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Os jogos da série Shin Megami Tensei tem cada vez me surpreendido mais. A franquia não é recente, mas desde o lançamento dos últimos Personas, ela tem ganhado cada vez mais espaço. Tudo isso sem contar com gráficos surpreendentes ou incríveis produções em CG. Shin Megami consegue seus méritos através de histórias intrigantes e bem contadas, personagens com os quais conseguimos nos identificar, diálogos bem escritos e sistemas de batalha que, se não extremamente complexos, mostram profundidade suficiente para que não se tornem enjoativos e funcionem até o final do jogo.

Tudo isso que acabei de dizer cabe perfeitamente para Shin Megami Tensei: Devil Survivor, o mais novo game da série para Nintendo DS. Devil Survivor conta a história de três jovens que, usando de aparelhos chamados COMPs, descobrem que podem invocar demônios. Entretanto o grupo não tem muito tempo para ficar surpreso com isso, pois rapidamente se encontram presos em uma quarentena que está sendo feita em Tóquio. A situação fica mais desesperadora quando os personagens veem que, aqueles em poder de um dos aparelhos conseguem enxergar os relógio das pessoas. Esse relógio indica quantos dias alguém ainda tem de vida e, para seu espanto, não existe ninguém dentro da quarentena que tenha um número maior do que sete. Independente das várias guinadas e mudanças que ocorrem durante a aventura, seu objetivo será essencialmente um só, e é esse o tema principal do jogo: Sobreviver.

E saiba que sobreviver é algo que vai muito além de se preocupar apenas com a própria vida. Para que tudo dê certo, você deve contar com outras pessoas que também estão presas na quarentena, aceitando pontos de vista diferentes e vendo que nenhum dos lados apresentados está absolutamente certo ou errado. Todas as suas ações têm peso; suas decisões podem tanto salvar uma vida quanto terminá-la precocemente. A maneira como você irá interagir com outros é o que decidirá quais caminhos e possibilidades estarão abertos quando chegar ao final do jogo. E, a todo instante, o tema da sobrevivência se fará presente. Não necessariamente mostrando pessoas lutando por suas vidas, mas mais por lembrar que a morte é uma constante.

Shin Megami Tensei: Devil Survivor

Entretanto, a beleza de Devil Survivor não está apenas em seu tema e a maneira de contá-lo. Ele também é dono de uma jogabilidade muito interessante, se um tanto limitada em alguns aspectos. Começando por sua maior limitação, a exploração é quase inexistente no jogo. Você pode visitar vários pontos dentro do mapa, mas há uma indicação clara para onde você deve seguir. Há pouco incentivo para que se vá aos locais onde eventos-chave da trama não acontecerão, já que raramente haverá qualquer coisa para ser encontrada. Na maioria das vezes há apenas uma breve descrição do lugar e nada mais. Isso é uma pena, pois você consegue sentir as mudanças que estão ocorrendo na cidade através dos sete dias durante os quais a aventura dura. É bem possível que, caso houvesse uma indicação visual da decadência que vem ocorrendo, o impacto fosse ainda mais forte. Por outro lado, isso garante que você jamais fique perdido e consiga ir direto ao elemento mais interessante do jogo, as lutas.

As batalhas são, sem dúvidas, o ponto alto de Devil Survivor. O sistema aqui é um misto de estratégia com os combates clássicos de RPGs orientais. Você começa ten controle de seus personagens em uma perspectiva isométrica. Uma vez que você encoste em um inimigo e escolha lutar com ele, a jogabilidade toma os contornos de um RPG clássico, como Dragon Quest. Nesse momento você pode escolher habilidades específica, como ataques físicos ou magias, tanto para seu personagem humano quanto para os outros dois demônios que o acompanham. Esse misto de duas jogabilidades diferentes pode parecer confuso inicialmente, mas funciona sem problemas. Nenhum dos dois aspectos, seja o estratégico ou o de combate, são diminuídos para favorecer o outro. Ambos tem papel de igual importância e usá-los com sabedoria é o que fará a diferença entre a derrota ou a vitória. Os únicos momentos nos quais senti que o equilíbrio entre os dois sistemas se desmanchava foi nas lutas contra os chefes.

Shin Megami Tensei: Devil Survivor

Quase todos eles têm uma habilidade que os faz recuperar uma grande quantidade de vida no final de um turno. Por causa disso, você é obrigado a causar uma quantidade de dano maior do que a recuperada, caso contrário estará apenas os curando – ou seja, não importa qual sua estratégia, ou você tem força para conseguir fazer isso ou não tem. O problema é que há uma discrepância grande entre o que é necessário para se vencer um luta qualquer e o que é necessário para se vencer um chefe; mesmo passando sem grandes dificuldades das lutas normais, foi necessário gastar algumas horas em outras lutas, apenas aumentando o nível dos personagens para que conseguisse ter alguma chance de vitória. Não tenho nada contra ter que matar alguns monstros a mais apenas para subir de level. O que incomoda nisso, como disse acima, é que senti que o elemento de estratégia nessas lutas é sobrepujado pelo elemento de RPG clássico. O que influi no resultado é a diferença entre se ter ou não força suficiente, e isso anula o elemento mais interessante do sistema de combate do jogo.

No fim das contas, independente da exploração limitada e da dificuldade inconsistente em alguns pontos, o que há de positivo em Shin Megami Tensei: Devil Survivor supera qualquer falha. Sua história é interessante e intrigante, seus personagens tem profundidade e são críveis e seu sistema de batalha faz com que você queira sempre tentar novas táticas. Além de contar com uma longa duração, o jogo oferece um incentivo enorme ao replay, fazendo-o querer revisitá-lo para tentar caminhos diferentes e alcançar novos finais. Tudo isso garante que Devil Survivor seja imperdível, especialmente para os fãs do gênero.

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