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Lançado originalmente em setembro de 2020 para os computadores, Vaporum: Lockdown finalmente chegou ao Nintendo Switch e demais consoles trazendo um clima completamente steampunk. Não considerando a infelicidade do nome, que impacta a realidade que as pessoas vivem devido à atual pandemia, o título da Fatbot Games te trancafia dentro de um local fechado contra várias ameaças enquanto corre pela sua sobrevivência nos estreitos corredores.

Ele é uma prequel para o game Vaporum, que teve o seu lançamento em 2017, traçando algumas linhas que explicam bastante do que aconteceu em relação aos eventos do jogo original. Mantendo mecânicas dos títulos que víamos nos anos 90 para o primeiro PlayStation, isso não tira nem um pouco o charme da aventura e mostra que, mesmo com algumas falhas, ele pode ainda atrair muitas pessoas a dar um grande passo.

Um ambiente acolhedor

Vaporum: Lockdown é um RPG em sua essência, se baseando no clássico sistema de níveis, equipamentos distintos e vários power-ups que pode encontrar pela jornada. Porém, ao contrário da exploração vasta que os games do gênero oferecem, neste o clima é claustrofóbico, te mantendo o tempo todo contra alguma parede ou te enfiando em espaços minúsculos para avançar.

Você pode andar um espaço por vez, sem opções para correr ou adiantar o passo. Nas batalhas isso não incomoda muito, já que dá para estabelecer bem a área e onde os golpes dos seus inimigos atingirão desta forma. Realmente é muito sistemático e basta confrontar qualquer criatura uma vez para pegar o jeito. Já na movimentação, apesar de irritar, é o que dá o clima de suspense que preenche todo o jogo.

Imagem do review de Vaporum: Lockdown
Todo o espaço está pré-determinado. Basta usar da melhor forma.

Eu diria que, até mais do que a personagem principal, o ambiente é a maior presença que você terá durante a sua aventura em Vaporum: Lockdown. Apesar de alguns diálogos com o ambiente externo, áudios e cartas, tudo isso é suprimido pelo local onde você está preso. Escuro, com barulhos em todos os lugares e segredos escondidos, essa será a sua maior preocupação e também a sua segurança. Ao menos até ouvir algo novamente.

A importância do lugar é tremenda que, por vezes, você se esquece de toda a história que está seguindo ali e apenas se atentará a resolver os puzzles e descobrir novas áreas a serem exploradas. Ele é tão relevante que representa um papel essencial na batalha contra as diversas bizarrices que estão no lugar. É primordial que compreenda os padrões delas, mas é ainda mais compreender o espaço ao seu redor para usar contra as adversidades.

Imagem do review de Vaporum: Lockdown
Ou você domina o ambiente, ou ele domina você.

Um grande exemplo disso é uma poderosa barata que encontra, imune a qualquer ataque ou dano elemental. Isso não é opcional ou dá para fugir, você a encontrará. É uma certeza. Caso leia atentamente às cartas e ouça os áudios, saberá que a única opção é prendê-la em algum lugar. Para a sua surpresa, há uma sala pronta para isso próximo de onde ela surge. Se não souber usar suas habilidades e esperteza para prendê-la por lá, a morte é certeira. Game Over sem pudores.

E isso não se limita apenas a ela. No mesmo andar, eu fui atacado por uma horda de inimigos que, juntos, não deixarão um osso sobrando em seu corpo. Porém, se você voltar para alguns corredores, conseguirá lidar melhor com o avanço deles no maior estilo 300. Sim, pago a língua por ter reclamado do Zack Snyder estes últimos dias, mas isso não vem ao caso neste texto. Um caminho estreito realmente é a melhor opção contra um número maior de oponentes, tomando os devidos cuidados contra a estratégia deles também, lógico.

Imagem do review de Vaporum: Lockdown
Quando chegar exatamente neste trecho, preste atenção.

