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Apesar de já ter um quinto título de Rune Factory anunciado para o Nintendo Switch, a XSEED junto com a Marvelous decidiram trazer aos fãs o quarto jogo também. Lançado apenas para Nintendo 3DS em 2012, era de se esperar que o título estivesse dormente na sua época e não se adaptasse bem, correto? Não podia estar mais errado com Rune Factory 4 Special.

Com uma gameplay completamente adaptada, as empresas surpreendem e conseguem trazer um dos melhores títulos já lançados para o antigo portátil no console híbrido, com uma maestria sem igual. E ainda melhor, com a mesma magia que sempre está presente na franquia.

Liberdade é o elemento principal

Confesso, não joguei muito o antigo no 3DS. Tinha adquirido o portátil para jogar Pokémon, The Legend of Zelda: Ocarina of Time e Kingdom Hearts: Dream Drop Distance e mal dei bola. Nunca me arrependi tanto em relação a um game quanto de ter deixado este de lado. Ouso dizer que, mesmo após oito anos, ele é um título dos mais completos em questão de RPG que verá ainda nessa geração.

Liberdade é a palavra-chave aqui, com a XSEED permitindo que você, literalmente, faça o que desejar. Você quer enfrentar monstros e subir de nível? Vai lá. Cuidar da sua fazendinha? Numa boa. Pescar, criar suas próprias armas, medicamentos e comida, capturar monstros, se relacionar com as pessoas da cidade e ter uma extensa lista de habilidades no maior estilo Skyrim? Aqui você encontra também.

Me surpreendi bastante pelo misto de simplicidade e complexidade que eles oferecem, contanto que vá utilizar isso da melhor forma para progredir. A liberdade que citei acima assusta em Rune Factory 4 Special, porque ninguém te força a completar missões ou fazer algo relacionado à história principal. Óbvio que é lembrado disso, mas não está preso. O mundo está acabando, mas tudo bem, você pode passar um dia inteiro cuidando dos seus bichos e capturando mais, por exemplo.

Imagem do jogo Rune Factory 4 Special
Se quiser ficar parado admirando a paisagem, tá liberado.

Essa falta de pressão, combinada com a simpatia de todos os personagens, deixa Rune Factory 4 Special ainda mais atrativo. De início, assusta dizer que você acabará conhecendo e criando laços com todos da pequena cidade. Porém com algumas horinhas e completando algumas tarefas, logo você estará familiarizado com todos e saberá por onde eles andam. Vale citar também que você pode recrutar os moradores para ajudá-los nos combates.

Ou seja, conforme avança na sua própria saga, eles também passam a ganhar importância dentro do seu jogo. Isso é até comentado posteriormente. Se levar alguém em quests, eles passam a falar disso e torna a experiência ainda mais aprofundada. É encantador passar por algum personagem e ele perguntar quando que podem explorar novamente a dungeon X ou Y juntos. Lembrando também que quanto mais laços você tiver com o sexo oposto, chegando a um certo nível será liberado até casamento entre ambos.

Falando na sua história, aqui você encara o clássico da série Rune Factory. Herói sem memória, sem nenhuma pista sobre o seu passado que tem de recomeçar sua vida num ambiente que o acolhe. Aqui, temos o Dragão Ventuswill, um dos quatro guardiões dos elementos. Ele toma o protagonista como amigo, confundindo-o com o príncipe de um reino e pedindo uma série de coisas para que continue morando em seu castelo.

Imagem do jogo Rune Factory 4 Special
O herói cai desta nave sem memória alguma.

Conforme avança no enredo, novas áreas também são liberadas para exploração. Algumas através de novas habilidades que adquiriu, outras por ajuda de outros moradores da cidade que decidem ajudá-lo a progredir. Fiquei surpreso também com o nivelamento que o jogo propõe contra os inimigos. Sou chato com essa questão de grinding, se dá pra fazer eu já estou treinando. Cheguei por volta do lv.50, sabendo que ainda não estou nem na metade do game, e os inimigos ainda assim oferecem um bom desafio.

