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O que você faria caso estivesse vivendo durante a Guerra Fria, ainda mais sendo caçado por espiões soviéticos que podem ou não ser o que aparentam? Qualquer um perderia a cabeça em um quadro como este. The Beast Inside traz uma história de horrores, heranças malditas e paranoia. Igualmente ao título anterior da empresa, Lust for Darkness, The Beast Inside explora o medo em histórias antigas, mas ao invés de deuses antigos, nos voltamos aos fantasmas e espíritos.

Sendo produzido pela Illusion Ray Studios e apenas distribuído pela Movie Games S.A, o jogo dá uma verdadeira aula de ambientação e terror. Definitivamente não é a experiência suprema do horror, mas sabe balancear entre uma atmosfera amedrontadora, aparições assustadoras e sustos muito bem planejados, não tendo de depender de técnicas tão infantis como jumpscares.

Inspira e suspira

À primeira vista em The Beast Inside, Adam e sua esposa parecem um casal comum como qualquer outro. Mas na realidade Adam possui um segredo muito sensível: é um espião da C.I.A. encarregado de desvendar mensagens secretas soviéticas. Bem como é de se esperar, o mesmo sofre com uma enorme pressão e medo de espiões inimigos ou de assassinos, ou qualquer outra pessoa que possa ferir sua esposa e família. Para isso, eles se mudam para o meio da montanhas, em Blackrock, onde sua família possui uma antiga casa.

Imagem do review de The Beast Inside
Nada diz “bem-vindos à nova casa!” como retratos emoldurados de H.P Lovecraft e Edgar Allan Poe.

Imediatamente quando chegam, começam a arrumar o novo lar. No entanto, enquanto limpava o sótão,  Adam descobre o diário de Jacob, um antigo soldado e antepassado seu que viveu na casa anos atrás, além de ser filho daquele que construiu o lugar e tudo nas imediações. A família, que no passado havia prosperado graças à grande mina de carvão e uma linda pousada, logo depois foi esquecida após bizarros acidentes, mortes e até mesmo estranhas aparições.

Conforme The Beast Inside avança, Adam se fascina pelos relatos de Jacob e quer cada vez mais se afundar nas histórias do antepassado. Mas seu diário está rasgado e inúmeras páginas estão desaparecidas. Imediatamente, Adam se torna obcecado, encontrando códigos nas páginas e encontrando as mesmas nos mais bizarros locais. Jacob, no entanto, relata como um bizarro homem mascarado surgiu no quarto de seu pai no dia em que voltara do manicômio após a guerra.

A casa estava revirada, sangue cobria pisos e paredes e seu pai havia sumido. Estranhas sombras e aparições o perseguiam, algumas o assustavam, outras tentavam o matar. Simultaneamente, ambos os homens, em épocas distintas mas ligados pelo sangue, se tornam cada vez mais insanos. Um atormentado por espíritos sanguinários e ressentidos, ao mesmo tempo em que o outro acredita ver espiões nas árvores, nas colinas e até mesmo dentro de sua casa. Tudo em uma espiral negra de loucura, terror e sadismo psicológico.

Imagem do review de The Beast Inside
Segundos antes da desgraça acontecer.

Sangre de mi sangre

The Beast Inside é uma daquelas experiências de horror ao melhor estilo Silver Chains, só que de uma maneira bem superior. O que eu quero dizer com isto é que o jogo possui “interruptores” de sustos. Ou seja, diferente de games como The Night Ripper, The Power Drill Massacre ou Alien: Isolation, em The Beast Inside o jogador tomará sustos em momentos determinados. Sendo assim, cria uma experiência com baixo teor de replay, já que uma vez memorizados, os sustos se tornam previsíveis.

O que em si não torna o jogo automaticamente ruim, pois aqui o horror é trabalhado de uma maneira muito bem estudada e planejada. Em determinados momentos, me vi esperando um susto ou algo acontecer, mas nada ocorreu. Já em momentos relativamente calmos, BUM, alguma coisa surge ou pula de dentro de um guarda roupa. Jacob é o responsável por enfrentar o horror mais sobrenatural da coisa, enquanto Adam batalha com um terror psicológico e mais “real”.

Imagem do review de The Beast Inside
Nunca ria enquanto o rabecão passar, pois você nunca sabe quando ele vai te carregar.

Os comandos se limitam a movimentação e botões de ação. Com os botões de ação, podemos pegar itens e os armazenar, ou os examinar e devolver. Assim, cada personagem possui ferramentas. Jacob possui uma lamparina antiga que pode ser enchida com querosene adquirido durante o jogo e pode usar fósforos, tanto como fonte de luz, quanto para acender velas. Já Adam possui uma lanterna elétrica e um sensor semelhante ao de Alien: Isolation.

Mas diferente do usado em Alien, o sensor de The Beast Inside é ainda mais incrível. Ele permite que Adam veja o que aconteceu ali, remontando o passado através do visor do aparelho. Isso é, quando não existem nuvens quânticas que podem atrapalhar na leitura do aparelho. Caso existam, Adam pode carregar o aparelho e disparar contra elas, destruindo-as e revelando os mistérios. Isso sem contar os inúmeros puzzles voltados aos enigmas da guerra fria que o jogo propõe.

Pensa em uma sequência chata de sustos e pavor.

Final de um dia perfeito

Os gráficos de The Beast Inside são belos, mas nada marcantes, e os efeitos de luz são bem utilizados. Quando uma área é iluminada, o que está em volta tende a se tornar mais escuro e difícil de se enxergar. A trilha sonora se destaca mais, com uma sonoplastia bem feita e utilizada. Nada de sons estridentes ou gritos desvairados, tudo é empregado de maneira própria para se causar o maior impacto possível sem exageros.

As mecânicas dos enigmas e quebra cabeças são bem divertidas e exploradas. Algumas partes do mapa necessitam de ferramentas adjacentes dos personagens, como ganchos e cordas para escaladas, serrotes, revólveres e escadas. Mas são ferramentas temporárias, que não servem de armas ou que podem ser usadas a todo tempo, apenas em locais determinados. O jogo também possui uma grande quantidade de documentos acerca de seu próprio universo e o nosso, gerando uma história bem interessante de se acompanhar.

Corredor longo? Já estou até vendo algo vindo correndo em minha direção.

The Beast Inside é um ótimo jogo de terror. Claramente não é o melhor, mas é muito bem polido e cativante. A história é contada de uma maneira intercalada entre passado e presente, o que mantém o jogador curioso para descobrir o que irá acontecer com o personagem na próxima aventura que jogarmos dele. O jogo possui um valor de replay relativamente baixo, mas ainda assim pode cativar os mais ávidos ou aqueles que realmente adorarem a história. Venha conhecer Blackrock e tente não morrer durante sua estadia.

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