O grande bacana de Vaporum: Lockdown é que este clima permanece por toda a sua exploração. Vai mudar as paredes, o chão, os monstros, porém a sensação que tem é que ditará o tom de tudo. Para ser mais específico, é aquele sentimento que encontrará uma ameaça ao entrar em qualquer uma das salas ou que algo aparecerá de surpresa no corredor e você terá de lutar contra algo despreparado. E nem essa atenção basta, já entrei em lugares que revirei e pareciam seguros para, um minuto depois, vir algo para cima de mim.

Até mesmo a temática steampunk funciona perfeitamente bem por aqui, demonstrando que a equipe da Fatbot Games foi extremamente fiel no mergulho desta. Tanto o cenário, os puzzles, alguns oponentes robóticos e até mesmo alguns de aparência humana estão vestidos de acordo e isso me agradou bastante de ver. Imagino os fãs do gênero, pode apostar que te empolgará bastante.

Imagem do review de Vaporum: Lockdown
A temática steampunk foi muito bem ambientada por aqui.

Entre tropeços e acertos

Porém, como um RPG, eu acredito que Vaporum: Lockdown tem uma grande falha que me impediu de aproveitar a jornada por completo. Em vários momentos, o que significa uma parte imensa do game, ficamos completamente sem nenhuma menção às motivações da protagonista, dos personagens secundários que conversam com ela e de ninguém. Você reconhece o que é uma ameaça ou não ao primeiro contato, isso é de se admirar, mas faltou uma história mais elaborada.

Ou seja, apesar de todos os elementos serem embasados pelo jogo original e pelos arquivos de texto e áudio, você não poderá contar com mais nada para te explicar um pouco mais daquilo. Quando eu disse que muitas vezes o ambiente suprime a própria protagonista e estrela o jogo, é por causa desse fator. Em muitos dos trechos, você até se esquece do nome dela.

Imagem do review de Vaporum: Lockdown
São poucas as vezes que o nome da protagonista aparece.

Em minha experiência de Vaporum: Lockdown, também passei por um problema bem chato no Nintendo Switch que era o constante travamento no modo portátil. Em algumas vezes os comandos não respondiam, ou eram executados com atraso. Agora imagina alguns combates ou trechos de alto suspense onde o apertar os botões na hora certa fazem a diferença entre a vida e a morte? Com o aparelho na dock ele rodou perfeitamente, sem nenhuma nota em relação a este recurso.

A narração é muito boa, a ambientação eu volto a dar os parabéns para a equipe de desenvolvimento e todo o suporte a equipamentos e upgrades tornam o jogo num RPG steampunk qual é até difícil listar os defeitos. Para quem tem o console, sabe o quanto os games do gênero se fazem necessários e podem nos acompanhar nos vários locais que conseguimos levá-lo na modalidade portátil com o uso dos joy-cons.

Imagem do review de Vaporum: Lockdown
O jogo conta até com estatísticas de tudo que você faz.

O maior problema destas falhas que apontei anteriormente são que elas impedem que uma grande parte do sentimento se perca e torne a jogatina em algo não muito agradável. Não é um game extremamente longo, sem você dar pause nem para ir no banheiro acredito que consiga finalizar a trama em questão de 4, 5h. Ou seja, dá para fechar numa tarde e pular para outra coisa. Porém, nos elementos que ele devia te enganchar de vez naquele universo, há falhas.

Vaporum: Lockdown, por mais que carregue estas pequenas inconveniências que podem te incomodar, não é um título criado com o intuito de irritá-lo. É perceptível o estudo de toda a equipe para produzir uma obra completa e que oferecesse o melhor daquele universo para chegar em suas mãos. Caso decidam pular nessa experiência, não é um game que vai te desapontar por completo. As falhas são “ignoráveis”, por assim dizer.

Mas se você espera que o RPG te dê uma imersão extrema, algo que vá te distrair totalmente da nossa realidade e apresentará um lore impressionante, não será o lugar mais adequado. Abraçar a ideia que o ambiente é o elemento mais presente e importante de toda jornada é a pedida certa pelas mãos da Fatbot Games.

Imagem do texto de RKGK

Review – RKGK / Rakugaki

Marco AntônioMarco Antônio10/06/2024