Tanto os oponentes comuns quanto os bosses de Rune Factory 4 Special exigem certas estratégias para derrotar. Às vezes são fracos contra algumas armas ou contra magias, outras vezes é apenas questão de você estar isolado e ter de chamar alguém pra auxiliar. Também dá para levar os monstros que captura, dando um leque ainda maior de possibilidades. No momento, por exemplo, estou com um lobo e uma tartaruga focados em ataque, enquanto na fazenda mantenho um pássaro que tem a habilidade de criar ventos que afastam os inimigos.

Imagem do jogo Rune Factory 4 Special
Meu time está preparado para a guerra.

O sistema que citei acima, de dias e horas, também permite uma ótima forma de realizar partidas rápidas. Sem entrar nos menus ou abrir diálogos, eles duram menos que meia-hora. Porém isso também dá abertura para os sedentos por mais ação ficarem jogando por horas enquanto evoluem tudo que estão conquistando. É viciante, então aconselho a pegar nele quando tiver bastante tempo livre. Uma partida nunca satisfaz.

Rune Factory 4 Special traz diferenças sutis

Com o transporte de versões, de 3DS para o Switch, o game teve de se adaptar por não possuir mais duas telas. Rune Factory 4 Special aproveita o touch do híbrido para realocar alguns botões e permitir que acesse rapidamente os menus e itens. Isso também pode ser feito através dos botões, então apenas é uma opção a mais. O mapa também foi adaptado ao lado esquerdo, podendo ser desligado caso te atrapalhe na visualização da tela.

Enquanto portátil, o título é excelente e sem defeitos. Porém quando você insere o console na dock, passa a perceber o quanto faltou uma bela duma polida no visual para os televisores. Os pixels ficam visíveis, a tela parece esticada e ali realmente me parece que estou vendo uma tela de 3DS estendida ao máximo. Graficamente fica bem difícil acompanhá-lo nessa forma, chegando até a cansar a vista.

Imagem do jogo Rune Factory 4 Special
Na telinha, o jogo está incrível. Já na TV…

No entanto, a trilha-sonora está maravilhosa. As vozes estão muito bem sincronizadas, as músicas continuam excelentes e até mesmo no som dos ataques dá para notar uma diferença conforme a arma que utiliza. Claro que alguns sons padrões se mantiveram similares ao 3DS, como o grunhido dos monstros e coisas do gênero. Porém até mesmo Pokémon nunca mexeu muito nesse fator e ninguém reclama, então não acho que seja algo que tenha muita importância.

A versão Special de Rune Factory 4 também trouxe algumas novidades. Há um novo modo, chamado Newlywed, no qual você viverá uma aventura inédita com seu esposo/esposa escolhido durante o jogo. Porém é uma história rápida e só fica acessível após você completar certos trechos do jogo, então nem precisa correr muito. Também há a adição do Another Episode, algumas cutscenes in-game e uma nova dificuldade para quem prefere enfrentar ameaças mais perigosas ou novos desafios.

Imagem do jogo Rune Factory 4 Special
O Newlywed Mode traz uma história com seu/sua cônjuge.

Não subestime Rune Factory 4 Special, já que ele é, de longe, um dos melhores títulos de RPG lançado na plataforma e eu, que até estava cético sobre jogá-lo novamente, me encontro viciado em viver um misto da vida pacata com os confrontos e exploração. Se o gameplay não te convencer, o carisma dos personagens e dos monstros irá, e não, meus amigos, não tem como fugir.

Para quem busca descansar um pouco da pressão de ficar completando várias tarefas na vida real e nos games, não há pedido melhor. Desde realizar algo apenas se desejar até enfrentar desafios que deixariam até os melhores jogadores refletindo sobre sua estratégia, ele é adequado para todos que curtem o gênero e precisam respirar um pouco antes de começar sua próxima aventura.

Imagem do texto de RKGK

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