu sabia que estava pagando para ser surpreendido e, de fato, fui. Risos!

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Havia diversas outras lojas apostando na mesma ideia, o que me fez pensar que o público realmente gosta da possibilidade de ouvir um simples “me surpreenda”. É uma forma curiosa de transformar a compra de produtos colecionáveis em uma pequena experiência, mesmo quando o resultado nem sempre corresponde às nossas expectativas.

A criatividade que merece mais atenção

Outro espaço que sempre chama a atenção na BGS é a Avenida Indie, e este ano não foi diferente. Havia muitos títulos interessantes que provam que os estúdios independentes têm o tal do molho da criatividade. Se você não acredita, vale pesquisar projetos como AFANTASIA, aventura narrativa com estética inspirada nos jogos de PS1; Poly Fighters, um jogo de luta roguelike muito divertido (e que já está em Early Access na Steam, ein); e Aviãozinho do Tráfico Pré 4.

Este último é uma verdadeira homenagem à cultura dos jogos ‘alternativos’ brasileiros dos anos 2000, com aquele humor absurdo, referências improváveis e uma estética que remete aos títulos que circulavam em CDs e DVDs vendidos informalmente. É uma proposta completamente fora da curva, que mistura o gênero de tiro em primeira pessoa dos clássicos dos anos 1990 com a irreverência da cultura popular brasileira.

São propostas bem diferentes entre si e que mostram como a produção independente pode explorar ideias, estilos e referências que nem sempre encontram espaço nas grandes produções. É justamente por isso que considero essa área tão importante: além de apresentar jogos interessantes, ela permite conhecer um pouco da diversidade criativa que existe no desenvolvimento de games.

Ainda assim, este ano senti que a Avenida Indie estava distribuída de maneira mais ampla, dando a impressão de que havia poucos expositores. A sensação foi curiosa, considerando a quantidade de jogos independentes presentes no evento. Talvez a disposição dos estandes tenha contribuído para essa percepção, mas fiquei com a impressão de que a área poderia ter sido organizada de maneira a valorizar ainda mais os desenvolvedores.

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A BGS 2026 também contou com experiências de realidade virtual, fliperamas, BGS Talks, a tradicional competição de cosplay e a Video Game Orchestra com Shota Nakama. Houve variedade, e não faltaram atividades para quem queria aproveitar a feira para além das demonstrações de jogos. Mesmo assim, assim como aconteceu com a Avenida Indie, tudo me pareceu espaçado demais. Honestamente, também achei o ambiente um tanto escuro. Não sei se foi apenas uma impressão minha, mas não me lembrava de a feira ter essa sensação tão acentuada em algumas áreas. Esse é um daqueles detalhes que podem parecer pequenos, mas acabam influenciando a percepção geral do evento.

Acessibilidade também faz parte da experiência

Quero aproveitar este texto para parabenizar a organização da BGS 2026 pelo apoio às pessoas com deficiência. Desde o ônibus que nos leva à feira até o cuidado na entrada e a presença de organizadores espalhados pelo evento, tive uma experiência positiva ao encontrar suporte para acessar os espaços e utilizar as filas prioritárias. Até uma sala de descompressão estava disponível, algo que achei muito legal, humanizado e empático. São iniciativas que demonstram atenção às diferentes necessidades do público e ajudam a tornar o evento mais acolhedor.

É claro que sempre há espaço para melhorias, e uma experiência positiva não significa que tudo esteja perfeito. Ainda assim, considero importante reconhecer quando a organização demonstra preocupação com a acessibilidade e procura oferecer condições para que mais pessoas possam aproveitar a feira.

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E assim chegamos ao fim deste registro da BGS 2026. Apesar das minhas ressalvas, saio com a sensação de que ainda há muito a aproveitar na feira. A oportunidade de experimentar jogos inéditos, descobrir projetos independentes e compartilhar esses momentos com outros apaixonados por videogames continua sendo o grande diferencial do evento. Alien: Isolation 2, em especial, foi uma daquelas experiências que justificam a visita e que provavelmente permanecerão na minha memória por muito tempo.

Torço para que, no próximo ano, possamos contar com mais nomes de peso, estandes mais bem aproveitados e experiências ainda mais exclusivas para o público brasileiro. A base de fãs da BGS é imensa e anseia por uma feira cada vez mais recheada de novidades. Eu me incluo nessa torcida!

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