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Vamos começar com a coisa mais importante de todas: desde meus tenros 6 anos de idade, eu jurava que Dragon Ball era escrito junto. Estou absolutamente perplexo. Como diria Maysa: “meu mundo caiu”.

Bom… De volta à programação normal, o planeta Terra está novamente correndo perigo e, desta vez, nem uma equipe composta pelos guerreiros sayajins mais fortes do Universo poderão protegê-la. Mas aparentemente um menino, uma CRIANÇA em um jogo de cartas pode conseguir.

No episódio de hoje…

Assim chegamos em Super Dragon Ball Heroes: World Mission (eu realmente queria saber qual é a do Universo de me entregar jogos com nomes cada vez maiores), a mais nova adição à franquia Dragon Ball nos videojogos. Desenvolvido pela Dimps Corporation e publicado pela Bandai Namco, Super Dragon Ball Heroes: World Mission é um jogo de estratégia nos moldes de Gwent, misturado com a franquia de trading card game de Dragon Ball Heroes.

Deixando claro, logo de cara, que sou fã de Dragon Ball – cheguei depois da série original, acompanhei toda a saga Z e me decepcionei com a GT. Desde então, Dragon Ball é uma lembrança distante para mim. Aquele primo de outra cidade que a gente meio que fica sabendo como está a vida por uma conversa de rabo de ouvido entre sua mãe e sua tia.

Portanto, estou meio distante do que anda ocorrendo na franquia e os personagens mais recentes. O que não me impede em nada de perceber as explícitas tentativas em nuances da narrativa, por quem o Goku precisou morrer e passar mais 3 anos treinando para derrotar e, muito menos, para ver as novas e escalafobéticas evoluções dos super sayajins.

Super Dragon Ball Heroes: World Mission se passa no próprio mundo de Dragon Ball, onde os acontecimentos são de conhecimento comum e as pessoas envolvidas se tornaram grandes celebridades. Com isso, Goku, Vegeta, Gohan e até os vilões como Cell e Freeza se tornaram personagens de um jogo de cartas chamado Dragon Ball Heroes, assim como no nosso mundinho.

Imagem de SUPER DRAGON BALL HEROES WORLD MISSION_14
Entendo o sentimento dele.

Essa situação me trouxe à mente um ponto muito curioso: para ter sua imagem em um jogo, geralmente é necessário algum tipo de acordo de cessão de imagem. Imaginem só como foi a reunião dos executivos da empresa responsável pelo card game com Cell, por exemplo. Ou com Raditz. Será que o Vegeta pediu mais de 9000 dinheiros para aceitar?

É nesse mundinho doido que subitamente os personagens dos jogos vêm à realidade e tudo começa a ficar muito confuso. Primeiro você é chamado para entrar no jogo e derrotá-los lá, tal qual um personagem de Digimon. Depois, aparentemente as linhas se embaralham e você começa a enfrentar monstros gigantes e guerreiros sayajins na vida real, sem maiores explicações. Basicamente, você tem um bracelete maneiro que permite tudo isso. E é isso aí.

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Nessa imagem, você vê o resumo do jogo: esse quick time event.

A história é contada pelas suas interações na vida e no jogo com seus companheiros (outras crianças que geram reações nos braceletes especiais de jogo), com os inimigos e, principalmente, com o Grande Saiyaman 3. Sendo um RPG relativamente grande, o modo história se divide bem entre os momentos de história e de combate, fora os minigames.

Todas as partes do jogo podem ser acessadas por meio de uma espécie de hub, a Hero Town, nome extremamente criativo para uma cidade aliás. Por lá, temos acesso a loja de gacha, o jogo de azar mais famoso do Japão, uma espécie de caça-níquel. Além disso, ainda podemos circular por outras lojinhas, como as de itens e acessórios.

Porém a loja mais relevante é a de criação. É lá que podemos fazer acontecer a magia das cartas. A cada batalha ganha ou a cada cápsula encontrada, recebemos espólios que podem conter personagens ou pedaços de cartas, como fundos, detalhes ou outros componentes. Super Dragon Ball Heroes: World Mission oferece uma miríade de possibilidades de personalização, permitindo cartas para todos os gostos.

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Esperei 37 episódios para ver isso acontecer, espero que no jogo seja mais rápido.

Um ponto muito positivo a se adicionar no que diz respeito à customização é que o jogo informa não haver personagens mais fortes que outros na montagem de cartas, portanto se você é fã daquele cidadão mais inútil obscuro como um Yancha da vida, não precisa ficar chateado por ele não ser um expoente sayajin, você pode ter um baralho tão forte quanto e formado basicamente de Yanchas. Vale ressaltar também que o jogo, apesar de ser sobre colecionar cartas, não possui microtransações, então ponto para a Bandai!

