Skip to main content

Metro 2033 é a adaptação do livro homônimo de 2005, escrito pelo autor russo Dmitry Glukhovsky, que fala de um futuro pós-apocalíptico, no qual bombas atômicas condenaram a cidade de Moscou a um inverno nuclear que já dura cerca de 20 anos. Com a presença de resíduos atômicos na superfície, resta apenas aos humanos se refugiarem nas estações de metrôs da capital russa. É nessa nova realidade que os sobreviventes se juntam em bolsões, situados em diferentes estações, cada qual com seu modo de vida e comportamento diferente; alguns amigáveis, outros nem tanto. O jogo segue o enredo do primeiro livro, que narra a história de Artyom, um jovem residente da estação VDNKH que precisa embarcar numa jornada até a estação Polis, em busca de socorro. Como se sobreviver embaixo da terra e conviver com humanos renegados não fosse o bastante, o herói deverá encarar o perigo constante de criaturas mutantes que surgiram após a hecatombe nuclear, além de ter de lidar com a presença de regiões tóxicas e fenômenos sobrenaturais.

Logo de cara, Metro 2033 consegue sugar o jogador com sua atmosfera. O nível de imersão aqui é um dos grandes atrativos; não apenas a história, mas também a ambientação ajuda a criar um clima para o jogador. Os detalhes de cada cenário, como objetos e estruturas desgastadas do pré-guerra, estações de metrô com o cotidiano dos NPCs, túneis escuros com sons abafados, efeitos de luz e sombra e até detalhes da própria jogabilidade, como as armas e equipamentos com um aspecto visual bem ao estilo SteamPunk, contribuem imensamente para formarem este ambiente envolvente.

A própria jogabilidade também se mescla diretamente à criação do clima, através do uso da máscara de gás, por exemplo. Ela é necessária para se poder atravessar algumas regiões infectadas por gases tóxicos, mas, ao contrário do que se vê em outros jogos, ela não é um item de utilização automática. Você sempre precisa equipá-la assim que seu personagem entra em áreas tóxicas, e, além de ser necessário ficar de olho nos seus filtros de ar, cuja duração é sempre indica pelo seu relógio de pulso, o mais importante é o cuidado que precisa ser tomado nas horas de combate. Sua máscara pode quebrar, e um furo no visor dela enquanto se está em algumas dessas áreas inóspitas significa morte. Um último pequeno detalhe, que para mim chamou bastante a atenção justamente por ajudar na imersão, é a opção de se poder jogar o jogo com todas as falas em russo. Pode não parecer, mas isso ajuda na construção do cenário.

Metro 2033

Essa atmosfera toda não é à toa já que, apesar de estarmos falando de um título de primeira pessoa, seu foco não está na ação. Na verdade eu o classificaria mais como um survival horror. Não é exatamente a presença de criaturas mutantes, um futuro cheio de radiação e pessoas vivendo de sucata que fazem de Metro 2033 um survival horror – vide Fallout 3, que tem muitos desses elementos mas passa longe do gênero. A diferença aqui está em como a ambientação é criada e apresentada.

Temos exemplos disso em alguns encontros surpresa com inimigos, que às vezes acontecem enquanto caminhamos por corredores escuros para em seguida trombarmos com um par de olhos brilhantes, ou quando vemos formas pulando pra fora de dutos de ar. Há também as aparições dos fantasmas de sombras, que são justamente as sombras de pessoas que morreram naqueles corredores e túneis e ainda vagam pelas paredes e pisos, relembrando os dias em que estavam vivos, ou ainda as vezes que cruzamos com fenômenos paranormais e, é claro, os momentos em que estamos rodeados de inimigos e com munição contada.

Esse é sem duvida o ponto alto de Metro 2033, criar uma atmosfera que envolve o jogador e criar uma constante tensão, seja ela proveniente da exploração por lugares escuros ou o medo de ficar a qualquer momento sem munição. Na verdade, desde Dead Space que eu não me sentia tão tenso na hora de cada partida. Se fôssemos contar apenas a premissa – afinal jogos baseados diretamente de livros são coisas raras (tirando The Witcher e Wheel Of Time não me recordo de outros) – a imersão e os aspectos artísticos, esse seria um jogo cheio de louvor. Mas, infelizmente, nem tudo são flores. Para começar, há uma mecânica do jogo que se apóia em um detalhe da trama, que pode confundir alguns jogadores.

Metro 2033

No universo de Metro 2033 as pessoas continuam a se armar, e com a ausência de uma indústria os habitantes desses túneis confeccionam as próprias munições, chamadas de “munições sujas”, que são as largamente usadas. Porém, ainda se pode encontrar as munições da era pré-holocausto que, além de serem raras e causarem mais dano aos inimigos, são também a moeda de troca – com elas você compra armas novas e mais munições sujas. É uma mecânica interessante, mas que tem problemas. O primeiro é a freqüência em que as lojas ficam disponíveis para você; na primeira metade do jogo elas são constantes, porém, perto do final, justamente quando as coisas ficam mais difíceis, elas ficam escassas. Isso não seria um grande problema caso o jogo te desse alguma dica de quando você precisa se armar mais ou não. Caso isso acontecesse, seria possível evitar situações em que você, sem munição padrão, é obrigado a usar a que vale dinheiro.

