Skip to main content

Sem sombra de dúvidas, este é o review mais difícil que já escrevi. Panzer Dragoon: Remake traz consigo uma legião de fãs bem fiéis desde seu lançamento original, no Sega Saturn em 1995. Com um nome a se zelar, com o aval da Nintendo e da SEGA e há tanto tempo sem aparecer no mundo dos games, 18 anos para ser mais exato, ele teria tudo para dar certo, não é?

Porém é com um grande pesar que digo que o jogo, além de não dar certo, não faz jus a nenhum dos itens citados acima. O título, produzido pela Forever Entertainment S.A., passou longe do esperado. Como rail shooter, inclusive, ele seria excelente se fosse visto como o mesmo game dos anos 90, ousando dizer que até Crimson Dragon de 2013 fez um trabalho mais digno dentro do gênero.

Panzer Dragoon desaponta

A história é simples e não traz novidades do que já tinha saído no passado. No papel do caçador Keil Fluge, você se depara com o confronto entre Solo Wing, um dragão azul e o Dark Dragon. O piloto do primeiro se feriu mortalmente, delegando a tarefa de impedir que o dragão sombrio chegasse até uma plataforma marinha e ativasse o dispositivo para se transformar numa ameaça grande demais para todos.

Ao todo, mantendo a mesma simplicidade do antigo, Panzer Dragoon: Remake carrega sete fases consigo que podem ser finalizadas em menos de duas horas. Se você morrer em alguns trechos, pode chegar a passar disso, mas não irá tão longe. Aí está a minha primeira reclamação sobre o título. Você paga R$90, preço atual dele na eShop brasileira, por um game que tem o tempo de duração mediano de um filme. Sei que os cinemas estão chegando quase lá, mas não é para tanto.

Imagem do review de Panzer Dragoon: Remake
São seis fases, mais o último episódio com a batalha final.

Empresas como a Activision, sabendo como os jogos antigos eram relativamente curtos em comparação aos atuais, fizeram Crash Bandicoot N’Sane Trilogy, com mais jogos contidos no pacote. Ao invés de você pagar um só, compra três e aproveita toda a seleção. A Capcom fez o mesmo com Mega Man, que apesar de não ter saltos gráficos, traz uma boa extensão de seu conteúdo para que compense o investimento. Claro que não vou citar Resident Evil 2 ou o terceiro que chegará em abril, que apesar de serem um pouco mais extensos que os originais, não se comparam ao caso.

Porém, já que eu citei a questão gráfica, Panzer Dragoon: Remake não fica para trás dos títulos mais belos… do PS2. Sabemos que visual não é tudo, muitas empresas indies fazem verdadeiras obras de arte com pixel art, mas neste você tem a completa certeza de que está jogando na geração errada. É complicado assumir isso quando vemos jogos da época, de Nintendo DS, Game Boy e outros de forma tão bela no Nintendo Switch e este, que devia saltar aos olhos, não foi feito na mesma intenção.

Imagem do review de Panzer Dragoon: Remake
Visualmente ele não é lá essas coisas.

Um bom exemplo disso que queria falar é de quando joguei Halo: The Master Chief Collection no Xbox One. Com o salto gráfico, tudo estava mais belo e alguns ícones, que nas antigas gerações eram tão fáceis de identificar, se tornaram mais complicados de identificar. Aqui o salto gráfico não tem a mesma proporção, mas senti o mesmo. Tem momentos que você não saberá se certos elementos são inimigos vindo ou se são parte do cenário. E, ao contrário, tem horas que você jura que será acertado, mas aquilo era apenas um efeito visual da tela.

Infelizmente, não para por aí

Eu realmente queria dizer que duração e gráficos são os maiores problemas do game, mas não são. Existe o fator jogabilidade que pega tudo isso e, num complexo de competitividade, decide superar ambos. Sem papas na língua, eu afirmo que nada dela funciona direito. A mira é um desastre, com quadrados dimensionais que fazem você ficar confuso onde realmente está marcado para atirar, e a movimentação é muitas vezes falha e não te ajuda na hora que mais precisa.

O trecho onde isso é mais gritante é na quarta fase, quando você está invadindo a base inimiga. Com uma velocidade muito acima da trabalhada anteriormente, o resultado é apenas um: o caos. Inimigos que aparecem e somem em menos de um segundo, você com a mira mais perdida que ar puro em época de coronavírus, o dragão acelerado, ondas de ataques de onde mal consegue ver por causa do problema gráfico citado acima; terrível.

Imagem do review de Panzer Dragoon: Remake
Nos chefões, os maiores problemas do jogo são intensificados.

Porém é no chefão que isso se torna completamente insustentável. Perdão pelo spoiler, mas acredito que não vão dar uma chance a Panzer Dragoon: Remake de qualquer forma. Ele é um dragão também, com apenas três partes do corpo podendo ser acertadas. Ele fica para lá e para cá, sem você poder desviar direito, e tentando acertá-lo com a mira problemática, sem muito sucesso e com apenas um dos dois golpes que você terá durante o jogo todo.

Devia ter deixado apenas na memória

Não me entenda errado, caro leitor, é óbvio que esse jogo na época do Sega Saturn devia ser o máximo. Admito que fiquei hypado, já que um clássico ser revisitado é de extrema importância no mundo dos jogos. Diga-se de passagem, todo o movimento que Final Fantasy VII está causando. Mas recriar ele, de forma exata, como era antigamente, foi completamente para outro lado.

Imagem do review de Panzer Dragoon: Remake
Recriar o passado com exatidão foi um erro.

Podiam ter implementado o controle giroscópico do Nintendo Switch, ou até mesmo uma visão 360º para lidar melhor com a câmera por exemplo. Não é possível olhar para os lados ou para trás sem apertar os botões L e R. Lá em cima, eu citei que ele tem gráficos de PS2, porém a jogabilidade nem isso posso dizer, já que seria um tremendo insulto a jogos atemporais que até hoje encantam a todos nós.

Por fim, pode até parecer perseguição minha, mas inclusive o som de Panzer Dragoon: Remake parece estar com algum problema. A trilha não se encaixa corretamente com os barulhos da fase e isso soa fora do lugar. Além disso, as telas de loading são estranhamente demoradas para trechos que não levam nem 20 minutos para serem completados. Considerando que o jogo toma 7GB do aparelho, que já tem um bom processamento, é completamente incompreensível.

Imagem do review de Panzer Dragoon: Remake
O jogo também tem um modo foto, pena que não é muito funcional.

Mesmo com tudo isso, o jogo funciona, a história é contada da mesma forma, há alguns inimigos e situações que te desafiam, mas por todos os erros apresentados, eu não indicaria para ninguém. Inevitavelmente, caso você seja corajoso e decida jogar, chegará ao final e terá a mesma sensação ruim que tive. Fico triste, pois tinha um potencial imenso de trazer a franquia de volta e agora temo pela continuação, que será feita pela mesma empresa.

Juro para vocês que eu adoraria que este texto fosse diferente, mas infelizmente não é possível. Até mesmo o modo foto, que podia ser um bom atrativo, tem pouquíssimas opções e a maioria delas deixa o visual horrível. Confesso que há jogos onde temos de repensar para poder citar os erros, mas nesse caso, tento repensar os acertos e não consigo ver nenhum. Minto, ao menos pela nostalgia de poder rejogar Panzer Dragoon na atual geração. Fora isso, passe longe.

Imagem do texto de RKGK

Review – RKGK / Rakugaki

Marco AntônioMarco Antônio10/06/2024

Review – Blockbuster Inc.

Paulo AlmeidaPaulo Almeida04/06/2024