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Não sei explicar qual é a química que rola entre o Nintendo Switch e jogos indies de puzzle, só sei que dá muito certo! Professor Lupo and his Horrible Pets é um daqueles jogos que você não dá nada – primeiro porque é difícil adivinhar do que ele se trata e segundo porque o nome do jogo é tão longo que dá até preguiça. Mas daí você corre atrás de informações a respeito do game e descobre que o estúdio por trás é o BeautiFun Games – aquele mesmo que criou Nihilumbra!

Quando o assunto é beleza e puzzles desafiadores, Nihilumbra é um título que pode (e deveria) ser usado como referência sempre, então não dá pra esperar menos de Professor Lupo and his Horrible Pets. Vamos descobrir se esses bichinhos são tão horríveis quanto prometem ser.

Jogo ou desenho?

Apesar de parecer, o Professor Lupo não é o nosso protagonista, mas podemos dizer que tudo que acontece neste jogo é culpa dele. No meio do espaço, a caminho da Terra em uma grande estação espacial chamada Aurora, Lupo está fazendo uma apresentação para pessoas muito poderosas, exibindo suas maiores descobertas da sua peregrinação espacial: dezenas de formas alienígenas, de várias formas e tamanhos diferentes.

Antes mesmo da apresentação acabar, todas as criaturas se tornam completamente agressivas de uma hora pra outra e, quase que ao mesmo tempo, a Aurora sofre um ataque de um inimigo não identificado. Com a estação em estado de emergência e todos os aliens vagando livres pela nave – sedentos por sangue, não podemos esquecer -, cabe ao nosso protagonista, o estagiário número 1 do professor (meio velho pra ser um estagiário, mas ok), escapar daquele inferno com vida.

É melhor ficar desse lado da porta mesmo…

O jogo possui cinco capítulos e dispõe de mais de 100 fases, é conteúdo pra caramba! Tudo bem que a maioria delas pode ser concluída em poucos minutos, mas considerando que a dificuldade é sempre crescente e que o jogo conta com itens opcionais a serem coletados para garantir o tão cobiçado 100%, as 12 horas prometidas pelos desenvolvedores é um eufemismo.

Enquanto você funde os neurônios tentando superar cada desafio, a narrativa do jogo não para e você se deparará com vários diálogos entre o professor e o estagiário (que é um personagem meio calado, mas também fala em alguns momentos) e com outros personagens que vão sendo revelados com o desenrolar da trama. Com toda certeza o melhor deles é a inteligência artificial que opera a estação espacial, sempre muito sarcástica e apresentando dados estatísticos do quão iminente é a sua morte. Clichê, porém não deixa de ser um ótimo alívio cômico.

Tudo isso vem acompanhado de uma arte incrível que quase não separa o jogo de um desenho animado. O traço dos personagens e dos cenários são incríveis, tudo remete a uma animação e as cutscenes são muito legais de se assistir. Alguns dos monstros mais fofinhos até lembram um pouco os alienígenas de Lilo & Stitch, então se dá pra comparar com alguma animação da Disney, não resta dúvida de que é algo de qualidade.

Mas que fofura!

É pra ver ou pra comer?

 

Cada fase tem um objetivo muito simples: ir de um ponto a outro no cenário conseguindo desviar de todos os aliens sanguinários que estão vagando ao redor. A variedade de criaturas é boa e cada uma oferece um desafio diferente, muitas vezes misturando mais de um tipo e fazendo você entrar em pânico. Qualquer movimento em falso te transforma em comida de alien.

O estagiário é propositalmente lento demais, o que é um dos fatores que tornam os puzzles ainda mais desafiadores. Grande parte das fases se resumem em abrir e fechar portas no momento certo e fazer trajetos calculando o tempo exato que seu personagem levará antes do alien mais próximo alcançá-lo. Parece simples, mas como dito anteriormente, a dificuldade é crescente e você já sente que o jogo é hardcore logo no primeiro capítulo.

Abrir a porta ou ser esmagado por aquela bola? Talvez ambos!

Podemos dizer que a dificuldade geral é bem acessível, caso a única preocupação do jogador seja avançar e terminar a história. O game não deixa de ser difícil, mas é algo que te dará bem menos dor de cabeça do que ao tentar coletar todos os hologramas espalhados pelo mapa.

É inacreditável em como qualquer coletável do jogo está localizado em um ponto que vai te obrigar a repensar uma estratégia completamente diferente do que a que seria usada normalmente para concluir a fase. A verdadeira dificuldade de Professor Lupo and his Horrible Pets está nisso e pode acreditar: se você tem aquele TOC que te faz detestar deixar qualquer item para trás, cedo ou tarde você vai enlouquecer (digo por experiência própria).

O jogo faz bom uso do touchscreen do Switch, podendo ser usado para abrir e fechar portas com um simples toque ou para indicar qual cédula o personagem deve se locomover. Para quem não curte sujar a tela do console com seus dedinhos engordurados, tudo também é funcional pelos botões, então tem opções que apetecem a todos.

Não gosto de spoilers, mas esse sistema de visão de calor ficou o máximo!

Caso a dificuldade seja demais para você, esse é um daqueles jogos que ajudam os necessitados. Basta morrer algumas vezes que o game praticamente te entrega a resposta do puzzle de bandeja, inclusive em alguns deles é usado uma função de visão de calor que mostra qual caminho o alien irá seguir, te dando uma chance de seguir o oposto previamente.

Eu particularmente não gosto de ser ajudado de nenhuma forma, então achei que deveriam ter implementado uma opção para o jogador escolher se quer ajuda ou não (do tipo “Ei! Você joga mal mesmo! Quer a resposta do puzzle? SIM ou NÃO”) ao invés de sair entregando tudo sem dó nem piedade. Porém, gostei bastante da criatividade da maneira como dão esses spoilers.

Professor Lupo and his Horrible Pets é mais do que aparenta ser. Apesar do seu único grande destaque ser o seu maravilhoso visual, o fato dele cumprir perfeitamente o que promete em ser um jogo de puzzle longo e desafiador merece o devido reconhecimento. É um título mais que recomendado para quem ama jogos de puzzle e alienígenas fofinhos que podem engolir sua cabeça em segundos.

Imagem do texto de RKGK

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