Outro problema dessa mecânica é o fato de que guardar dinheiro para comprar armas novas é uma tremenda besteira, já que quando você vê uma novo equipamento à venda, é certo que o mesmo aparecerá na mão de algum inimigo, ou mesmo largada por aí nos próximos minutos do estágio seguinte. Ainda em relação às armas, o jogo não lhe mostra nenhum tipo de parâmetro sobre elas, o que faz com que você nunca saiba ao certo quais são mais fortes ou precisas ou o que cada novo acessório pode fazer por elas.

Também irritante é o fato de elas serem divididas em classes e é permitido a você carregar apenas um tipo de cada vez. Por exemplo, temos os seguintes tipos de armas: facas, pistolas, explosivos, rifles de assalto e escopetas. Essas últimas dividem o mesmo espaço com os equipamentos pneumáticos, que precisam ser pressurizadas com ar comprimido para serem disparados. Algumas dessas usam como munição pequenas bolinhas de metal ou flechas, e por serem armas silenciosas são perfeitas paras as sessões que requerem que você permaneça escondido. Mas, de novo, não há pistas sobre que tipo de sessão será a próxima a ser enfrentada, seja uma cheia de monstros ou uma em que se precisa abater alguns soldados inimigos um a um. Dependendo da situação, uma escopeta ao invés de uma arma que dispara dardos pode fazer toda a diferença. Faz falta também um sistema de inventário, porque seria bom carregar armas de inimigos abatidos para serem vendidas na estação mais próxima.

Metro 2033

Os problemas com o combate não param apenas aí. Há dois aspectos de natureza técnica que vão de encontro com a ambientação. Como disse, existem sessões em que você pode tentar usar uma aproximação mais stealth, eliminando inimigos com armas silenciosas, apagando lampiões ou quebrando lâmpadas para que a escuridão te deixe menos visível. Nada de mais até aí, mas o que poderia ser uma mecânica bem colocada no jogo é totalmente arruinada por glitches, que fazem com que os inimigos tenham um super sexto sentido. Mesmo estando nas sombras e os eliminando de forma silenciosa, os companheiros de quem foi abatido vêm ao seu encontro, não importa se estiverem a vários metros ou até mesmo em outras salas.

Essa inteligência artificial com poderes de adivinhação não é o único problema, já que o contrário acontece e é igualmente frustrante, como em casos em que você encontra inimigos que ignoram completamente sua presença, e ficam correndo em círculos na sua frente esperando tomarem um tiro. Mais um caso estranho acontece com o monstro conhecido como “Bibliotecário”. De acordo com um NPC ele não deveria te atacar quando você o olha diretamente e, enquanto alguns seguem essa regra, outros simplesmente a ignoram e partem pra cima de você.

Ainda outro problema técnico, e que chega a ser o mais grave, é a discrepância que existe na hora de se calcular um dano, tanto o que você recebe quando ao que causa. O medidor de danos aqui segue a linha Call Of Duty – apanhe muito e sua tela ficará vermelha, descanse um pouco e você voltará a todo vapor. Acontece que muitas vezes o mesmo monstro pode te matar com dois míseros golpes, para logo em seguida, depois que você retornar de um checkpoint, esse mesmo te desferir meia dúzia de patadas e nada te acontecer. E, é claro, o mesmo se aplica a você.

Metro 2033

Cansei de disparar contra o rosto de inimigos, com tiros à queima roupa, usando uma escopeta, e ele continuava de pé, para logo depois eu sacar meu mísero revólver 38 e com apenas 6 tiros derrubar um monstro igual. Isso não seria um grande problema se se tratasse de um jogo da espécie de Contra ou Metal Slug, mas como eu disse, em Metro 2033 a munição é escassa e cada tiro conta.

Apesar de ter uma apresentação ótima, uma história interessante e um cenário cativante, Metro 2033 sofre demais com problemas técnicos que não só irritam na hora de jogar, como vão de encontro com a sensação de imersão que o jogo oferece. Pode parecer desafiador sobreviver com pouca munição, lutando contra inimigos que o matam de repente com poucos golpes. Mas a soma de todos os pequenos problemas tiram a concentração do jogador de onde ela deveria estar focada, que é justamente no cenário e na ambientação, que são difíceis de serem encontrados hoje em dia em um FPS. Com ausência de multiplayer e sem muitos atrativos para uma segunda partida, já que não há exploração open world ou quests secundárias, esse título é recomendado apenas para aqueles que gostam de jogos que geram tensão e suspense.

Imagem de Children of the Sun

Review – Children of the Sun

Marco AntônioMarco Antônio09/04/2024
imagem de Ereban: Shadow Legacy

Review – Ereban: Shadow Legacy

Marco AntônioMarco Antônio09/04/2024