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Em 1996, a Game Freak e a Nintendo deram uma voadora de duas pernas com Pokémon, um RPG que abriu uma nova vertente de captura de monstros e segue até hoje. Tivemos vários games assim ao longo destes 24 anos, entre Digimon, Monster Rancher, o primeiro Ni no Kuni até os mais recentes Monster Viator e TemTem. No meio dessa longa jornada, em 2017, Nexomon surgiu e conquistou uma boa base de fãs no mobile. Três anos depois, finalmente veio a primeira sequência, chamada de Nexomon: Extinction.

Pela primeira vez nos consoles de mesa e retornando aos PCs, a franquia agora está aberta para um novo público e fizeram isso de uma forma maravilhosa. É impossível não comparar qualquer um dos títulos do gênero com a franquia dos monstros de bolso, porém o acerto da Vewo Interactive e da PQube foi tamanho que é certo afirmar que ele é uma das melhores alternativas lançadas até o momento e com a sua própria essência por toda a sua jornada.

Pura diversão

Nexomon: Extinction parece que saiu diretamente da geração Nintendo DS, com você enxergando a tela de cima no RPG enquanto pode caminhar apenas para quatro direções. São mais de 300 criaturas para você capturar e montar uma estratégia baseada nos vários tipos diferentes. Vou começar dizendo que, apesar de seguir o mesmo padrão do seu maior concorrente, as semelhanças param por aí.

Sendo sincero, os desenvolvedores sabem exatamente que estão seguindo uma norma que foi ditada por outra franquia e não poupam esforços para zoar e questionar os vários sistemas qual está incluso. Enquanto explicam as regras em específico, tudo é colocado em cheque e te faz pensar na razão de sempre seguir aquilo e nunca ter diferenças. Carregar seis monstros de cada vez? Andar em quatro direções apenas? Como os monstros vão parar naquele famoso depósito online? Precisa mesmo batalhar com todos que encontra em seu caminho?

Imagem do review de Nexomon: Extinction
Aqui até as batalhas contra treinadores tem uma razão.

E não satisfeitos com isso, eles também criticam várias decisões gerais dos RPGs. Confesso que me surpreendi muito positivamente quando vi um dos personagens perguntando o porquê de crianças indefesas serem deixadas isoladas explorando cavernas e florestas perigosas. Ou de ver coisas perigosas rolando na tela e os próprios personagens sabendo que aquilo não devia estar acontecendo daquela forma. Inclusive há, diversas vezes, a quebra da quarta parede onde reconhecem que aquilo é um jogo e estão rodando na sua plataforma.

É sábia a decisão da produção de que, se não dá para vencer seus adversários, vamos ao menos tomar outro caminho e tornar a experiência mais divertida. E nesse ponto, foi um acerto que, de longe, me fez estar apaixonado por Nexomon: Extinction nos primeiros minutos. Confesso que já joguei a primeira versão mobile anteriormente, que inclusive tem uma edição gratuita, mas não senti metade da hype que estou durante o segundo por esse pequeno detalhe.

Imagem do review de Nexomon: Extinction
A quebra da quarta parede é frequente e divertidíssima.

Também há um fator de personalização que deixa tudo ainda mais leve. Você tem alguns sprites de treinadores que pode alterar a qualquer momento da campanha, podendo começar um rapaz e trocar para uma garota depois. Além disso, tem armaduras e roupas estilosas e o que mais achar em sua frente e pode alterar até o seu nome no meio disso. Alguns tesouros também desbloqueiam parcerias dos monstrinhos para andar com você no decorrer da gameplay.

Mergulhando em Nexomon: Extinction

Outro ponto forte é a imersão na história que Nexomon: Extinction oferece. Ele se passa muitos anos após os acontecimentos do primeiro título e explica tudo logo de cara. Existe uma guerra entre os Nexomon desde tempos imemoriáveis, para decidirem qual será o rei dos monstros. Alguns até dizem que ela vai durar ainda depois da extinção da humanidade. Criaturas chamadas Tyrant, que tem um poder superior, começaram a surgir e geraram um desequilíbrio nisso.

Para completar, humanos com desejos sombrios se uniram aos Tyrant e cabe à Guilda dos Treinadores dar um jeito nisso. É aí que você entra, um jovem treinador começando sua jornada agora e que está no cargo mais baixo de lá. Se isso já não bastasse, uma série de imprevistos acontecem durante a aventura e mostram que há uma ligação ainda maior entre o seu personagem e toda essa trama.

Imagem do review de Nexomon: Extinction
Os Tyrant são seres perigosos que ameaçam os Nexomon.

