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Se você conhece o mundo de Warhammer 40K, sabe que a paz não é uma constante nesse universo de fantasia futurista. Depois de derrotar a ameaça Tyranid no final de Dawn of War II, os Space Marines mal têm tempo de limpar suas armaduras e um novo problema já surge em um planeta distante. A ameaça da vez são os Chaos Marines, as versões diabólicas e, por que não, caóticas dos “Anjos da morte do Imperador”, os Space Marines.

É com essa trama que a Relic lança Chaos Rising, o primeiro pacote de expansão para o ótimo jogo de estratégia de 2009, Dawn of War II, que trazia uma mecânica diferente para um jogo de RTS. Com um mistura de RPG, o jogo eliminava por completo o gerenciamento de recursos e bases, deixando o jogador no controle apenas de um comandante e mais três esquadrões especiais, cada um com suas especialidades e conjunto de armas e habilidades. Elas iam desde Scout Squad, com técnicas furtivas e de sabotagem, aos Devastators, que ofereciam fogo de base com armas pesadas. Com essa premissa você tinha que comandar esse time através das mais diversas missões, enfrentando raças alienígenas inimigas da humanidade como os Eldar (a versão futurista dos Elfos), Tyranids (raça de criaturas que inspirou os Zergs de Starcraft) e os Orks (que são basicamente… Orcs). No final e durante cada missão você ganhava pontos de experiência, e a cada nível novo alcançado novas habilidades podiam ser abertas. Além disso, eram conquistados também novos equipamentos, armas e armaduras, aumentando ainda mais as possibilidades de personalização e o toque de RPG.

Chaos Rising é uma expansão “standalone”; significa que você não precisa do Dawn of War 2 original para jogá-lo, trata-se de uma expansão independente. Mas, ainda assim, é extremamente recomendado que você jogue o primeiro jogo. Toda a campanha singleplayer dura cerca de 15 missões, mas existem algumas opcionais, assim como em seu predecessor.

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As novidades aqui são as de se esperar desse tipo de título. Temos novos inimigos, novos equipamentos, localidades e habilidades, além do limite de nível ter sido aumentado para 30. Há também uma nova unidade ao nosso lado, o Librarian, que usa poderes psíquicos tanto de ataque quanto de suporte. Você pode, além disso, importar seus personagens de uma campanha terminada de DoW II, porém, apesar desses personagens virem com as habilidades de antes, os equipamentos usados desaparecem.

Uma aspecto interessante apresentado na expansão é o nível de corrupção. Ao longo do jogo são encontrados equipamentos poderosos que pertencem aos Chaos Marines, que são impuros. Usá-los significa ter vantagens no campo de batalha, porém quanto mais eles forem utilizados, mais são os pontos de corrupção acumulados por cada unidade. Além de equipamentos corruptos, em cada missão há certos objetivos que, dependendo da maneira como são completados, podem gerar mais pontos de corrupção. Por exemplo: em uma missão em que se deve resgatar um grupo de soldados sob ataque, caso você demore e deixe muitos deles morrerem, uma certa quantidade de corrupção será gerada. E, conforme seus personagens vão progredindo no caminho do Chaos, novas habilidades vão sendo abertas.

Apesar de interessante, o sistema de corrupção serve apenas para gerar finais diferentes, nada além disso. Não existe dentro do jogo uma sensação, pelo menos para o jogador, que essas forças devam ser evitadas, e em nenhum momento suas decisões afetam o decorrer da trama, ou a maneira como certos fatos importantes da campanha são apresentados. Seguir o caminho da corrupção apenas garante poderes novos, que geralmente são os melhores.

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Para deixar essa mecânica ainda mais quebrada, há a impressão que o jogo não quer de maneira alguma que você ganhe esses pontos de corrupção. Algumas vezes os objetivos secundários que geram esses pontos são totalmente sem sentido e fora de mão. Por exemplo, em uma dada fase você deve destruir certo monumento que se encontra na outra ponta do cenário, que não fica nem um pouco perto do seu objetivo final. Em outro caso é necessário ficar mais de 20 minutos num determinado mapa durante a missão. Isso sem falar que muitas vezes completar objetivos principais te dá pontos de redenção, que eliminam os de corrupção.

Isso tudo deixa o jogador numa sinuca de bico em relação à estratégia a ser usada. Dependendo do nível de corrupção certas habilidades são abertas, e com elas as possibilidades de novos equipamentos. Porém, com o jogo te redimindo, mesmo sem que você queira, essas habilidades vão e voltam a cada fase, deixando-o confuso em relação a qual tática empregar.

Outra novidade da expansão é o aumento significativo em relação à dificuldade. As missões estão bem mais desafiadoras, todos os mapas parecem ter recebido um “layout” que favorece mais a liberdade na hora de se movimentar. Enquanto no primeiro jogo se tinha a sensação de que os mapas eram enormes corredores, eles agora são mais amplos, criando a possibilidade de se ser atacado em várias direções ao mesmo tempo. Tudo isso, mais a impressão do número de inimigos ter aumentado, mais os poderes demoníacos dos Chaos Marines e chefes bem mais desafiadores, contribuíram muito para que eu tivesse que dar “restarts” em diversas missões.

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Na parte multiplayer temos o previsível – mas previsível aqui não significa desapontador. Com a adição dos Chaos Marines na história, é de se esperar poder controlá-los no modo para vários jogadores, com seus heróis e estilos próprios. Há não apenas um exército completamente novo, mas novos cenários como o planeta gelado de Aurelia e a gigantesca nave amaldiçoada conhecida como Space Hulk. Os exércitos antigos também receberam novas unidades, como o Wraithguard para os Eldar e o Weird Boy para os Orks.

Essas novidades adicionam um nível a mais de estratégia tanto no multiplayer quanto ao modo Last stand, que para quem não conhece é um modo em que três jogadores controlam um herói à sua escolha, e precisam sobreviver a ondas de inimigos. E a melhor notícia é que caso o jogador não tenha a expansão, ele pode usufruir de todas as unidades novas através de um download gratuito – com a exceção dos completamente novos Chaos.

Mesmo não sendo completamente feliz em balancear o sistema de corrupção e com uma história um tanto previsível, esse pacote de expansão é ainda assim uma compra que vale a pena. Com uma bem-vinda extensão ao modo singleplayer e adições muito boas ao multiplayer, Chaos Rising é obrigatório para aqueles que jogaram o conteúdo original, e uma ótima razão pra quem ainda não conhece a série entrar de cabeça nesse universo.

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