Reanimal tem chamado atenção desde seus primeiros anúncios e não é pra menos, afinal o game tem a assinatura da Tarsier Studios, autores dos renomados Little Nightmares 1 e 2. Após criar uma legião de fãs, não dá pra negar a empolgação e o hype que este jogo gerou. Finalmente chegou a hora de descobrir o resultado desta nova experiência e nos entregar a mais um universo sombrio.
Este é um jogo de aventura e terror que pode ser jogado sozinho ou em cooperativo e uma das grandes diferenças, se comparado aos pequenos pesadelos, é que aqui temos uma visão tridimensional, em vez daquela 2D. Só por isso, o clima tende a ser ainda mais hostil e perturbador. Mas o jogo é ainda mais brutal e profundo, então já adianto que vamos encontrar uma jornada que pede muita coragem e isso é maravilhoso, pois é tudo que os fãs queriam (eu me incluo nesta lista).

Um resgate mal planejado
Aqui jogamos com dois irmãos que, sabe-se lá o motivo, decidem partir em uma aventura para resgatar seus amigos desaparecidos. Com poucos recursos, pequenos e frágeis, a dupla explora o alto-mar até chegar a uma espécie de ilha. Neste local nada convidativo, fica nítido o inferno que os aguarda e, antes mesmo de resgatar alguém, a prioridade será encontrar formas de sobreviver.
Quanto mais se aprofundam neste lugar, mais segredos descobrem, mas será que isso vai garantir o reencontro com os amigos ou eles serão os próximos desaparecidos, ansiando por alguém que possa salvá-los? Isso é só uma pitada do que Reanimal promete causar, mas é você quem precisa descobrir. Resta saber se está disposto a encarar.

De cara dá pra notar que estamos diante de um sucessor espiritual da franquia que alçou a Tarsier Studios ao estrelato. É difícil não comparar com Little Nightmares, já que há muitas semelhanças (quase como aquela sensação de já ter visto isso antes). Mas não se engane: isso se deve principalmente à composição visual, que traz um mundo imenso e sombrio para crianças tão pequenas.
Honestamente, este é um dos maiores motivos que me deixam empolgado para jogar os títulos do estúdio. Eles realmente capricham em cada detalhe e sabem equilibrar um visual grotesco que, ainda assim, enche nossos olhos de beleza. O jogo é lindo e sua composição visual e sonora é viciante.
Já está claro que o visual impressiona, mas é com a trilha sonora que os arrepios estão garantidos (e não é só pelo medo, tá). Em todos os momentos a composição foi pensada para dar peso ao clima: o som das gotas de chuva, dos ventos, das pegadas macabras, das madeiras rangendo, um piano distante seguido de um tiro e, enfim, o silêncio avassalador. É como dizem: pure cinema.

Novamente o jogo bebe de inspirações que lembram um estilo visual à la Tim Burton: distorções de objetos e personagens, tamanhos exagerados, curvaturas e névoa tornam essa aventura um misto de contemplação e medo do que pode surgir a cada passo. Reanimal também é mais visceral, então há cenas que causam arrepios e outras que dão um nó no estômago, não apenas pela bizarrice, mas pelas mensagens abstratas e pelas situações em que os personagens são colocados. Sem dúvidas, é impressionante. Tudo isso mostra uma imensa maturidade na criação deste universo e também, liberdade criativa para explorar um novo terror. Nesse sentido, o acerto foi gigante.
Neste mundo sombrio, nossas crianças são indefesas, é verdade. Mas aqui elas não estão dispostas apenas a correr, se esconder ou fugir, como em Little Nightmares. Elas lutam para encontrar seus amigos e, principalmente, para se libertar deste pesadelo. É animador ver que o jogo conta com muitas mecânicas que, apesar de simples, proporcionam diversas interações e até combates um pouco mais elaborados.

Só fugir e se esconder não é uma opção em Reanimal
Em certo ponto, a dupla ganha itens como uma faca e um pé de cabra e, com eles, você pode esperar alguns combates contra diversas criaturas sombrias, além de utilizá-los para abrir portas, armários e lugares secretos. Quando estiverem a bordo do barquinho, também encontrarão arpões que ajudam nos combates no mar.
Já quanto aos chefões, não pense que será sempre através de puzzles que pedem para correr e acionar botões até eliminá-los. Ok, em alguns casos você vai ter que correr, mas há boas batalhas que exigem timing e golpes certeiros. Todos os encontros foram incríveis, mas devo dizer que, ao menos no início da jornada, sofri em alguns momentos porque uma das crianças controlada pela IA simplesmente não saía do lugar. Felizmente foram apenas duas ocorrências, e os Devs já anunciaram patch Day-one com correções, talvez isso não deva mais acontecer.

