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Dando sequência aos lançamentos da Yacht Club Games para finalizar o processo de um Kickstarter muito bem sucedido, recebemos a quinta parte, Shovel Knight Showdown. Se propondo a ser a melhor experiência existente em jogos de luta em plataforma, até quatro jogadores batalham por arena em busca de gemas ou de serem o último sobrevivente com mais de uma dezena de personagens clássicos da série.

Mais uma vez, a Enchantress arma uma de suas maquinações em busca de poder. Uma catástrofe mágica acaba por criar um mundo paralelo onde seus habitantes estão em um eterno ciclo de lutas onde heróis e vilões da série Shovel Knight precisam entender a fonte deste desastre e voltar ao seu mundo.

Quatro cavaleiros entram, um cavaleiro sai

É possível que a descrição de jogo de luta em plataforma não seja necessariamente claro para você, mas se eu digo Super Smash Bros. já fica mais fácil, não? Digo de antemão que acho Smash um saco. Uma chatice sem fim de repetição, uma mecânica que estimula utilizar sempre os mesmos movimentos dos mesmos personagens e só se mantém pelo carisma e pelo fator crossover. Dito isso, devo adicionar também que devo ter mais ou menos 200 horas de Digimon Rumble Arena 2 – e talvez não me orgulhe disso. Então o gênero não é o problema em si, mas sim a maneira com a qual é feito.

Imagem de Shovel Knight Showdown
E dá para escolhar a cor da roupinha!

Dois são os fatores que fazem de um jogo de luta em plataforma se destacarem perante à miríade de títulos lançados todos os dias: personagens e arenas. Ninguém se importa com a história sendo contada no geral ou no modo particular de cada personagem, sejamos honestos. O visual, como a trilha sonora, tende a apostar no seguro e não inovar para nada que poderia ser divisivo.

Em Shovel Knight Showdown, a lista de personagens conta com 16 dos mais variados cavaleiros que apareceram em prévias instâncias da série, de heróis a vilões – se bem que essa classificação pode ser um pouco fluida dependendo de qual dos jogos você está mais familiarizado.

O conjunto de movimentos de cada um dos cavaleiros é absolutamente diferente, variando de acordo com suas personalidades e sendo muito fiéis ao que mostraram através dos outros 4 jogos do Treasure Trove – pacote com os 5 jogos da série Shovel Knight.

Imagem de Shovel Knight Showdown
Essa maluquice no modo portátil é incompreensível

A somatória da grande quantidade de personagens com a sua unicidade tanto em movimentos quanto em aparência faz com que Shovel Knight Showdown ofereça experiências muito únicas em relação à sua jogabilidade. Definitivamente jogar com cada um dos cavaleiros soa como um modo de jogo completamente diferente, onde nenhum deles sequer se parece ao outro. Acompanhar cada um em sua história pessoal faz com que precisemos aprender um novo jogo. Então acaba que Showdown tem um custo benefício melhor do que os antigos portáteis de 9999 jogos em 1.

Esta variedade, quando não muito bem cuidada, acaba por implicar em experiências desequilibradas ao colocar um personagem frente a outro. E adivinha o que acontece em Shovel Knight Showdown? Exatamente, desequilíbrio. Do conjunto de 16 personagens, cerca de um terço possui movimentos rápidos, permitindo que se cruze o mapa rapidamente enquanto causa uma quantidade considerável de dano nos inimigos.

Os outros dois terços variam entre cavaleiros que, para serem eficientes, exigem um controle absurdo dos seus próprios movimentos como jogador e personagens que simplesmente se parecem mais com alvos móveis – ou não tão móveis assim. Caso você chegue ao jogo sem uma boa noção prévia sobre os movimentos dos personagens, boa sorte para selecionar um que seja agradável jogar quando o caos se iniciar. Do contrário, prepare-se para momentos de dor e sofrimento ao testar um a um para achar algum que sintonize com sua maneira de jogar.

Imagem de Shovel Knight Showdown
Sério? Precisa ser com todos de uma vez?!

Mesmo tendo a sorte de selecionar um dos personagens de tier alto, Shovel Knight Showdown não vai te perdoar. O jogo possui três níveis de dificuldade e, mesmo jogando no nível tido como normal, o grau de agressividade, habilidade e punição que a inteligência artificial aplica em quem quer que se aproxime dela é uma estupidez. Como eu disse anteriormente, tenho uma experiência considerável em jogos de luta em plataforma, mas fui esmagado por um bom tempo até que encontrei personagens que me permitissem fugir e escolher meu momento de atacar com mais tranquilidade.

Precisa lutar até o fim mesmo?

A segunda parte da equação do sucesso para jogos de luta de plataforma, como eu citei anteriormente – sendo o especialista absoluto que sou, obviamente -, está na qualidade dos mapas. Assim como no trato com os personagens, a atenção dada aos mapas foi de um primor e tanto. Utilizando-se de áreas icônicas da série, os mapas de combate trazem boas lembranças para quem conhece e instiga quem conhece por agora.

Imagem de Shovel Knight Showdown
Hello. My name is Inigo Montoya. You killed my father. Prepare to die

Contando com uma variedade absurda de cenários, a sensação é que nos familiarizamos o suficiente para saber como aquele local se comporta, porém, a longo prazo, boa parte deles se repete consideravelmente. Não sei dizer exatamente porque, mesmo tendo um número muito maior deles, boa parte se repetia com uma frequência irritante.

Por mais que eu tenha tido que a história não é necessariamente um fator relevante no gênero, o modo de narrativa de Shovel Knight Showdown é competente, ou quase isso. O jogo em si tem uma narrativa geral simples, assim como cada um dos personagens possui sua própria história pessoal que é desenvolvida muito de leve em poucas frases no início e no final, somente com interlocuções ao cruzarmos com determinados inimigos pelo caminho. Nada que me fizesse me interessar pelo que contavam, de fato, mas está lá, não dá pra negar. Além deste modo ser a principal maneira de desbloquear quase metade do conteúdo do jogo – tudo jogando mesmo, sem a possibilidade de comprar nada, felizmente.

Imagem de Shovel Knight Showdown
Mas me deu um medo de ter caído…

Levando tudo isto em consideração, por mais que eu tenha um apreço considerável pelo universo, pelos personagens, pela jogabilidade original de Shovel Knight, pelo estilo artístico, pela trilha sonora e pela Yacht Club Games, jogar Shovel Knight Showdown foi simplesmente uma experiência ruim. Foi chato, irritante, frustrante e sem uma sensação de recompensa, mesmo quando eu finalizava as histórias. Era somente um alívio de não precisar fazer aquilo novamente e não uma celebração. Infelizmente, Shovel Knight Showdown não está à altura do restante da Treasure Trove.

Imagem do texto de RKGK

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