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Quando me deparo com a discussão sobre a duração de um game sempre me pergunto qual o limiar ou as principais características que buscamos para algo ser bom quando o assunto é valor, tempo e qualidade. Sigi – A Fart for Melusina consegue colocar na roda e defender diversas opiniões ao propor o resgate da nostalgia, sendo um jogo simples e leve ao mesmo tempo em que economiza em história e duração.

Ambientando o game para os mais velhos, com muito humor, controles fáceis e um bom trabalho com o visual e trilha sonora, a pixel.lu provou que um trabalho pequeno e mais simples pode ser interessante. Mesmo que por uma única vez, Sigi merece ser jogado.

Ghouls’n Farts

Tudo no trabalho da novata desenvolvedora européia foi meticulosamente cuidado para ser um jogo nostálgico. A proposta de Sigi me instigou e, após ter jogado do início ao fim (leia-se menos de uma hora), percebi que a principal intenção era nos lembrar dos jogos do início da década de 90. Época em que nem sempre a história era o diferencial, mas sim o visual atrativo, a trilha sonora que gruda como chiclete e a jogabilidade que agradava a massa, mesmo que com seus mínimos desafios pulverizados pelo jogo. Para quem não viveu aquela época, era muito simples encontrar qualquer título genérico nesse estilo chegando para o SNES ou Mega Drive, mas poucos eram os jogos que sobreviviam e neste caso a história se repete.

Seria o máximo ter esse jogo chegando na época do PS2 ou PS3, porém hoje e principalmente para o Nintendo Switch (plataforma utilizada para este review), o que mais temos são jogos nostálgicos com o look and feel dos anos 90. Aliás, os games estão passando por uma forte fase de resgate histórico. O que não é ruim, pelo contrário! Mas em meio a tantos títulos mais elaborados, Sigi não se destaca tanto como poderia.

Imagem do jogo Sigi - A Fart for Melusina
Um herói em busca da sua princesa (ou sereia).

O protagonista, um cavaleiro, parte em busca de Melusina, uma sereia e o grande amor da sua vida. Desse breve contexto para a sua jornada, o que podemos perceber é que tudo em Sigi parece ser familiar para nós. Quase como se Ghouls’n Ghosts encontrasse Mario em um cenário vivo de Aero the Acro-Bat ou algum jogo da Disney feito pela Capcom. Cenários bem trabalhados com parallax, dando mais efeito de movimentação e profundidade com personagens e inimigos bem detalhados em 16-bit. E pra completar temos a trilha sonora composta pelo músico americano Saskrotch, famoso pelo seu trabalho com música eletrônica sintetizada.

Super Mario Farts

Sigi reflete o imenso desejo dos desenvolvedores terem o seu próprio game no hall da fama dos plataformas que marcaram as gerações anteriores. Carregando fortes influências das suas inspirações, o jogo busca criar seu próprio estilo e identidade. A movimentação é fluida e agradável, com o uso de itens para atacar e que modificam a jogabilidade. Você pode lançar machados (fazendo arcos e calculando a distância), usar bombas (que causam dano de área) ou até mesmo disparar facas rapidamente (apesar de infligir menos dano).

Imagem do jogo Sigi - A Fart for Melusina
Plataforma com moedas, letras e muita comilança. Tudo por um bom pum ao final de cada fase.

O protagonista usa até mesmo frango frito como arma, embora tal item exija paciência (principalmente contra um chefe). O mais legal de usar as armas, não importando qual delas, é tentar acertar as luminárias/postes pelos cenários e ver tudo explodir como reação em cadeia.

Sigi possui apenas 20 fases e, quando comecei, achei que fosse somente o primeiro mundo. Em cada uma das fases você encontrará cenários breves, de uns cinco minutos cada, e que serão inicialmente fáceis. E é aí que mora o grande problema do jogo: ao completar certa quantidade de fases, você enfrentará um chefe e perceberá um salto imenso na dificuldade, além de consumir várias vidas antes coletadas com facilidade. Dito isso o jogo não oferece nenhum desafio extra, mesmo havendo as letras SIGI pra pegar e artefatos perdidos para encontrar.

Imagem do jogo Sigi - A Fart for Melusina
Piadinhas são poucas, mas pontuais e bem colocadas para arrancar um sorriso maroto.

O “a fart” no título serve como anúncio do humor que o jogo possui: ao final de cada fase, nosso cavaleiro solta um peido em comemoração! Ele come bastante durante a jornada, o que contribui para o seu peso e permite quebrar certos locais. E antes de terminar os cenários, o seu HP é recuperado em uma barraquinha de cachorro quente e finalizado com a flatulência do personagem. Pode parecer bobagem, mas a minha expectativa era de que o peido fosse uma habilidade ou algo que fizesse diferença na jogabilidade.

Farts of Illusion

Reservando apenas para os chefões os maiores e melhores desafios, incluindo as belas piadinhas infames e que conseguem tirar um sorriso de quem está jogando, todo o restante é simples. Legal de jogar, porém muito breve. E em meio a tantos revivals (só faltava ser metroidvania), Sigi – A Fart for Melusina segue no caminho seguro do gênero para agradar os mais nostálgicos e principalmente os gamers que adoram executar suas runs em menor tempo e com o maior placar.

Imagem do jogo Sigi - A Fart for Melusina
O típico final dos jogos das primeiras gerações. Chegou ao fim? Comece tudo de novo!

Fico contente em ter me divertido com um jogo como esse. Em momento algum a expectativa, talvez pela mania de sempre esperarmos jogos grandiosos, prejudicou a experiência que Sigi proporcionou. Porém não dá pra negar que ao ver a conclusão abrupta do jogo, esfregando na minha cara a pontuação pífia de 31%, eu não tive vontade de recomeçar. Pensando assim, teria sido melhor se a pixel.lu tivesse dedicado mais tempo no desenvolvimento para incluir mais mundos, fases e desafios.

Imagem do texto de RKGK

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