Os combates não são tão aleatórios quanto costumam jogar por aí. Você consegue ver o mato se movendo e pode escolher combater o monstro que tiver ali ou desviar. Infelizmente o mesmo não é possível dentro de cavernas ou lugares fechados, dando um gosto de ambos os estilos conforme avança. Há também uma boa quantidade de ambientes não-obrigatórios, quais você pode explorar e conseguir itens muito bons que vão lhe ajudar. Quanto mais explorar, mais preparado estará para o que vier, fica a dica aqui a todos.

Quanto às lutas de fato, não há nenhuma novidade. Quatro golpes, cada um deles gasta uma quantidade de stamina, quando acaba você fica indefeso. Para compensar a falta de originalidade nisso, ao menos na captura há uma estratégia diferente. Antes de tentar pegar qualquer bicho, Nexomon: Extinction oferece uma estatística de quanto você tem de chances de capturar aquele em específico. Isso é alterado por uma série de fatores, desde status negativos como congelado ou paralisado, além do uso de Nexotraps temáticas ou a utilização de alimentos que aquela espécie costuma consumir.

Imagem do review de Nexomon: Extinction
Lutar é mais do mesmo, já capturar tem toda uma fórmula.

Cada um deles tem uma condição distinta também, sendo catalogados como Comuns, Raros, Super-Raros, Mega-Raros, Especiais e Lendários. Isso tudo afetará a frequência de aparição deles, porcentagem de captura e até mesmo tem certa diferença na escala de poderes. Mas não se engane, tem muito monstro comum que, se usado da forma certa, dá uma baita duma porrada nos mega-raros, por exemplo. Nem se garanta tanto, um golpe só e o seu especial pode ir para o limbo se estiver distraído.

Aí que vem a minha maior reclamação do jogo. Pokémon Sword e Shield receberam uma onda de ódio dos fãs por várias de suas falhas, muitas delas quais concordo. Porém ela criou dois filhos distintos e que seguem cada um em caminhos completamente diferentes. Falo de Nexomon: Extinction e Temtem. Enquanto este último tem um apelo grandioso ao multiplayer online e não dá tanto foco assim no modo história, Nexomon segue pelo extremo contrário.

Imagem do review de Nexomon: Extinction
Não tem modo online, mas tem robôs gigantes e monstros.

Ou seja, este não tem nenhum resquício ou citação a um modo para competir e enfrentar meus amigos de forma alguma. Acredito que seria o nicho certeiro para puxar de vez vários dos fãs do original e criar uma experiência multiplataforma definitiva para que todos aproveitassem. Porém, não foi a escolha da Vewo Interactive e isso gera um imenso buraco em tudo que eles podiam ter alcançado. Imagina poder entrar em combate com a galera ou até mesmo ter um crossplay, como seria divertido. Infelizmente não foi desta vez.

Falha na captura

Também ouso dizer que existe muito o que melhorar no sistema imposto por eles. A Nexopedia in-game não me informa onde encontrar certas criaturas que vi, não há métodos diferentes de evolução além do clássico subir de nível e, apesar de eu saber ler perfeitamente em inglês, uma tradução em português teria feito toda a diferença para conquistar a galera brasileira carente dessa atenção.

Nexomon: Extinction também possui uns problemas aqui e ali de performance. Um diálogo que trava rapidamente e momentos que você está correndo e percebe que a tela congelou por um curto período acabam incomodando a experiência. É algo tão veloz que você nem sente tanto, mas que percebe que uma atualização cairia muito bem para acabar com isso e deixar tudo rodando perfeitamente. Qual é, um game com gráficos de Nintendo DS num PlayStation 4, dá para fazer um esforço nesse aspecto, certo?

Imagem do review de Nexomon: Extinction
No fim, a diversão compensa as falhas do título.

Apesar destas reclamações, o mapa é tão extenso e a história te envolve tanto que você sai um período inteiro para explorar e nem percebe o tempo passando. O fato de não conhecer muito daquele universo e seus monstros auxilia bastante e surpreende em vários momentos. Recomendo bastante não ver muito sobre antes de jogar, já que pode acabar com parte da sua experiência naquele universo.

Admito que os monstros que escolhi para fazer parte da minha equipe foram por ter seu design e golpes me cativando conforme os enfrentava. Óbvio que pesquisando e indo atrás de mais informações de todos 300 e poucos vão te dar uma estratégia melhor e formas mais seguras de se chegar ao final do game sem dores de cabeça. Mas olha, não tenho palavras para dizer o quanto está divertida a experiência de ir às cegas.

Se você curte RPG e o gênero de captura de monstros como Pokémon, Nexomon: Extinction não só é recomendado como é um game obrigatório para você relembrar os bons tempos de Diamond/Pearl/Platinum e ter em mãos um dos melhores variantes da franquia da Nintendo. Apesar de todas as referências, também não é obrigatório ter jogado o primeiro título da série, então pode mergulhar sem medo nessa nova aventura que a diversão é mais do que garantida.

Imagem de The Thaumaturge

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