… uma criança salva o mundo!

A localização de Super Dragon Ball Heroes: World Mission não falhou em nenhum ponto. Por mais que alguns termos fiquem estranhos em português, eles se encontram mais nos menus e em outros termos que geralmente vemos em inglês. No que se refere aos personagens e diálogos, não só a adaptação foi impecável como as piadas estão de alto nível. Não que isso faça a história ser mais compreensível, de forma alguma.

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Vejo utilidade no Tenshinhan pela primeira vez!

Algo que poderia colaborar para que fosse mais agradável acompanhar a narrativa seria o componente gráfico. E acreditem nas palavras que aqui lêem: não só não ajuda como ainda atrapalha. Depois de Dragon Ball FighterZ, não tem desculpa para não levar ao topo uma identidade gráfica em uma experiência cell shading. A impressão que tenho vendo Super Dragon Ball Heroes: World Mission é que acabei de sair de Dragon Ball Budokai Tenkaichi 3 e resolvi colocar outro jogo no meu PS2. Esse tipo de coisa, honestamente, é inaceitável em um jogo que é lançado a R$199,00.

Indo agora ao ponto mais relevante do jogo, visto que é o que ocupa mais tempo de jogabilidade: os combates. Super Dragon Ball Heroes: World Mission prega ser um jogo de estratégia, sendo possível escolher até 7 lutadores e dispô-los a cada turno em um campo de batalha de três níveis. Mas só prega mesmo, pois experimentei trabalhar com combinações aleatórias e outras bem trabalhadas. Não faz diferença. A quantidade de pontos de vida, pontos de poder, bloqueio ou seja lá quais métricas o jogo decida te mostrar, nada disso importa no momento do combate.

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Quer mais polígonos, @?

A única coisa que pode fazer você ganhar ou perder (além de uma dose de sorte) é ir bem nos quick time events chamados de Impacto Carregado. São basicamente uma competição para ver se você ou seu inimigo consegue deixar a barra mais alta apertando no momento certo. Chega a ser um jogo de azar disfarçado, e isso é o que define se seu golpe vai acertar o inimigo dando 100% ou 15% da capacidade de dano dele.

Esse mero fato remove toda e qualquer sensação que o jogador possa ter de que está se melhorando e dominando as engrenagens por trás de Super Dragon Ball Heroes: World Mission. A impressão que se tem é que o jogo vai acontecer independente de você, e em um jogo de estratégia, essa é a pior sensação que se pode passar. Você, como jogador, é absolutamente dispensável.

Imagem de SUPER DRAGON BALL HEROES WORLD MISSION_1
Da série minigames genéricos e absolutamente perdidos vol. 3.

Uma vez que você tenha vencido o Impacto Carregado, é possível que seja atingido o Super Ataque de um de seus personagens, o que leva a outro quick time event. Desta vez, eles são bem variados, o que inibe um pouco o cansaço proveniente da repetição. Todos envolvem a movimentação das cartas ou do cursor. Conforme o sucesso obtido, o golpe pode causar mais dano ou gerar mais bônus para seus lutadores.

A esses minigames, Super Dragon Ball Heroes: World Mission ainda adiciona algumas especificidades como a possibilidade de fusões entre alguns personagens já conhecidos por isso e a criação de unidades. Algumas cartas possuem conexões especiais entre si, o que permite que sejam criadas unidades ou times que utilizem golpes especiais em determinadas seções dos combates.

Claro que, em se tratando de Dragon Ball, ainda temos como nos transformar em super sayajins ou qualquer versão subsequente durante os combates. Isso sem falar nas transformações em Oozaru (ou o macaco gigante, para os não-iniciados). E, pra fechar com chave de ouro, as invocações quando reunimos as 7 esferas do dragão.

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Não consigo deixar de achar Porunga um nome muito brasileiro.

Ou seja o jogo reúne todas as possíveis camadas de fan-service que poderiam ser pensadas para um bom jogo de Dragon Ball. Desde os milhões de personagens até cada uma das nuances dos golpes. Desde os diálogos hilários até as transformações incríveis. O que faltou mesmo foi ser um bom jogo. Seja de cartas, seja de estratégia, seja de luta. Se fosse mais uma série ou um filme, seria ótimo. Mas peca nos gráficos, peca na jogabilidade, peca na estratégia. No que tiver para se poder pecar, Super Dragon Ball Heroes: World Mission peca.

Imagem do texto de RKGK

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