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Se você leu minha coluna Rock Band vs Guitar Hero, sabe minha opinião sobre Guitar Hero. O game não é a única série de jogos musicais de rock no mercado. A Harmonix, criadora original de GH, depois de ser comprada pela MTV Games, deixou a série com a Activision e foi continuar em sua missão de criar o jogo de música definitivo. Para isso, criou a série Rock Band, onde acrescentou à fórmula de Guitar Hero outros instrumentos (bateria, vocal e baixo). Rock Band 3 é a terceira entrega numerada da série (houve também os jogos dedicados a bandas, como Green Day e Beatles). E a Harmonix mostra que realmente não desistirá de sua missão na Terra.

Rock Band 3 tem várias novidades em relação a Rock Band 2. A primeira (que, na verdade, já havia aparecido no ano passado em The Beatles: Rock Band) é o acréscimo de harmonias vocais. Ou seja, em vez de apenas um vocalista, existe a possibilidade de ter até três cantores ao mesmo tempo, com um sendo a voz solista e os outros dois fazendo os coros e harmonias. Agora, são as outras duas novidades que realmente saltam aos olhos. A mais chamativa é o novo instrumento… A Harmonix introduz na fórmula um teclado. Com o acréscimo de teclado e harmonias, agora uma banda pode ter até sete componentes jogando ao mesmo tempo (guitarra, baixo, bateria, teclado e três vocalistas). A segunda novidade é para o jogador experiente, que já domina a guitarra de cinco botões coloridos no modo Expert (ou qualquer um dos outros instrumentos) e deseja maiores desafios. A Harmonix introduz com Rock Band 3 o chamado modo Pro.

A grosso modo, podemos dizer que o modo Pro é o mais próximo que se pode chegar da música de verdade em um videogame. No teclado, em vez de um simulacro com cinco botões (que pode ser tocado também com os botões da guitarra), foi introduzido um teclado verdadeiro de 25 teclas (duas oitavas) que é reproduzido fielmente na tela (apesar de estar apenas parcialmente, o que causa que haja “saltos” de um setor a outro durante a música). Para bateria, foram introduzidos três pratos (que podem ser comprados separadamente, se você já tiver a bateria de Rock Band 2, ou em conjunto com o novo modelo de bateria), aumentando o número total de entradas de cinco para oito – incluindo aí, claro, o pedal de bumbo (existe também a possibilidade de se acrescentar um segundo pedal, que pode ser usado dentro do jogo para emular duplo bumbo – no drum freestyle, ele pode ser usado como um tom-tom).

E a guitarra é um caso completamente à parte. Em vez da já conhecida guitarra com cinco botões coloridos e uma barra que se move pra cima e pra baixo, para o modo Pro a Harmonix criou uma guitarra eletrônica que é uma réplica da Fender Mustang Pro, com seis cordas no corpo e um total de 102 botões no braço, emulando as localizações das seis cordas nos 17 trastos. A pista da guitarra também muda, com as cinco trilhas coloridas sendo substituídas pelas seis cordas, e os botões coloridos por números (que indicam qual o trasto que deve ser apertado para aquela corda) e linhas coloridas (que indicam o posicionamento dos dedos e as cordas que devem ser tocadas).

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Tanto o teclado como a Fender Mustang Pro são instrumentos de direito próprio, porque possuem saída MIDI. Ou seja, os felizes possuidores de uma interface MIDI no seu computador poderão usar esses novos instrumentos virtuais como instrumentos reais. Além disso, a Harmonix promete para o ano que vem uma Stratocaster Squier real para o jogo – e por “real” quero dizer que é uma guitarra de verdade, que pode ser ligada em um amplificador.

Vamos começar a análise pelas funcionalidades novas. As harmonias funcionam da mesma maneira que nos jogos dos Beatles e do Green Day, com todas as suas vantagens e defeitos. O principal problema, que persiste, é que não existe a possibilidade de um jogador que jogue sozinha assuma uma voz específica. Em outras palavras, se alguém quer tocar um instrumento e cantar ao mesmo tempo, mas se enrola com o solo e gostaria de apenas cantar os coros, não pode fazê-lo sob pena de falhar. Isso é porque o jogo assume que sempre existe o cantor solo, e as harmonias são meros acessórios para dar mais pontos. Isso tira realismo do jogo – e inexplicavelmente, porque seria fácil de implementar.

