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O conhecimento pode ser uma faca de dois gumes, enquanto o prazer da descoberta pode iluminar, tal luz também, pode cegar seu observador. Em um mundo onde androides perambulam no lugar da humanidade, em uma sociedade análogo ao oriente médio somos apresentados ao lar dos delírios sábios em The Library of Babel.

Baseado no conto de Jorge Luiz Borges, The Library of Babel conta uma história onde o conhecimento pode ser um amparo, ou, uma maldição terrível. Nosso protagonista, uma unidade Seeker que atende por Ludovik, chega a uma colônia de robos na região da Mesopotâmia, um lugar onde máquinas deixam de seguir a lógica e se tornam insanas.

Perdido para sempre no potencial

Em um campo potencial há infinitas galerias hexagonais; em cada galeria há quatro estantes dispostas em paredes opostas; cada estante possui cinco prateleiras, cada prateleira comporta trinta e dois livros; cada livro traz quatrocentas e dez páginas; cada página, de quarenta linhas; cada linha, de oitenta letras de cor preta.

The Library of Babel
Perdido? Basta checar o mapa para ver quantos itens restam no local

Esta é a Livraria de Babel, um conceito metafísico criado por Jorge Luis Borges para representar a ideia da Sociedade da Informação. The Library of Babel expande essa ideia e a torna em uma narrativa de mistério e investigação por Ludovik em uma pseudo narrativa metafísica onde robôs se “tornam humanos” e mostram que o conhecimento é algo fascinantemente assustador.

Ludovik é encarregado de ir até a colônia de coleta de dados, sob o comando de uma unidade central chamada a Matriarca. Um busto feminino responsável por receber, diretamente da livraria de Babel informação e a repassar para seus superiores e aqueles que são vistos dignos ou a par de ter contato com tal material.

Tal qual as taças de cicuta tornadas por Sócrates, para alguns estas pequenas doses de informação, serviram como veneno e com isso um grupo de cultistas começou a circular pela região. Sorvendo diretamente dos dados “crus” da biblioteca, estes cultistas começam uma onda de assassinatos contra autoridades civis e religiosas em Thje Library of Babel.

The Library of Babel
O símbolo no topo da tela, mostra que o scanner localizou um item escondido

Quando o metal sangra

Como no conto, em The Library of Babel, uma entidade militar toma as rédeas e busca o controle total sobre o material da biblioteca após dizer ter visto a luz. Em contra partida, Ludovik tal qual Marlow em o Coração das Trevas, deve vasculhar o amago escuro essa sociedade humanamente robótica.

A sociedade em The Library of Babel é como uma versão mecanizada e futurista do antigo oriente médio. Uma versão tecnológica da Casa do saber de Bagdá, onde vemos que Ludovik chega a densa mata que cobre a região em uma máquina chamada K-ME1, que como o nome sugere, lembra um camelo.

O Culto de Kabor, que leva o nome do general responsável pela violência e assassinatos começa a se instalar ao redor da colônia. Além da biblioteca, o culto tem como objetivo abalar e até mesmo se livrar dos Babas, líderes que em The Library of Babel, servem tanto como tradutores dos dados enviados pela Matriarca, como figuras religiosas semelhantes aos Babas Sunitas e Sufistas.

The Library of Babel
Os quebra cabeças poderiam ser mais diversos

Ao atacar os pilares da comunidade e membros de tão alta estirpe, Kabor começa uma espécie de Guerra Santa contra a ideia do todo representada pela verdade biblioteca, usando como objetivo a sua visão idealizada da mesma. Resta ao jogador no controle de Ludovik impedir isto, se aprofundando em seu papel nesta narrativa.

Se esgueirando na escuridão tola

The Library of Babel é um jogo com um grande foco em ação stealth, plataforma e solução de quebra cabeças. Ludovik não possui armas ou alguma maneira de se defender dos inimigos ou criaturas que o ataquem e deve contar apenas com a inteligência do jogador para poder sobreviver as inúmeras ameaças a sua vida.

Os comandos do jogo são simples, usando os direcionais Ludovik se move pela tela, há um botão para ações em geral como conversar, coletar itens e navegar pelo menu, um botão para acessar portas e um para se andar ou agachar. Ações importantes para um jogo com tão grande foco no gênero Stealth.

The Library of Babel
A vida orgânica pode ser mais perigosa do que a mecânica

Ludovik como um androide da classe Seeker, além da missão de encontrar o antigo construtor Kabor, Ludovik pode realizar varias outras tarefas pela colônia. Muitas serão extremamente importantes e essenciais para o sucesso do jogador em The Library of Babel, já que através destas missões conhecemos personagens importantes para a narrativa e para aquisição ou transformação de itens.

Alguns exemplos destes bots que podem e vão ajudar Ludovik em sua missão são, o androide mercador Ezequías, o mecânico Ion e até mesmo outro seeker chamado Atsege. Todos unidos em prol da colônia, ou, é o que muitos aparentam estar, mas, ainda assim há segredos a se descobrir em The Library of Babel.

Dissipando as névoas que nos confudem

Em The Library of Babel, há vários caminhos a serem tomados, como estamos falando de um jogo de stealth e mistérios, claro que grande parte dos segredos partem do jogador descobrir. Um exemplo disto é o esgoto, um lugar que sempre nos passa despercebido, mas, que é de extrema importância.

The Library of Babel
“Sua escuridão era impenetrável. Olhava para ele como olharia alguém que se encontra no fundo de um precipício onde o sol nunca brilha.”

Enquanto vagamos pelos cenários, devemos evitar ser encontrado pelos membros do culto de Kabor, que ao verem Ludovik, abrem fogo sem perguntar nada antes. Eles são em geral a maior ameaça ao seeker, mas, isso não quer dizer que eles sejam as únicas ameaças aqui!

Pelos cenários montanhosos, florestas escuras e galerias escuras por onde vagamos, há muitas armadilhas como fossos, espinhos, armas a laser e até mesmo lixo tóxico fatal, porém a vida orgânica continua sendo um grande antagonista do avanço mecânico. Grandes feras habitam os locais, serpentes que sondam a terra, marsupiais que indicam nossa posição e mutantes gigantes irão atentar contra nossa vida nestas regiões.

Tudo em um belíssimo visual desenhado, semelhante a uma visual novel e com uma trilha sonora incrível semelhante ao que se espera de música instrumental do oriente médio, The Library of Babel é visualmente e sonoramente deslumbrante.

The Library of Babel
Silencioso como uma serpente

Repetindo-se insensantemente

Mesmo com tantos pontos positivos, The Library of Babel ainda possui certas desvantagens, uma delas é a grande repetição. As seções de infiltrações são sempre semelhantes, aumentando apenas a dificuldade delas com mais armadilhas e tropas. Além dos puzzles das portas serem sempre os mesmos, o que torna tudo pouco inovador muitas vezes.

The Library of Babel é uma narrativa interessante, baseada em um termo sobre a sociedade da informação e com um gameplay que mesmo que repetitivo, ainda é engajante, o que o torna uma excelente pedida para os jogadores ávidos por uma história de mistério, segredos e a não tão grande divisão destas máquinas e humanos.

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