Apesar desses pequenos problemas, o restante da jogatina seguiu de maneira muito consistente. Testei o jogo no Switch 2 e, seja no portátil ou na TV, em modo qualidade ou desempenho, os gráficos são absurdamente lindos e a performance se manteve estável do início ao fim.
Outra surpresa é a presença de dublagem em português. Não é um jogo com muito falatório, mas o pouco que é dito traz um peso enorme para a narrativa e intensifica as sensações, seja pelo terror ou pela curiosidade de entender o que está acontecendo com essas crianças e por que estão nesse lugar horripilante.

Durante essa viagem macabra, as crianças passam por diversos cenários: galpões enferrujados, florestas obscuras, uma cidade decadente com direito a cinema e, sem grandes spoilers, até fases submersas. As áreas possuem momentos isolados, mas em alguns pontos retornamos a locais anteriores, mostrando que estamos em um grande mapa conectado. Em todas elas, o sentimento perturbador te acompanha. O melhor é que isso pode ser compartilhado com um amigo localmente, onde cada um controla um dos irmãos.
Compartilhando seus medos
Reanimal também permite cooperativo on-line: é possível entrar em uma partida ou hospedar e convidar alguém. Há ainda suporte a Gameshare, permitindo que o segundo jogador participe sem possuir o jogo. Seja qual for o modo, sozinho ou acompanhado, os sustos e o incômodo proposto vão agradar aos fãs da antiga franquia e aquecer os corações peludos de quem achou que a Tarsier nos deixaria órfãos, tal qual esses pequenos parecem ser.

O mundo está repleto de segredos. Há 18 máscaras para encontrar, uma mais tenebrosa que a outra, que podem ser equipadas. Também existem 20 cartazes espalhados pelo mapa, cada um desbloqueando artes conceituais. Além disso, há 5 curiosos caixões que libertam sombras ao serem abertos, reproduzindo cenas enigmáticas. Ecos do passado? Mas passado de quem?
São muitos itens que exigem olhar atento em meio à neblina. Nem sempre dá para explorar com calma, já que a ação (ou o medo) exige agilidade. Talvez isso seja proposital, um ótimo motivo para revisitar a campanha. E a dica é tentar abrir todos os caixões, pois isso libera um final secreto. Só não espere que ele torne a narrativa mais clara.

Por falar em narrativa, Reanimal é extremamente aberto a interpretações. Nada é explicado de forma direta, tudo é subjetivo. Pode ser pesadelo, seita, trauma ou metáfora psicológica e pode levar suas próprias experiências em consideração, quem sabe. O que importa é que esse mistério instiga a continuar se aprofundando, apesar de todo o terror.
Felizmente o jogo já tem planos de expansão com três DLCs futuros. Isso deve ampliar a duração da experiência principal, que gira em torno de 3 a 4 horas. A parte menos animadora é que o novo conteúdo será pago, disponível via versão deluxe ou season pass. Ainda assim, considerando a qualidade entregue, fica a expectativa positiva para o que virá nos amedrontar.

É realmente triste que o estúdio tenha deixado Little Nightmares, especialmente após vermos como isso impactou o terceiro título. Mas é inegável a felicidade que Reanimal proporciona. O jogo soa como um retorno triunfal do estúdio, mais maduro, ousado, com novidades e digno de um sucessor espiritual que certamente vai acalentar os fãs e recolocar o nome da Tarsier no destaque que merece. Reanimal é, enfim, animal.
Prós:
🔺Ambientação grotesca do jeito que a gente gosta
🔺Instigante do início ao fim
🔺Terror na medida certa
🔺Tem coletáveis que incentivam replay
🔺O coop local e on-line é muito bem vindo
Contras:
🔻Pequenos bugs ocorreram no Switch 2
🔻Campanha principal poderia durar mais
Ficha Técnica:
Lançamento: 13/02/2026
Desenvolvedora: Tarsier Studios
Distribuidora: THQ Nordic
Plataformas: Switch 2, PS5, Xbox Series, PC
Testado no: Switch 2