Alguém poderia dar como desculpa o fato de que isso faria com que essa pessoa, em várias músicas, só cantasse um “uuuh” aqui, um “aaah” acolá, o que seria aproveitar pouco o recurso. Mas seria realista – e foi exatamente o que a Harmonix fez com os teclados. De todo o setlist de Rock Band 3, pouco mais da metade das músicas têm pista de teclado, e muitas delas têm uma pista que está ali simplesmente para constar (como Need You Tonight, que em Pro Expert é literalmente o mesmo acorde de três teclas tocado uma vez a cada 15 segundos). Mas isso não é uma reclamação, muito pelo contrário, porque mostra o compromisso da Harmonix com o realismo – que, inexplicavelmente, se perdeu na parte dos vocais.

Já a parte Pro é algo à parte. O Gamerview não teve acesso ao kit de bateria Pro nem à Fender Mustang Pro para avaliar estas partes, mas teve acesso ao teclado. E pode garantir uma coisa: o modo Pro não é uma diversão sem compromisso. Para dominar o modo Pro em um instrumento sem ter um bom aprendizado anterior, mesmo aquela pessoa que domina completamente o modo não-Pro falhará. O modo Pro exige dedicação; exige que o jogador faça com atenção os tutoriais e treine as músicas antes de poder pensar em passar aos modos mais difíceis. Basta ver como é o tutorial de teclado, já que ele realmente ensina o posicionamento dos dedos e a maneira como o jogador deve tocar as sequências. Exemplo real: “comece esta sequência com o indicador, mas depois da segunda nota mova o polegar por debaixo dos outros dedos para tocar a terceira nota; as notas negras devem ser tocadas com o indicador, o médio e o anular”.

O principal problema do modo Pro é que ele não cobre o baixo. Sim, existe modo Pro para baixo, mas que se toca com as guitarras. A experiência é distinta, já que implica uma reescritura (existem baixos de seis ou mais cordas, mas o mais normal é o baixo de quatro cordas, que deveria ter a trilha adaptada para a guitarra de seis cordas) e uma postura distintas (a maneira de tocar guitarra – postura, dedilhado, feeling das cordas – é totalmente diferente da maneira de tocar baixo). Entende-se a postura da Harmonix, já que o baixo tem uma reputação de “instrumento para noobs” (que normalmente vem de noobs que não entendem o que significa o baixo em uma banda de rock) e um baixo Pro venderia muito pouco.

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O restante do jogo também passou por mudanças muito bem-vindas. Foi incorporado o “drop-in/drop-out” que existia no Guitar Hero. Agora, em qualquer modo, um jogador pode conectar um instrumento, ativar um menu para escolher um perfil que exista no console (no caso do Xbox 360 e do PS3), selecionar a dificuldade e começar a jogar – e também pode abandonar a música no meio caso deseje, sem prejuízo dos outros jogadores. Com isso, também foi implementado um sistema de pontuação diferente. Continua a pontuação da banda, mas o jogo mede ao mesmo tempo as pontuações individuais, que contam para os leaderboards como se o jogador estivesse jogando sozinho.

A lista de músicas, que agora cresceu enormemente (lembrando que a plataforma Rock Band agora tem mais de duas mil músicas diferentes disponíveis, entre as músicas importadas dos diferentes jogos, os DLC e a Rock Band Network), pode ser mostrada de diferentes maneiras e com diferentes filtros. Caso quisesse, seria possível mostrar apenas as músicas dos anos 90 que sejam curtas em duração e que tenham partes de teclado, tudo isso ordenado pela minha posição nos leaderboards para essas músicas. Existe a possibilidade também de fazer seu próprio setlist, usar um “party shuffle”, onde o jogo faz um grande set-list com todas as suas músicas em ordem aleatória, usar algum dos setlist pré-definidos pela Harmonix, ou mesmo verificar os setlists de seus amigos. Isso é possível graças à função de ligar seu jogo com o site da Harmonix, que guardará suas estatísticas e onde você poderá salvar e compartilhar seus setlists e personagens.

