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Eu não posso ver jogos de point and click na minha frente. Ainda mais se sair pro Nintendo Switch. Trüberbrook, da desenvolvedora indie alemã btf, me pegou de surpresa pela beleza de sua arte no trailer de lançamento para PC. Se não fosse pelos personagens em 3D, que mimetizam massinha e animações na técnica stop-motion, este seria um game 100% feito à mão. Mas como a animação quadro a quadro dá um trabalho insano, a escolha do 3D é justa e funciona muito bem na proposta visual.

O que não funciona, por sua vez, é querer entregar aos jogadores da atual e antiga geração um jogo tão difícil quanto os clássicos da LucasArts. Não que Trüberbrook não siga uma lógica, pelo contrário, tudo faz sentido nos quebra-cabeças propostos nesta aventura. O problema, porém, está em entender onde estão e como usar os elementos interativos de cada cenário. E mesmo havendo um botão para revelar todos os pontos de interação, nada é óbvio.

Procura-se olhos de águia

O game acontece na Alemanha dos anos 60, na pequena cidade rural de Trüberbrook. O jogador encarna o físico quântico norte-americano Hans Tannhauser, que visita o local em busca de sossego para espairecer a mente e dar continuidade à sua tese. Em sua primeira noite em um quarto de hotel, Tannhauser presencia um fenômeno sobrenatural. Começa então sua busca por respostas junto da paleoantropologista Gretchen, que também deseja solucionar os mistérios que acercam o vilarejo.

Imagem do jogo Trüberbrook
E assim começam os mistérios do game.

O gameplay ocorre da forma tradicional, usando o mouse para apontar e clicar, mas também dá a opção de movimentar os personagens livremente. Nos consoles você anda com o analógico esquerdo, enquanto o direito é usado como ponteiro do mouse. Jogando no Switch, senti a movimentação livre um tanto dura. Aliás, minha esperança estava em poder utilizar a touch para interagir com o game, usando botões somente quando necessário. A má notícia é que não adaptaram este recurso, algo que virou uma constante nos ports.

Quando o game apresenta os primeiros quebra-cabeças, em uma breve introdução com a Gretchen, o jogo já se mostra estranho em seu design. Embora belíssimo e com a ajuda do “botão revelador” que citei, eu levei uns 30 minutos para conseguir avançar. É preciso ter olhos de águia para não perder detalhes e uma certa paciência para solucionar os quebra-cabeças. A tática do “clique em tudo para ver o que acontece” geralmente não ajuda, ainda mais quando um elemento depende de outro para ser revelado. Até as conversas com NPCs influenciam nisso, mesmo que as escolhas de diálogo sejam redundantes na maioria das vezes.

Tannhauser anda com seu inseparável gravador, o qual ele usa ao interagir com coisas que não dá para mexer ou pegar. Ele grava lembretes de áudio detalhando as ocasiões, muitas vezes contribuindo para o raciocínio do jogador. É uma forma interessante do personagem pensar alto, ampliando seu carisma e destrinchando sua personalidade a cada evento. Não demora para o jogador gostar bastante dele.

Imagem do jogo Trüberbrook
A solução dos quebra-cabeças nunca envolvem apenas uma chave.

Ritmo inconstante

Indo na contramão da tradicional mecânica de juntar itens para criar um novo, Trüberbrook não oferece a opção de fazer isso manualmente. Ao interagir com algo, um balão de opções já traz os itens necessários que coletou. Até o inventário não oferece interação, sendo apenas um menu suspenso para lembrar as coisas que você tem. É um detalhe que pode incomodar os fãs mais puristas do gênero, mas que não impacta negativamente a experiência.

O que realmente incomoda é o desenrolar da trama. Por mais criativa e curiosa que seja, tudo ocorre num ritmo maluco. Às vezes é lento demais, principalmente quando o jogador fica travado nos quebra-cabeças – até porque alguns deles não são solucionáveis de primeira, exigindo que você explore outras áreas para encontrar novos objetos. Às vezes é apressado demais, concluindo trechos da história num piscar de olhos.

Imagem do jogo Trüberbrook
Isso que eu chamo de vista privilegiada.

Embora Trüberbrook tenha estes problemas, não dá para negar que é um jogo bastante charmoso em suas esquisitices. Os personagens são estranhamente interessantes, com excelentes linhas de diálogo, dublagem primorosa e humor sempre na medida certa. Há inclusive piadas que prestam homenagem à jogos antigos, caso você tiver essa bagagem para perceber. Uma pena a história não ser lá muito original, culminando num desfecho abrupto e com quebra-cabeças complicados demais.

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