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Quando falamos de jogos rítmicos, sempre vem à cabeça os já consagrados Guitar Hero, Rock Band, Sound Shapes e uma coisa ou outra que vimos por aí e nem lembramos mais o nome. É difícil encontrar jogos do gênero que consigam carregar tanta personalidade e mesclar o ritmo com outras mecânicas, sem abandonar a ideia inicial de ser um jogo musical.

Songbird Symphony é um daqueles títulos que menos esperamos alguma coisa e, quanto mais avançamos, mais certeza temos de que é um dos jogos que conseguiu fazer isso com maestria. Com um visual muito simpático, personagens carismáticos, um protagonista que ultrapassa os limites da fofura e uma boa variedade de músicas originais, esse é um indie que merece muito a sua atenção.

O que sou eu?

Como o título do jogo entrega, nossa história gira em torno de pássaros, pássaros por todos os lados e de várias espécies diferentes – afinal, pássaros cantam, então faz todo o sentido fazer um jogo rítmico com eles, não é?

Nosso protagonista é Birb, um passarinho muito animado que adora cantar e dançar (só gostaria de enfatizar o quão a dança desse bicho é fofinha, a ponto de fazer até os mais durões se entregarem e dançarem junto com ele). Birb acha que é um pavão, afinal ele foi criado por um pavão, mas sempre soube que era muito diferente dos outros. Após se cansar de ser rejeitado pelos outros pavões, nosso amiguinho vai consultar a coruja, a ave mais sábia da floresta, para tentar descobrir quem são seus pais e o que ele é de verdade. Aqui começa a nossa jornada musical de autoconhecimento.

Birb pensa que é um pavão, mas no fundo sempre soube que era diferente.

Quando não estamos cantando, estamos jogando um amigável plataforma side-scroller. O visual em pixel art não deixa a desejar, é tudo muito bonito, colorido e caprichado, além das animações de cada ser vivo e elemento do cenário serem muito fluidas e bem feitas.

Não é possível morrer em Songbird Symphony, então não haverá abismos para cair e inimigos para enfrentar. A sua missão é explorar o cenário em que se encontra, procurando personagens e elementos que possa interagir. Geralmente tudo envolve cantar algumas notas indicadas na tela para ganhar uma nota musical. Cada mapa tem um número específico dessas notas e cada uma libera um novo acorde na música do cenário, então quando você fizer tudo em um lugar, terá a música completa de lá, que será tocada por sons da natureza. Não é demais?

Além de buscar todas as notas musicais, também encontraremos penas que despertarão a curiosidade de Birb, nos levando à outra tarefa de encontrar todos os pássaros a quem cada pena pertence. É tudo muito simples de fazer e encontrar, inclusive com os puzzles espalhados pelo jogo, que não oferecem muito desafio ao jogador. Isso pode desanimar algumas pessoas, mas não são nesses trechos de plataforma que se encontra a dificuldade do game.

E aí, Seu Coruja!

Guitar Hero é para os fracos

 

O sistema rítmico de Songbird Symphony é muito divertido e desafiador. Conforme jogamos e descobrimos novas espécies de pássaros, podemos aprender a nota musical deles para agregar ao repertório de Birb. Cada nota é um botão diferente, então é claro que quanto mais notas forem desbloqueadas, mais difícil as músicas vão ficando.

O mais legal das músicas do jogo é que elas possuem até letra! Não são cantadas, mas cada pássaro possui um barulho único e podemos cantá-las mentalmente conforme a letra vai passando na tela e vamos acompanhando o ritmo. No começo tudo é fácil e devemos apenas repetir o que é mostrado previamente no mesmo ritmo, até aí tudo bem. Porém, chega um momento em que a música acelera e as notas saem pulando na tela repentinamente, exigindo um raciocínio rápido e “olho de águia” para conseguir ver quais são as notas. É simplesmente desesperador!

Aprenda a ser descolado como este pássaro.

As músicas mudam de acordo com as aves que estamos lidando, o que também tem a ver com as novas notas que vamos aprendendo. A diversidade de fases e aves é bem legal, ainda mais que os desenvolvedores tiveram o cuidado de criar personalidades para cada espécie de ave, então é muito divertido sair conversando com cada “galinho” no reino das galinhas ou com cada passarinho minerador abaixo do solo. São muitos grupos diferentes que vivem em lugares bem distintos.

Para quem for se aventurar no mundo de Songbird Symphony no Nintendo Switch, há algumas questões que devem ser consideradas. Tudo bem que esse é aquele tipo de jogo que queremos jogar largados no sofá usando o modo portátil do console, mas isso apenas dobra a dificuldade das músicas. Você não terá tanta precisão nos botões e a tremedeira das mãos ainda te atrapalhará na hora de identificar as notas, que costumam vir em grande velocidade e dão pouco tempo pra ficar pensando.

Dá até pra fazer um karaokê!

O personagem também costuma parar de andar abruptamente quando pulamos, mesmo pressionando o analógico para os lados. Não sei ao certo se é um bug, mas aconteceu várias vezes de Birb ficar travado no chão após aterrissar de um salto e apenas outro salto conseguir devolver seus movimentos. Isso pode ser um pouco irritante às vezes.

Songbird Symphony é muito amor e é mais um indie deste ano que merece seu devido reconhecimento. É o tipo de jogo que consegue entreter e ganhar a simpatia de qualquer pessoa, desde uma criancinha até um marmanjo barbado. Partir nesta jornada que nos mostrará a verdade sobre nosso querido Birb vai te render momentos bem equilibrados de ataques de fofura e ataques de raiva com infinitas notas musicais pipocando na tela.

Imagem do texto de RKGK

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