Outra função muito interessante é a recomendação de novas músicas. Se a função estiver ativada, a lista de músicas mostrará músicas novas disponíveis como DLC que você não tem, mas que se ajustam de alguma maneira a seu gosto musical. Da mesma maneira, se seu amigo salvar no site um setlist com uma música que você não tenha, ao vê-lo você terá diretamente desde o setlist a opção de comprar aquela música, sem ter que ir até a loja onine.

Você tem associado a seu perfil um personagem e uma banda (que na verdade é seu personagem; você pode se quiser definir stand-ins fixos para os outros instrumentos). Esse personagem/banda será usado no Quickplay local, bem como no modo história – que agora se chama Road Challenges. Os Road Challenges são uma sequência de shows (um “tour”, poderíamos dizer). Em cada um desses shows, você pode escolher entre três setlists com temas definidos (digamos, um de músicas curtas, um de músicas dos anos 90 e um de punk rock). Normalmente, o primeiro vem definido ou são músicas aleatórias, enquanto os outros dois estão abertos para que você escolha as músicas dentro do tema. Dentro desses shows, o jogador deve conseguir a melhor pontuação e, para conseguir um bônus melhor, deve cumprir objetivos específicos (ativar overdrive o maior número possível de vezes, manter sequências de notas perfeitas). Dependendo do desempenho, serão ativadas “mini-conquistas” internas do jogo, que darão mais fãs ao grupo e permitirão que ele salte de estágio (de banda de garagem para banda de abertura) e ganhe transportes novos (em vez de ir pro show de metrô, passam a ir com uma van, com um ônibus…) que abrem novos Road Challenges. As mini-conquistas podem ser obtidas mesmo no Quickplay (com exceção das conquistas por terminar os Rock Challenges, claro), então na prática o “modo história” engloba o jogo todo.

De resto, o jogo mantém o que Rock Band 2 tinha de bom e de ruim. Os gráficos melhoraram (apesar de agora a pista ser semi-transparente na parte de cima, o que piora a visualização das notas, especialmente em breakneck speed), mas as animações dos personagens continuam as mesmas (especialmente as muito chamativas guitarras que flutuam com o poder da mente, sem correia para segurar). O setlist continua eclético e muito satisfatório, ao contrário do setlist METAL VÉIO de Guitar Hero: Warriors of Rock, e a opção de importar as músicas das versões anteriores e usar todo o DLC já baixado possibilita que não se perca o investimento anterior – apesar das nove músicas que se perderam pelo caminho (de Rock Band, ficaram Dani California, Black Hole Sun, Hier Kommt Alex e Rock’n Roll Star – além das que já não haviam sido exportadas anteriormente para Rock Band 2; e neste game foram Let There Be Rock, Give It Away, Spoonman, Battery e Any Way You Want It). E a Harmonix mantém o respeito pela música, sem inventar notas onde não existem, como a franquia concorrente faz só para acrescentar “emoção” e dificuldade.

Resumindo: Rock Band 3 tem defeitos, claro. Mas, mesmo assim, é de longe o melhor jogo musical já feito – e que dá ao jogador o que ele deseja, seja qual for o seu nível. Caso ele já tenha os instrumentos, pode aproveitá-los e ter uma experiência como a anterior, só ligeiramente melhorada (e com 82 músicas novas). Caso queira fazer um investimento médio, pode partir para o teclado e experimentar o instrumento novo. E finalmente, pode investir seu tempo em aprender o modo Pro no seu instrumento de preferência. Para qualquer fã de jogos musicais, e mesmo de música, é uma compra obrigatória.

85 %


Prós:

🔺 Novo modo Pro
🔺 Experiência mais satisfatória
🔺 Novo sistema drop-in/drop-out
🔺 Notecharts decentes
🔺 Importação das músicas dos jogos anteriores

Contras:

🔻 Animações continuam esquisitas
🔻 Não há modo Pro para baixo
🔻 Harmonias continuam mal implementadas
🔻 Importação incompleta das músicas dos jogos anteriores

Ficha Técnica:

Lançamento: 26/10/10
Desenvolvedora: Harmonix, MTV Games
Distribuidora: Electronic Arts
Plataformas: PS3, Wii, Xbox 360
Testado no: PS3

Imagem do texto de RKGK

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