Skip to main content

Chega até a ser estranho abrir os sites em pleno ano de 2022 e ver um review de Uncharted 4 e The Lost Legacy, duas pérolas do PlayStation 4. Com o lançamento da Legacy of Thieves Collection no PS5 e com recursos próprios da plataforma, como o sensor háptico do controle DualSense e o áudio 3D, além de uma resolução ainda melhor do que a antiga -que não era nada ruim, vamos ser sinceros-, Nathan Drake ganha vida novamente em uma geração bem distante daquela que iniciou sua jornada.

Recapitulando brevemente, foi uma longa aventura até aqui. Com uma trilogia completa ainda no PS3 e uma versão dela remasterizada no PS4, temos no quarto título a aventura final de nosso herói, trazendo um amadurecimento sincero do personagem tão quanto vimos com Kratos em God of War. Com um ar mais sério e cuidadoso, Drake tem de encarar alguns dilemas familiares enquanto resgata um novo tesouro, isso tudo enquanto uma nova camada de sua própria história é descoberta aos poucos.

Uncharted: The Lost Legacy pela primeira vez tirou o protagonismo do personagem, dando lugar à Chloe Frazer e Nadine Ross. As duas estão atrás da Presa de Ganesha, criando o seu próprio legado no caminho que já foi pavimentado pelo herói anterior. Apesar de ser considerado um título completo, ele funciona como um stand-alone de U4, como inFAMOUS: First Light e Far Cry 3: Blood Dragon. Isso não atrapalha em nada a jornada, porém é bom embasarmos antes de continuar essa conversa.

Você está pronto para esta jornada?

Uma coleção para Nathan Drake não botar defeito

A Coleção Legado dos Ladrões traz estas duas aventuras de forma nativa ao PlayStation 5, com diferenças nos modos Fidelidade, Desempenho e Desempenho+ que atinge até 120fps com 4K em monitores de até 120 Hz. Vou ser sincero com vocês, este foi um baita avanço e fez muito bem para ambos os games. Confesso que várias vezes fiquei até parado observando o cenário e a movimentação dos personagens pelas áreas, que se tornou algo mais espetacular do que era no passado.

Como afirmei acima, Uncharted 4 e o The Lost Legacy já tinham visuais incríveis, produzidos pela mesma equipe que trabalhou nos dois The Last of Us e em diversos outros títulos. Naturalmente qualquer um diria que não dá para melhorar aquela experiência, considerando que em termos de performance, gameplay e roteiro são impecáveis. Porém a Naughty Dog mostrou que podiam fazer algo superior sim e essa é a experiência definitiva deles. Caso queira começar e possa fazer isso no PS5, não pense duas vezes.

Imagem do review de Uncharted: Legacy of Thieves Collection
Olhe estes gráficos, isso rodando no PS5 é espetacular

O restante das novidades fica toda a cargo do console e seus acessórios, que só potencializam suas virtudes. Sensor háptico, temos. Áudio 3D se você estiver com o headset próprio do PlayStation 5, também tem. Além disso, ele leva consigo um carregamento na velocidade da luz que aproveite o SSD do aparelho. Ou seja, tudo que é necessário para ele ser a porta de entrada de muitos na franquia dentro da nova geração.

Com este irrecusável cartão de visitas, só falta vermos os três primeiros jogos de Nathan Drake para complementar a experiência. Ouso dizer que estes se fariam mais úteis de um remake do que o longo rumor de que teremos The Last of Us novamente na plataforma. Um anúncio destes seria excelente de rolar justamente quando estamos prestes a ver o filme com Tom Holland nos cinemas, uma das primeiras empreitadas da Sony PlayStation com suas marcas oficiais.

Imagem do review de Uncharted: Legacy of Thieves Collection
Quando reviveremos nossas aventuras com um remake de Uncharted?

O mesmo Uncharted

Especulações a parte, vamos conversar sobre um ponto que não vi muita gente comentando, mas se faz extremamente necessário nestas situações. O Uncharted 4 original e a versão The Lost Legacy já rodam no PS5 comum, não que a remasterização seja inútil, mas fora daquilo que conhecemos não trouxe nenhum conteúdo adicional ou material inédito. São, em sua essência, os mesmos jogos e a história continua a mesma. Sem tirar nem colocar nada.

Se você já jogou qualquer um deles, aproveitar essa edição seria apenas trocar figurinhas e não vão lhe acrescentar em nada à sua experiência anterior. Diferente de Ghost of Tsushima e Death Stranding, não há novidades para os fãs aqui. Isso é uma pena, considerando que a equipe teve tempo desde o lançamento de TLoU 2 e dava para colocar uma cena ou algo que revelasse quais seriam os próximos passos destes personagens. Enquanto isso, o futuro tanto de Nathan Drake quanto de Chloe Frazer continua incerto.

Além disso, temos de bater na tecla das práticas anti-consumidor da Sony. Isso não influenciou em nada na nota final ou no meu respeito pela franquia, mas retirar totalmente a forma de comprar os jogos separadamente apenas para vendê-los através do conjunto, no PlayStation 4, foi uma baita sacanagem com os fãs. Os “Sonystas” podem reclamar e chorar nos comentários, como prevejo de acontecer, mas a Microsoft está a anos-luz na frente no tratamento ao seu público e atendendo as demandas. Não é a primeira vez que isso acontece e tenho certeza de que não será a última, enquanto todos aceitam calados.

Imagem do review de Uncharted: Legacy of Thieves Collection
Tentei fugir da mesmice e acabei zerando o mesmo game do passado

Isso tira o brilho da franquia Uncharted e a torna menos relevante dentro do cenário dos games? Nem um pouco, com Nathan Drake ganhando uma força bem maior mesmo após 15 anos da sua chegada. Para alguém que muitos chamaram de cópia masculina da Lara Croft, devemos engolir um pouco o orgulho e assumir que o herói veio para ficar e marcou a indústria nas últimas gerações. Apesar disso, jogá-lo no meio destas pequenas confusões distanciam um pouco mais os fãs que acompanham a saga até aqui.

Não recomendo a experiência para quem já jogou ao menos uma vez, porém se é a sua primeira jornada dentro desta fase da série, mergulhe sem pensar duas vezes. Com muitas camadas em suas tramas, jornadas dignas de um filme do Indiana Jones, elementos mais do que especiais no gameplay e um impacto enorme em qualquer um que ousar tocar nos tesouros escondidos dessa joia, é indispensável em seu PlayStation 5 e caso não tenha ainda em sua coleção, chegou a hora de pegá-lo.

Imagem do texto de RKGK

Review – RKGK / Rakugaki

Marco AntônioMarco Antônio10/06/2024