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O tempo voa e The Witcher 3: Wild Hunt já tem seus mais de 7 anos de idade. Ainda assim, há muitos jogadores que não puderam conferir esta longa e fascinante jornada de fantasia. E olha que o Complete Edition (antes intitulado Game of the Year Edition), que inclui todos os 16 DLCs e as duas expansões de história (Hearts of Stone e Blood and Wine), já havia sido lançado em 2016. E mais recentemente, em 2019, o jogo ganhou um port milagroso pro Switch.

O relançamento da edição completa para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S traz várias melhorias técnicas, visuais e de performance. Pode não parecer, mas estas mudanças deixaram o Jogo do Ano de 2015 bem diferente. Se você já possui o game na geração passada ou PC, fica tranquilo: a atualização é gratuita.

The Witcher 3: Wild Hunt era muito bonito em sua época de lançamento e continua até os dias de hoje salvo alguns detalhes que dataram com o tempo, como por exemplo a modelagem facial. Geralt, Ciri, Yennefer, Triss e outros personagens importantes da história seguem caprichados, mas não dá pra dizer o mesmo dos personagens secundários e NPCs. A atualização 4.0 next-gen poderia ser apenas uma boa desculpa para requentar a marmita, mas de fato o jogo ficou melhor.

O ray tracing aumenta o realismo e imersão do jogo

O que há de novo?

Dentre as novidades estão os loadings mais rápidos, progressão compartilhada entre plataformas (usando save na nuvem, atrelado à sua conta), recompensas resgatáveis incluindo a nova carta de Gwent do Carpeado (o cavalo de Geralt), a adição de vários mods criados pela comunidade, DLCs inspirados na série de tv da Netflix – nova missão “Na sombra do Fogo Eterno” em Velen, armas, armaduras e novas skins – e a tão aguardada iluminação global com ray tracing e oclusão de ambiente.

Nos consoles, como de praxe, o modo de traçado de raios roda nos 30 FPS e o modo performance nos 60 FPS. Já a versão de PC oferece as opções adicionais de reflexos e sombras com ray tracing, além da configuração ULTRA+, que traz mais opções na personalização da experiência: definir o número de NPCs em segundo plano, qualidade de sombra, densidade da grama, qualidade de textura, alcance da visibilidade da folhagem, qualidade de terreno, qualidade da água e o nível de detalhe.

Mas quem disse que os PC gamers estão conseguindo jogar? Desde o lançamento o jogo está instável e dando crash atrás de crash no DirectX 12, deixando a comunidade furiosa. Mesmo que você faça uma mistura das opções no ULTRA+, se ligar o ray tracing o seu PC certamente irá travar. Nem com o RT desligado, deixando o DLSS (da NVIDIA) ou FSR (da AMD) ativado, o jogo sofre na performance. A frustração com a atualização incentivou a comunidade a compartilhar em fóruns e Reddit meios de rodar a versão antiga do game (em DirectX 11) via Steam e GOG.

The Witcher 3: Wild Hunt - Complete Edition
A vegetação mudou muito, assim como as sombras

Melhorias, muitas melhorias

Embora eu esteja por dentro dos problemas do jogo pra PC, para este review eu testei a versão de PlayStation 5. Não pude brincar tanto com as configurações, mas confesso não ser fã do famoso “modo qualidade” da atual geração, que trava nos 30 FPS. Nessa configuração, Geralt meio que perde a agilidade no gameplay. Joguei assim por um tempo, para fazer testes e fotos, e posso reafirmar que o resultado é realmente fantástico e imersivo.

A CD Projekt RED acertou em cheio ao trazer melhorias criadas pela comunidade, como o Projeto retrabalhado em HD por HalkHogan, as cutscenes em tempo real de teiji25, e as correções no mapa do mundo feitas por Terg500, dentre outras. O cabelo e armas dos personagens, por exemplo, não atravessam mais sua próprias vestes ou armaduras. E a desenvolvedora polonesa também fez outras melhorias minusciosas, como deixar a água e a vegetação mais realista, dar um tapa nas texturas do céu (tem até um novo tipo de clima, com céu cinzento), corrigir malhas, efeitos visuais e a iluminação ambiental global.

Cavalgando com o Carpeado, é possível notar o quanto as sombras foram aprimoradas. Dentro ou fora das cenas, as sombras são projetadas em alta resolução e em tempo real. Dá pra ver a sombra sendo projetada de forma natural na vegetação, entre as folhas. E mesmo sem o ray tracing ativado, as sombras fazem toda a diferença na composição. A imagem abaixo, capturada no PS5 com ray tracing ligado, demonstra a riqueza de detalhes ao pôr do sol e sob a luz da tocha.

The Witcher 3: Wild Hunt - Complete Edition
Registrando momentos épicos no modo fotografia

Mais motivos para jogar (ou rejogar)

O gameplay também recebeu várias melhorias. Geralt responde melhor à sensibilidade do analógico esquerdo, aguenta quedas maiores, dispõe de uma nova câmera mais próxima e imersiva, foi adicionada uma opção de lançamento rápido de sinais (sem ter que abrir o menu radial), o mapa ganhou um filtro para ocultar alguns ícones (e despoluir sua visualização), as ervas são coletadas diretamente sem janela intermediária para confirmar o loot, há novas opções pro HUD, finalmente incluiram o modo fotografia, e por fim agora dá pra pausar o jogo durante as cenas animadas.

Como bônus, a versão de PS5 recebeu a implementação no uso dos gatilhos adaptativos e resposta tátil do DualSense. E ficou muito bem feito, sendo possível sentir o tremor de uma magia lançada por Geralt e os golpes de espada desferidos nos inimigos. Aliás, não posso deixar de mencionar a adição de um mod extremamente importante para a jogabilidade: o Full Combat Rebalance 3, de Flash_in_the_flesh. Lembro de ter apanhado muito no jogo original e, com este update, ter experienciado um jogo melhor balanceado na dificuldade.

The Witcher 3: Wild Hunt – Complete Edition é o retorno turbinado de um clássico de RPG que marcou a geração passada. Uma obra prima dos tempos em que a CD Projekt RED não errava a mão. Chega a ser irônico ver Cyberpunk 2077 estar melhor que este relançamento em termos de performance no PC, mesmo que você tenha uma placa de vídeo top de linha. Se for pegar o game pra console, vai na fé e divirta-se! Caso preferir a versão de PC, melhor esperar alguns patches até a situação melhorar.

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