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Yoshifumi Hashimoto é um nome associado com resultados um tanto diversos. Suas produções passam de completa mediocridade, como em Rune Factory 2, para pérolas como Muramasa: The Demon Blade (ainda não lançado no ocidente). Infelizmente, Steal Princess, sua mais recém lançada produção, se encaixa com todos os méritos no primeiro dos grupos. E com que méritos ele faz isso!

Steal Princess é um misto de puzzle com elementos de ação. Basicamente, todas as fases consistem de pequenos mapas isométricos, no qual deve-se cumprir um objetivo. Este é, na maioria dos casos, matar todos os inimigos que se encontram no mapa. Ao fazer isso, o último deles derrubará uma chave de seu corpo que deve ser usada para abrir uma porta e seguir em diante, para o próximo nível. Muito simples, não? Então, por que é que dá tão errado? Bem, alguns dos problemas acontecem exatamente devido a este elemento de ação. Steal Princess tem um dos piores controles que já tive o infortúnio de encontrar. Anise, a personagem principal, anda vagarosamente e consegue ser ainda mais lerda em seus pulos.

Os comandos são duros e imprecisos. Saltar por cima de uma vala é uma aventura em si, pois você deve ser extremamente preciso. Caso tenha pulado um pouquinho antes da hora que seja – já era – é queda garantida. Mas provavelmente o pior desastre dos controles acontece na hora de usar seu chicote. Ele não é usado para derrotas monstros, apenas para agarrá-los ou para fazer com que a heroína se agarre a eles. O problema é que existem muitos estágios que consistem de atravessar um grande precipício, indo de monstro em monstro até o outro lado. Entretanto, mirar no monstro correto é um inferno. Muitas vezes Anise mira no errado, eliminando qualquer possibilidade de vitória, tornando necessário recomeçar a fase inteira. Usar a tela de toque ao invés dos botões ajuda nessa hora, mas caso você tenha que usar seu chicote enquanto está no ar, esqueça. Usar a stylus será pior ainda. Mas quem dera que os controles fossem o único problema…

Como disse acima, a maioria das missões consiste em eliminar todos os inimigos da fase. Como Anise não pode fazer isso com seu chicote, você deve procurar armas pela fase, que normalmente estão facilmente visíveis. Nessa hora que entra a parte puzzle do jogo, já que as armas apresentam durabilidade, limitando o número de golpes de cada uma, e elementos específicos, que não funcionam com um monstro de elemento diferente. Em alguns casos a lógica necessária é simples e direta: pegue a arma de fogo, mate o inimigo de fogo; este derrubará a arma de água que será usada para matar o monstro de água, que por sua vez derrubará outra arma, e assim por diante, até que o último derrube a chave. E isso não ofereceria nenhum grande problema, caso o jogo não resolvesse em alguns casos pegar toda e qualquer lógica e jogá-la pela janela.

Por exemplo, em uma das fases eu tinha uma arma que podia dar dois golpes antes de se quebrar e três inimigos daquele mesmo elemento. Matava os dois primeiros e nada de uma nova arma cair. Eu não conseguia entender o que fazia de errado, até que, reiniciando a mesma fase pela enésima vez, resolvo não matar aqueles dois primeiros monstros e ir para aquele terceiro, que sempre restava. Para minha surpresa, uma arma cai dele. Se existe alguma lógica nisso, ela me é impossível de ser compreendida. O acaso faz com que monstro X derrube uma arma, necessária para se completar a fase, e o monstro Y não, sendo que eles são absolutamente idênticos e nada no cenário indica uma ordem na qual eles devam ser derrotados. E esse é apenas um de inúmeros exemplos de completa aleatoriedade que jogo oferece. Muitas das coisas que acontecem são um verdadeiro enigma.

O problema é que a maior parte desses enigmas parecem insolúveis. Existem coisas que acontecem que estão fora de seu controle. Em algumas das fases espinhos caem do teto em cima de você. No entanto, mesmo tendo terminado o jogo, até agora não consegui entender como prever a sua queda. Eles até fazem um barulho, mas quando você os ouve quer dizer que é tarde demais. E não há nenhuma indicação do lugar onde eles possam estar, simplesmente eles caem e te acertam, sem mais nem menos. Em outros cenários é preciso matar alguns magos rebatendo seus raios de volta neles com ajuda de um escudo. O problema é que, aleatoriamente, eles resolvem sair voando pela fase ou decidem ficar girando sem atacá-lo, tornando impossível terminá-la, a não ser, é claro, que você a reinicie e tenha mais sorte com o padrão do inimigo dessa vez.

Para piorar tudo, o jogo é extremamente repetitivo. Você pode algumas vezes não saber como fazer algo, mas com certeza saberá o que deve fazer, pois é quase sempre a mesma coisa. A estrutura só é quebrada nos estágios de chefes e de sub-chefes. Os chefes até que apresentam um desafio mínimo, mas os sub-chefes são um piada. Eis aqui como derrotá-los: Pegue a arma que estará na sua frente, encoste no monstro e comece a apertar o botão A repetidamente. O inimigo morrerá em cerca de vinte segundos e você sairá ileso. Funciona em cem por cento dos casos, eu garanto. Além disso, o game se torna cansativo lá pelas primeiras cinquenta fases e, considerando que ele tem cerca de cento e cinquenta – isso sem contar as fases extras – é garantia que você ficará de saco cheio muito antes de ver a conclusão da aventura. Felizmente você não dará a mínima para essa conclusão, já que a história de Steal Princess é uma das mais previsíveis e sem graça possíveis. A trama se faz pouquíssima presente, mas, mesmo assim, consegue ser falha em todos os aspectos.

Existe ainda um sistema de criação de fases, em que você pode usar bases existentes e colocar elementos, como inimigos e armas, da maneira como quiser. O problema é que você não pode compartilhar essas fases através de um servidor. A única maneira de jogar em estágios criados por outros jogadores é copiando os friend codes de cada um deles. Isso limita a função, tornando-a quase inútil.

Steal Princess simplesmente não é um bom jogo. Mesmo que não apresentasse tantos problemas em seus controles e mostrasse um pouco mais de coerência em sua execução, a verdade é que, em seu cerne, simplesmente não é um jogo divertido. Não existem mecânicas muito originais na parte que se refere a puzzles e a parte de ação é rasa e sem graça. Fique longe de Steal Princess.

Imagem de The Thaumaturge

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