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Encerrar a jornada de Camina Drummer é, teoricamente, uma tarefa simples – já que nós sabemos onde ela acaba parando e o que faz no seriado The Expanse. Portanto, uma simples conexão fecharia a experiência da Telltale com chave de ouro e marcaria o seu grande retorno ao mundo dos games de forma satisfatória. Ainda assim, o tiro saiu pela culatra e por uma gama de escolhas da produção e do próprio roteiro.

Vamos ser honestos, o título não é ruim e traz – de fato – os principais elementos que consagraram a produtora e a Deck Nine como uma das melhores de seu gênero. A Wolf Among Us, The Walking Dead, Back to the Future e até mesmo a adaptação de Batman foram um grande acerto em sua época, assim como a franquia Life is Strange e suas sequências e spin-offs. Há uma certa expectativa, quando inserimos isso na questão.

E mesmo com um caminho que já indicava que as coisas não seriam tão agradáveis assim no fim, também existia esperança de ver uma virada de mesas – assim como foi visto no Episódio 4, que teve um início frustrante e lento para encerrar de forma empolgante. Porém, não temos ao menos isto no Episódio 5, que se preocupa demais em fechar as pontas abertas e executa de menos ações que impactarão os jogadores.

Encurtando The Expanse: A Telltale Series

Vamos começar falando do tempo de duração de The Expanse: A Telltale Series – qual, dependendo das suas escolhas e daquilo que decidirá explorar, não passará de seis horas no total. Se levarmos ele como um “filme interativo”, no formato da série que está se inspirando, isso chega a ser válido. Porém, no formato “videogame” ele se mostra com um tempo mais encurtado que todos os exemplos que citei acima.

Temos de ser justos, isso é mais uma culpa da fórmula quinzenal de lançamentos do que de seu potencial. Ter um novo capítulo a cada duas semanas é algo muito bom para aqueles que estão acompanhando, mas posso imaginar a correria que o estúdio teve de trabalhar para manter seus prazos. Se refletirmos sobre isso, não é à toa que a narrativa é curta e os cenários se mantém os mesmos nos últimos três episódios.

Tentam impactar com escolhas difíceis, mas você sabe como termina

Ainda assim, a experiência de The Expanse: A Telltale Series desaponta nos demais aspectos também. O fim é direto, sem muitos rodeios narrativos e mal abre brechas para um aprofundamento maior nas questões que propõe. Nele, Camina invade sua própria nave ao lado de Tor e tem de escolher entre ajudar Touissant ou a sua ex-tripulação.

Apesar de estar do lado oposto a uma verdadeira frota de piratas espaciais, o confronto não faz jus e mostra apenas meia-dúzia destes soldados como seus obstáculos. Os demais? Afirmam que foram derrotados antes mesmo de chegarem no objetivo e todos seguem o ritmo tranquilamente. O que eu senti foi um apressamento de narrativa, tomando caminhos fáceis para encurtar todo o processo da ligação do jogo com a série.

Os próprios membros da tripulação, quais acreditei que fariam uma grande diferença no fim, não servem para muito em seu encerramento. Ou você tem de parar e cuidar de uma enrascada que eles se meteram ao meio de uma invasão ou estará contra eles no motim que prepararam. Para não dizer que ninguém te ajuda, só dois dos seis membros da equipe ativamente te auxiliam e não desenvolvem muito a partir disso. Assim como as decisões que tomou no passado, com a retomada de uma ou outra.

Alguns membros mais atrapalharão do que ajudarão

As expectativas já eram baixas

Não, caros leitores, eu não esperava algo absurdamente gigantesco para o fim de The Expanse: A Telltale Series. A série já fez este trabalho ousado de desapontar o suficiente, diga-se de passagem. Porém, como um jogo, eu realmente aguardava para que a história e minhas escolhas tivessem um peso maior em todo o desfecho.

O Episódio 5 dura menos do que uma hora, o que não é um tempo hábil para trazer uma boa magnitude de tudo aquilo que provocou e o que está ocorrendo dentro da narrativa. Além disso, ele não utiliza quase nenhum dos recursos que tanto se esforçaram a apresentar nos anteriores – voo, os drones com lasers, a bota anti-gravidade e nem nada tem um valor jogável no seu fim. Só andar, participar de uns quick time events e encerrar diálogos com escolhas que determinarão alguns aspectos do fim já pré-definido.

Sendo bem sincero, eu gostei de The Expanse: A Telltale Series. Mesmo sendo curto e sem grandes impactos. O que realmente me deixou desapontado com a experiência foi o seu fim, que não acrescentou em nada ao lore nem ao que temos na série. A participação de Chad L. Coleman como Fred Johnson é um bom aperitivo, mas também já era esperado dentro da proposta que carrega.

O fim desaponta, mas o jogo não é ruim

Com algumas altas e quedas, é triste ver que tanto a Telltale Games quanto a Deck Nine escolheram encerrar a aventura em um ponto baixo. Os dois primeiros capítulos te apresentam um grande cenário de exploração e intrigas no espaço. O terceiro flerta bastante com o gênero de terror, o que combinou muito com a atmosfera do que estavam se encaminhando. O quarto tenta replicar, sem muito sucesso, até apresentar um fim que impacta o público. No entanto, o seu fim joga isso fora para investir nos elementos mais simples.

Caso estivesse aguardando para ter os cinco episódios disponíveis para fazer o download e explorar mais deste universo, já adianto para vocês que ele tem seu desfecho que segue os mesmos moldes dos últimos títulos lançados pela Telltale Games antes de sua ruptura. É um “jogar no seguro” para não entrarem em disputa direta com a base de fãs. No entanto, é a ousadia destes jogos de escolhas que determinam uma boa experiência e parece que não é nele que voltamos a vê-la em seu ápice.

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