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Você percebe o quão longe está indo nos JRPGs quando não consegue nem pronunciar o nome do jogo. Ys (pronuncia-se “ísi”) já é das antigas e marcou presença com vários jogos lançados para o Super Nintendo, mas é claro que eles nunca saíram do Japão… até agora.

Memories of Celceta é um remake do quarto jogo da franquia e já não é novidade há muito tempo. Ele foi originalmente lançado para PlayStation Vita em 2012 só no oriente, mas nos anos seguintes foi sendo lançado no resto do mundo aos poucos. Oito anos depois está recebendo um port para o PS4, esse que achei um tanto bizarro, pois não se trata de um remaster – é só um port mesmo!

Aquela amnésia raiz

Esse não será o primeiro nem o último JRPG que você jogará em que o protagonista começa com amnésia. Provavelmente é um dos maiores clichês dos RPGs japoneses, mas tudo bem, a gente releva (afinal o jogo original foi lançado em 1993). O protagonista de Memories of Celceta continua sendo o personagem principal da saga, Adol Christin, que chega aos trancos e barrancos na cidade de Crasnan sem nem lembrar o seu próprio nome.

O principal objetivo do jogo obviamente é recuperar a memória de Adol, mas paralelamente, ele também é contratado pela governadora de Crasnan para fazer um mapa do reino de Celceta. Junto com Duren (um mercenário e a única pessoa que conhecia Adol na cidade), eles partem em uma jornada em busca de respostas e fazendo uns trabalhinhos aqui e ali.

A floresta de Celceta, onde sua aventura começa.

Se você nunca jogou nenhum Ys, não se preocupe. Apesar de todos os jogos fazerem referência a acontecimentos dos anteriores, tudo não passa de uma ponte para ligá-los de alguma forma. No geral, as histórias de cada um são bem independentes e não exigem que você jogue todos os outros para entender o atual. Sendo assim, nada te impede de jogar esse e tirar máximo proveito do que ele tem a oferecer.

A primeira coisa que você pode estranhar logo de cara é o visual do jogo, que continua basicamente o mesmo da versão de Vita! A diferença é que esse é um port da versão de PC, que possui texturas remasterizadas em 1080p e roda a 60fps constantes. Do resto, está tudo do mesmo jeito e digo até que está difícil de engolir, pois o jogo ficou bizarramente datado.

Os gráficos são muito ultrapassados (até mesmo para o Vita), as animações são toscas e em várias cutscenes os personagens mal são animados! Em vários momentos, quando eles vão fazer alguma coisa como se levantar de uma cadeira ou pegar algum objeto, ocorre um corte em que ele já aparece no fim da ação. Tudo bem que em nenhum momento esse port foi vendido como um remake do remake, mas poderiam ter caprichado pelo menos um pouquinho mais nas versões de PC e PS4.

Se você ainda duvida de mim, apenas assista o início da cutscene inicial do jogo no nosso vídeo de gameplay e preste atenção na sutileza do gato correndo pelas ruas. A prova de que se trata exatamente do mesmo jogo e não de uma versão aprimorada é que esse port de PS4 divide o mesmo set de troféus da versão do Vita, então caso você já tenha jogado ou até platinado a versão do portátil, todos os troféus coletados lá serão carregados no PS4.

Tá pegando fogo, bicho!

Confusões em Celceta 

Ys: Memories of Celceta é um RPG de ação bem padrão e sem segredos. Quem está acostumado com os jogos atuais, que nos dá total liberdade para movimentar a câmera, pode estranhar a câmera desse jogo, que é mais semelhante aos JRPG do PS2. Ao invés de girarmos a câmera livremente, aqui só podemos dar um zoom para deixá-la mais próxima do personagem. Ela já enquadra quase todos os nossos arredores, então no final é um sistema que funciona e você não demora para se acostumar.

O combate é simples e intuitivo, seguindo o tradicional hack ‘n’ slash esmaga botão. Você pode controlar cada personagem da sua party (limitada a três), cada um com uma classe diferente e estilos de combate únicos. As lutas são rápidas e um tanto empolgantes, principalmente quando enfrentamos chefes, que já exigem uma estratégia mais elaborada do que sair metralhando o mesmo botão. Caso você acerte esquivas no momento certo e outros feitos específicos, pode desencadear vantagens como congelar o tempo por alguns segundos e coisas do tipo (lembra até Devil May Cry).

O jogo possui diversos níveis de dificuldade, mas se jogado no Normal, ela fica balanceada na medida certa. Inimigos comuns são fáceis de vencer enquanto alguns outros possuem ataques mais elaborados, mas aparecem com menos frequência. Os chefes oferecem um desafio mais elevado desde o primeiro, por mais que as lutas continuem naquele esmaga botão infinito. Cada personagem possui um ataque especial devastador (e bota devastador nisso) e acertar ataques da maneira correta é essencial para encher a barra de especial. Porém, pode ir se preparando para fazer tudo sozinho, pois a IA dos BOTs da sua party é medonha e eles até tentam ajudar quando não estão ocupados demais correndo em círculos.

O combate é simples e divertido.

O começo do jogo é meio parado e um tanto confuso, mas conforme vamos encontrando novas memórias de Adol, a história fica consideravelmente mais interessante, ainda que se prenda muito aos clichês do gênero. As primeiras horas são resumidas em entrar em dungeons, procurar minérios, derrotar monstros e coisas do tipo, mas conforme novos personagens vão aparecendo, as coisas melhoram.

Com esses minérios coletados, podemos fazer novos itens ou forjá-los em nossas armas para garantir habilidades únicas para elas. As opções são bem legais e deixam o combate mais interessante, além de ser um sistema simples, então nada daquela complexidade desnecessária que é tão comum em JRPGs!

Ys: Memories of Celceta não é um jogo ruim e quem ama RPGs no geral vai conseguir se divertir com ele – se não se importar com o visual, é claro. Os gráficos precários e a falta de capricho nas animações e em tantas outras coisas (os personagens andam quase deslizando, por exemplo) podem tornar o jogo difícil de se levar a sério em 2020. Se você é daqueles que só quer curtir um JRPG das antigas e não liga muito para todos esses defeitos, já sabe o que esperar deste título.

Imagem do texto de RKGK

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