Skip to main content

Eu estou surpreso! Minha expectativa era alta com Prince of Persia: The Lost Crown, mas a combinação da franquia com Metroidvania e Soulslike deu muito mais do que certo. A Ubisoft Montpellier mandou bem demais nas escolhas para o visual, gameplay e história, que se desenrola no ritmo ideal apresentando novas personagens aos poucos e mantendo o jogador vidrado no combate e exploração, que instiga a curiosidade a todo momento.

Você é Sargon, um dos sete guerreiros chamados de Imortais, defensores da Pérsia. Em meio ao ataque dos Kushans, o jogador aprende os movimentos básicos e encara o general Uvishka como seu primeiro chefão. Ao derrotá-lo e salvar Persépolis junto dos outros guerreiros, Sargon é condecorado pela Rainha Thomyris e o Príncipe Ghassan com a faixa real – essa azul que fica presa na cintura do protagonista. Durante as comemorações, uma invasão ocorre no palácio e o príncipe é sequestrado. E lá vamos nós para uma missão de resgate em Monte Qaf, terra do Deus do Tempo Simurgh, que desapareceu há 30 anos.

Prince of Persia: The Lost Crown oferece duas formas de exploração: uma guiada, com bastante informações no mapa, e a outra sem qualquer ajuda, pra explorar por conta própria. Vai do seu gosto, mas dá pra trocar a qualquer momento caso se perder. A seguir você escolhe entre 4 dificuldades e uma extra pra personalizar. Escolhi a dificuldade Herói, o que me rendeu muitas surras ao enfrentar os inimigos mais fortes e os chefões.

Prince of Persia: The Lost Crown

Soulslike Metroidvania de altíssima qualidade

Quem acompanha o gênero Metroidvania sabe que a fusão com Soulslike ainda é rara. Entre os poucos jogos que fizeram isso temos Hollow Knight, Dead Cells e Blasphemous, dentre outros. Ou seja, além da exploração característica e com bastante backtracking (retroceder às áreas já exploradas), é preciso aprender os padrões dos inimigos para vencê-los – morrendo muito no processo, claro. Para dominar pontos do mapa você precisa interagir com as árvores Wak-Wak, que funcionam como checkpoints. E também encontrar uma garota chamada Fariba, que explora esse mundo como ninguém e te dá dicas valiosas.

A primeira coisa que me impressionou foi uma funcionalidade nunca vista antes no gênero, os Fragmentos de Memórias. Limitados, eles permitem capturar imagem de uma passagem ou tesouro temporariamente inacessível, ficando marcado no mapa no local onde fez o registro. Isso ajuda MUITO a lembrar o que ficou pra trás. A marcação com símbolos no mapa também está presente, para lembretes menos importantes. E para navegar pela vastidão do Monte Qaf, basta encontrar e usar as Estátuas Homa para realizar viagens rápidas. Mas não pense que elas estão próximas uma das outras.

Prince of Persia: The Lost Crown


Outro detalhe bacana é o refúgio, uma hub que reúne um empório, uma área de treino e uma forja, além da presença garantida de Fariba caso precisar de um direcionamento. A moeda principal do jogo são os Cristais do Tempo, mas você também encontra lingotes para usar na forja e moedas de Xerxes, para por exemplo comprar itens do sucateiro que habita as profundezas da cidadela. Essas lojas apresentam NPCs bastante interessantes e, inclusive, com missões secundárias para fazer. Missões estas que premiam com itens muito bons e valem o esforço. Há também outros NPCs espalhados pelo mapa, com histórias distintas que aprofundam a história de Prince of Persia: The Lost Crown.

Um Prince of Persia ágil e repleto de inovações

Além de tudo o que se espera de um bom Metroidvania, Prince of Persia: The Lost Crown introduz várias mecânicas inovadoras ao seu gameplay. Uma delas é a Sombra de Simurgh, que permite cristalizar sua posição atual e ação e retornar à ela quando quiser, abrindo um leque imenso de possibilidades tanto em combate quanto na exploração e quebra-cabeças. A Clarividência é outra mecânica incrível, uma habilidade que permite ver/materializar inimigos intangíveis e elementos de outra dimensão para usar como plataforma. Sargon também pode usar sua arma de arremesso (Chakram) para ativar dispositivos fora do alcance. E tem mais, muito mais… Sinos que alteram dimensões, escadas e plataformas que reagem ao seu movimento, e por aí vai.

Prince of Persia: The Lost Crown


No combate, as possibilidades de combos é muito vasta. Seja no chão ou no ar, você pode conectar combos com dash, flechadas e poderes do Brilho de Athra (disparados com barra cheia), bem como arremessar o inimigo pra cima, bater de cima pra baixo, carregar ataque pra quebrar a defesa do inimigo, escorregar por baixo e dar um golpe pelas costas, etc. Sargon dispõe de amuletos (encontrados e comprados) que conferem melhorias, sendo que alguns deles expandem ainda mais as possibilidades no combate. Quanto ao parry, ao se defender com sucesso de um ataque inimigo com brilho amarelo rola uma animação caprichada de finalização. Enfim, quanto mais você joga, melhor fica no combate.

O mapa é gigantesco e oferece vários biomas diferentes, todos ambientados no Egito Antigo mas com muitas licenças poéticas, como As Profundezas: catacumbas obscuras repletas de criaturas asquerosas e ambientação que lembra o estilo do artista H. R. Giger (Alien). Na exploração encontramos itens importantes de missão, colecionáveis, roupas novas para Sargon, e muitas inscrições, objetos e jarros de areia que revelam mais da lore. Mas, para mim, o melhor do mapa são as áreas com puzzles: um mais criativo e desafiador que o outro.

Prince of Persia: The Lost Crown


Há também uma grande variedade de inimigos, alguns bem resistentes e que podem te matar num piscar de olhos. Tem até fantasma que possui o seu corpo e te deixa com uma única barra de vida, enquanto não alcançar a árvore mais próxima para se recuperar. Mas o melhor de tudo são os sub-chefes e chefões, que apresentam etapas diferentes e garantem um ótimo desafio.

Prince of Persia: The Lost Crown é simplesmente maravilhoso! Um jogo repleto de ideias originais e com o gameplay mais divertido e completo que tive o prazer de experimentar nos últimos tempos em um game 2.5D. Seu estilo visual combina demais com tudo e, embora simples em vários aspectos, renderia fácil um longa-metragem no estilo do Aranhaverso. A equipe da Ubisoft Montpellier está de parabéns! Abriram o ano de 2024 com um clássico instantâneo.

100%


Prós:

🔺 Novidades fresquinhas para o gênero Metroidvania
🔺 O estilo visual combina muito com a proposta
🔺 História bem construída, que entrega ótimos diálogos
🔺 Gameplay super ágil, com inúmeras possibilidades
🔺 Segredos a perder de vista e muito bem escondidos
🔺 Jogatina garantida por mais de 20 horas
🔺 Trilha sonora boa demais

Contras:

🔻 As estátuas de viagem rápida ficam muito distantes no mapa
🔻 Alguns desafios são brutalmente difíceis

Ficha Técnica:

Lançamento: 18/01/24
Desenvolvedora: Ubisoft Montpellier
Distribuidora: Ubisoft
Plataformas: PS4, PS5, PC, Xbox Series, Xbox One, Switch
Testado no: PS5

Review – Ruff Ghanor

Rafael NeryRafael Nery27/02/2024

Review – Penny’s Big Breakaway

Renato Moura Jr.Renato Moura Jr.27/02/2024