Ninja Gaiden, uma franquia que fez sua fama com a dificuldade elevada nos tempos do Nintendinho, evoluiu até chegar nos jogos 3D, saindo do gênero de plataforma e entrando com força no hack and slash. O último (re)lançamento, Ninja Gaiden 2 Black, é um excelente exemplo. Agora quem imaginava que a franquia voltaria às raizes nos tempos de hoje? É o que Ninja Gaiden: Ragebound faz com maestria, pra aquecer o coração dos fãs nostálgicos e apresentar tal estética para a atual geração.
E este não é um game 2D qualquer: Ragebound foi produzido pela The Game Kitchen, a mesma desenvolvedora de Blasphemous. Ou seja, temos aqui um pixel art primoroso e uma jogabilidade responsiva e ágil. Na trama, o jogador assume o kimono de Kenji Mozu, um aluno de Ryu Hayabusa. Durante uma invasão demoníaca, Ryu sai em sua jornada para honrar o desejo do pai, falecido em combate, e levar a Espada do Dragão do Clã Hayabusa para a América. Em sua ausência, as habilidades de Kenji são colocadas à prova.

Antes só do que mal acompanhado?
No início, você passa por um rápido treinamento com Ryu e aprende o básico de um jogo de plataforma, junto da hipercarga (golpe carregado de espada) e do impulso guilhotina (mecânica de parry com pulo, semelhante à Cuphead), usado para alcançar plataformas mais altas e também impedir dano. Assim como no jogo clássico, você toma dano ao encostar nos inimigos. E isso é uma frequente caso não afiar rápido os seus reflexos.
Felizmente o jogo deixa a dificuldade injusta do passado de lado, incluindo checkpoints que recuperam vida e talismãs que conferem vantagens passivas, como recuperar vida ao derrotar uma sequência de inimigos. Tais talismãs você compra na loja do Muramasa, entre uma fase e outra, gastando besouros dourados coletados. Mesmo que não houvessem todas essas ajudas, dá pra afirmar que Ninja Gaiden: Ragebound é o jogo mais fácil de toda a franquia.

Algumas fases depois, o caminho de Kenji se cruza com Kumori, uma ninja do clã Aranha Negra. Embora sejam adversários, os dois decidem se juntar na luta contra a invasão demoníaca e impedir que todos os portais infernais se abram. A jogabilidade é então ampliada para as habilidades de Kumori, que inclui a habilidade de transitar pelo mundo paralelo e abrir passagens ou pegar um item importante. Com ela também é desbloqueado o uso de kunais e as Artes Secretas: a Arma Aranha e a Arte Ragebound.
Derrotando os inimigos, você coleta orbes que enchem uma segunda barra exclusiva para as habilidades de Kumori. As kunais consome essa barra, embora dê pra usar muitas vezes antes de esvaziar. Com esta mesma barra você ativa a Arma Aranha, dentre muitas opções equipáveis. E ao matar inimigos com hipercarga de aura azul ou vermelha, você obtem as orbes rage. É com elas que você dispara a Arte Ragebound, a habilidade especial que você também escolhe dentre várias opções.

O equilíbrio de Ninja Gaiden: Ragebound
A dupla funciona como uma única entidade, já que Kumori o acompanha em sua forma astral. De início, eles não se dão bem e vivem se provocando. Mas como os eventos os levaram à essa improvável união, só resta tolerar. Mas aos poucos eles passam a se entender e entregam diálogos muito divertidos durante a aventura. Tudo com uma ótima tradução PT-BR. Aliás, a história é simples como tem que ser, nos moldes dos jogos dos anos 80 e 90.
Agora o mais importante de tudo: Ninja Gaiden: Ragebound foi concebido para não te tirar do sério. É um jogo prazeroso do começo ao fim, com desafios muito equilibrados. Diria que a maior dificuldade encontra-se nos chefes, todos muito criativos, com ataques que mudam ao longo da batalha e cada um com suas manhas pra vencer. É neles que você irá empacar por um tempo, e não durante as fases.

O visual do jogo é belíssimo, com animações detalhadas mas que respeitam a barreira técnica dos jogos 16-bit, como eram nos tempos de Mega Drive e Super Nintendo. Apenas a excelente trilha sonora transcende esse aspecto, em termos de qualidade. Minha única crítica, justamente por não ser um metroidvania, fica para as telas serem bloqueadas após você ir de uma área a outra. Várias vezes vi um item colecionável mas, no impulso, fui pra tela seguinte e não consegui voltar. Felizmente o jogo incentiva o replay com os desafios de cada fase, embora alguns deles sejam bem difíceis como não tomar dano do chefão.
A aventura principal possui 4 atos dura umas 6 horas. Com as missões sencudárias e os desafios de cada fase, dá tranquilo pra estender a jogatina para mais horas de duração, caso for um completista. Só os jogadores mais habilidosos conseguirão rank S nas fases. Ninja Gaiden: Ragebound é um jogaço e, o melhor de tudo, é um game barato principalmente se for comprar pra PC. Que venham mais jogos da franquia nesse estilo.
Prós:
🔺Pixel art que dá gosto
🔺Gameplay divertido, fácil de dominar
🔺Grande variedade de inimigos e chefes
🔺Os talismãs equilibram a dificuldade
🔺Trilha sonora boa demais
🔺Tradução PT-BR feita no capricho
Contras:
🔻Alguns repetecos de chefões
🔻Softlock proposital para forçar replay
Ficha Técnica:
Lançamento: 31/07/2025
Desenvolvedora: The Game Kitchen
Distribuidora: Dotemu, Joystick
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series, Switch
Testado no: PC


