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Por 12 anos, Travis tem se mantido longe de problemas em sua linha principal de jogos. Voltando agora em No more Heroes 3, Travis irá enfrentar seus inimigos mais poderosos e os fãs irão entrar com tudo no “Jardim da Insanidade” que floresce de dentro da mente de Goichi Suda.

Sem dúvida alguma No More Heroes 3 é o mais divertido jogo da franquia até agora, além de ser o mais fluído e elaborado. Ao mesmo tempo, ele consegue pegar todo o universo de jogos de SUDA 51 e misturá-los de uma maneira tão inovadora que o cérebro dos jogadores virarão geleia de morango e uva em um cheesecake.

HELL YEAH!

Com um início de narrativa bem diferente dos outros dois jogos, No More Heroes 3 abre com a história tocante de uma criança e seu amigo alienígena. Digno de uma versão 2.0 de E.T de Steven Spielberg, o alienígena consegue escapar, mas acaba retornando anos depois, diferente do clássico do cinema.

No More Heroes 3
A abertura estilo LET IT DIE é de encher qualquer fã de orgulho

FU, como é chamado pelo jovem Damon Ricitiello, retorna anos depois para a Terra, e desta vez não é para viver novas aventuras com seu antigo amigo, mas sim para conquistá-la. Como ele mesmo diz, FU, que na realidade se chama Jess Baptiste VI, é um príncipe e o líder da Corporação Galáctica de Super Heróis.

Junto de sua equipe de outros 10 poderosos alienígenas, ele deseja conquistar a Terra eliminando todos aqueles que considera seus inimigos, além de tirar uma folga de suas conquistas. Mas dominar o mundo não será tão fácil quanto imagina, pois na mesma cidade de Damon há uma terrível ameaça: um otaku.

Santa Destroy é a casa do assassino número 1 do planeta, que mesmo tendo armas e equipamentos de última geração, mora de aluguel em um hotel todo ferrado e caindo aos pedaços. Seu nome é Travis Touchdown, um maníaco que vive vendo animes, jogando videogames e vendo pornô de um gênero bem específico.

No More Heroes 3
Se alimente e aprimore seus itens para aumentar seu status

Batalha de titãs

Travis está se recuperando, usando um colar cervical, quando os alienígenas da Corporação começam a atacar sua casa. Junto de Shinobu e Bad Girl, ele rapidamente se livra dos invasores e parte em direção da nave de FU em sua armadura de combate. Tudo começa uma vez mais para Travis.

Chegando ao local e lutando com um dos assassinos da Corporação, Travis se vê diante do desafio de impedir FU de dominar o planeta. Para isso, Sylvia (que está trabalhando como secretária de Damon) diz a Travis que será necessário ingressar no ranking de batalhas intergalácticas, que curiosamente funcionam semelhante às da Terra.

Travis irá embarcar em uma aventura que cruza o espaço-tempo contínuo e deixará o jogador sedento por muito mais do que ao final de No More Heroes 2: Desperate Struggle. Para os fãs da franquia, o game é obrigatório. Para outros, pode ser difícil aproveitar a experiência devido ao nível de suas maluquices.

No More Heroes 3
Limpe sempre os vasos, pois agora são como torres de Assassin’s Creed

No More Heroes 3 continua seguindo ideias implementadas em Travis Strikes Again, onde SUDA 51 começou a unir seus universos. Na realidade, Damon já havia aparecido neste mesmo game, que introduziu personagens de outros jogos de SUDA na mistura, como Silver Case e The 25th Ward: The Silver Case, Killer is Dead, LET IT DIE e Shadow of the Damned, o que pode confundir aqueles que não conhecem esses personagens recorrentes.

Botando para quebrar e melhorar

Desta vez, a aventura de Travis é no mundo aberto e o pagamento para as batalhas mudaram. Não precisa mais ficar fazendo trabalhos a fio sem parar, a não ser que queira. Travis deve reunir pequenas moedas que são ganhas após completar desafios espalhados pelo mapa de Santa Destroy.

Agora transformada em um arquipélago no formato do logotipo do game, uma estrela estilhaçada com uma rosa ao centro, Santa Destroy está ainda maior e mais semelhante a algo saído de um sonho febril. Seus habitantes se vestem como membros de algum bizarro Esquadrão da Moda e carros futuristas circulam pelas ruas.

No More Heroes 3
FU não está mais de brincadeira

As batalhas de hordas e trabalhos continuam pela cidade, garantindo sucatas e dinheiro para Travis. Sucatas que podem ser vendidas ou utilizadas para criar melhorias para a Death Glove, que retorna em No More Heroes 3. Ela garante quatro poderosos ataques, que são Death Kick, Death Slow, Death Rain e Death Force.

Unida à Blood Berry e a Full Armor Mode, Travis nunca esteve tão equipado assim antes – e ele vai precisar! Os assassinos de FU são, de longe, os mais poderosos inimigos que Travis já enfrentou. Fora os outros que surgem durante sua aventura, como Destroyman Trueface e o misterioso Native Dancer.

O lindo canto das baleias

No More Heroes 3 não é apenas mais divertido e recheado de conteúdo em comparação aos jogos anteriores, mas é também o mais bonito e prazeroso de ouvir, com uma trilha sonora fenomenal. Em termos gráficos, o game roda tranquilo em qualquer plataforma, mesmo em PCs menos potentes. Meu notebook guerreiro sofreu alguns crashes, mas nada que não tenha me impedido de fechar a aventura.

No More Heroes 3
Os segmentos retro do jogo, referenciando outras obras, são demais

A Deathglove agora é um par de joy-cons de Switch que ficam nas mãos de Travis e o permite acessar sua forma especial, tipo um Full Armor Mode. E a moto agora é uma Demzamtiger semelhante àquela que Kaneda usa em Akira, com Travis deslizando todo estiloso igual no filme de animação.

Para manter a sua identidade, No More Heroes 3 traz aquela sujeira e estilo arcaico de sua fórmula. O visual de apresentação, por exemplo, presta homenagem à LET IT DIE e sua decadência bíblica e antigos filmes. Um equilíbrio perfeito entre passarela e lixão.

Como de praxe, a trilha sonora segue excelente. Desta vez o responsável é Nobuaki Kaneko, da banda Rize e também fundador de uma das bandas que mais tenho ouvido recentemente, Red Orca. Mas, na minha opinião, a trilha de Travis Strikes Again segue imbatível até o momento.

No More Heroes 3
Chefões intergalácticos épicos em batalhas épicas!

No More Heroes 3 é um excelente retorno à fórmula de aventuras de Travis, que implementa todo um novo sistema de mecânicas para entregar um jogo mais divertido e prazeroso de explorar. Uma história intrigante e humorada, com alienígenas, assassinos, ninjas, robôs e um otaku que pode ser a chave para a salvação do planeta. Do jeitinho que a gente gosta!