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Scott Pilgrim já se tornou um ícone da cultura pop moderna, isso é fato. As histórias em quadrinhos assinadas por Bryan Lee O’malley ganharam o mundo justamente por serem um clichê nada convencional, pois aqui temos uma história de amor contada da maneira mais bizarra e excêntrica possível. Como toda obra literária de sucesso, é claro que não podia faltar um filme – este que considero uma das melhores adaptações cinematográficas de quadrinhos já feitas, pois eles conseguiram transformar aquela maluquice toda em uma obra audiovisual, com gente de carne e osso, sem perder sua essência!

Seja nos quadrinhos ou nas telonas, você certamente conhece Scott Pilgrim. Também não demorou muito para esse pequeno mundinho de O’malley receber sua própria adaptação para os games, que foi desenvolvida pela Ubisoft (uma Ubisoft bem diferente dos dias atuais, diga-se de passagem) e lançada originalmente em 2010. Em 2014, o jogo acabou sendo retirado das lojas virtuais por algum problema com direitos autorias e só voltou agora em 2021, dessa vez para os consoles modernos e sob a alcunha Complete Edition.

De férias com os ex

Se você já leu ou assistiu Scott Pilgrim vs. The World e nunca jogou o jogo, a história é exatamente a mesma nessas três mídias. O game na verdade é uma adaptação da HQ e não do filme, mas no final daria na mesma. Se você viveu embaixo de uma pedra nos últimos 10 anos e não sabe do que se trata, aqui vai uma breve explicação: Scott se apaixona por uma moça chamada Ramona Flowers, mas para poder ficar com ela será necessário vencer todos os seus sete ex-namorados malvados. Quando eu digo vencer, é exatamente isso que você imaginou: sair na porrada com eles… isso é Scott Pilgrim.

Não dá para ter um minuto de paz neste jogo!

O jogo faz jus à obra original e é um beat ‘em up, então a porrada come solta do início ao fim. Absolutamente tudo neste jogo foi feito à moda antiga, então temos gráficos em pixel art (um pixel art lindíssimo e recheado de detalhes), toda uma estilização de jogos arcades e claro, a típica dificuldade daqueles títulos “rouba fichas”. Não espere um desafio justo neste jogo e esteja bem preparado para passar muita raiva.

A estrutura das fases é exatamente aquilo que já estamos cansados de saber: você só anda para a direita, sai batendo em todo mundo que aparecer na sua frente e no final enfrenta um chefe. Esse chefe sempre será algum dos ex-namorados de Ramona, mas daí você pensa: “Então o jogo só tem sete fases?”. Teoricamente sim, mas as fases são tão longas que parece que ele tem umas 50.

Esse fator somado à dificuldade dá a impressão de que ele é impossível de ser concluído, principalmente porque não tem como salvar seu progresso e continuar depois. Assim como nos arcades, você precisa continuar jogando o tempo que for preciso se quiser terminá-lo, pois se voltar para o menu ou fechar o jogo será o fim, terá que começar tudo do zero. O único progresso que ele mantém são os status do personagem como level, golpes desbloqueados etc.

MATTHEW PATEL!

Só para veteranos 

Ter que começar tudo de novo sempre que for jogar é uma tremenda sacanagem e com certeza é frustrante, mas por outro lado, é um modo do jogo te incentivar a continuar jogando. Além disso, o fato do progresso do seu personagem ser mantido também ajuda a não desanimar, pois em cada recomeço você estará ainda mais forte e preparado para os desafios que virão (isso se você jogar sempre com o mesmo personagem).

Cada personagem possui seu próprio estilo de combate com movimentos únicos, mas todos são muito balanceados e no geral não faz muita diferença quem você escolhe. Independente de quem seja, uma coisa é certa: o gameplay sempre será extremamente lento. Esse detalhe é um divisor de águas, pois enquanto algumas pessoas conseguem jogar numa boa, outras vão ter um treco e desistir nos primeiros cinco minutos.

As fases bônus são a melhor forma de fazer uma graninha.

O gameplay se assemelha a alguns beat ‘em ups muito antigos, como os primeiros Double Dragon do Nintendinho, por exemplo. Tanto os personagens quanto os inimigos são lentos para andar, para bater, para apanhar, para tudo! Assumo que em diversos momentos o jogo chega até a ser entediante de tão lento, mas esse é um detalhe totalmente ofuscado pelo multiplayer em co-op, que acaba carregando este título nas costas.

Como nos bons e velhos arcades, você pode se juntar com até três amigos para descer a porrada em geral e posso confirmar que o jogo fica mil vezes melhor. É muito nítido que ele foi feito para ser jogado com mais pessoas, pois tudo passa a ter um dinamismo diferente, você consegue parar de apanhar o tempo todo e tem uma chance de revidar. A boa notícia é que ele dispõe de multiplayer local e online, e quem não tem amigos para jogar não precisa ficar triste, pois é possível se juntar ao jogo de pessoas aleatórias no modo online.

Nunca consegui pagar essa dívida…

Essa versão ainda inclui os dois DLCs lançados para a anterior, que adicionam Knives Chau e Wallace Wells como personagens jogáveis e alguns minigames competitivos, porém de forma exclusivamente local. No geral o jogo tem bastante conteúdo e por último, mas não menos importante: tudo regado a uma excelente trilha musical composta pelo grupo Anamanaguchi, os reis do chiptune.

Scott Pilgrim vs. The World: The Game – Complete Edition é uma excelente adaptação da HQ e sem dúvidas faz muito bem aquilo que se propõe, mas definitivamente não é um jogo para todo mundo. O fato de não podermos salvar o progresso da história e o gameplay exageradamente lento tiram um pouco o brilho da obra, mas isso é fácil de resolver… desde que você tenha com quem jogar.

Imagem do texto de RKGK

Review – RKGK / Rakugaki

Marco AntônioMarco Antônio10/06/2024