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O ano era 21xx e o retorno de Mega Man iminente. Para salvar o mundo humano dos maléficos Mavericks, o herói azul retornava para mais aventuras. Porém ele não estava sozinho. Mega Man Zero/ZX Legacy Collection chegou para contar a história deste outro robô, da cor vermelha e que utilizava sabre. Além disso, era um dos personagens mais queridos da franquia. Ou posso dizer que ainda é?

O primeiro dos jogos da coleção saiu para Game Boy Advanced em 2002 e mais cinco vieram na sequência. O foco era simples, contar mais detalhes da sua história e, claro, para trazer o papel de protagonista ao Zero e enlouquecer a fanbase. Antes exclusiva dos portáteis Nintendo, dessa vez a saga completa chegou ao PlayStation 4, Xbox One, PC e Nintendo Switch.

O retorno de Zero

Após os confrontos finais contra Sigma e seu exército de Mavericks em Mega Man X8, os heróis desapareceram e coube à resistência enfrentar a ameaça robótica. 100 anos se passaram e finalmente a cientista Ciel encontra Zero nos escombros de uma floresta. Sem memórias e nenhum traço de seu passado, o herói não tem opção senão ajudar os mocinhos a se recuperarem.

Imagem de Mega Man Zero/ZX Legacy Collection
Zero retorna para fatiar mais alguns robôs.

Esquecendo completamente o estilo 3D de X7 e X8, o game volta ao bom e velho side-scroll. Até porque na época o GBA não aguentava tamanha potência. Nisso, todos os títulos da coletânea mantiveram a mesma jogabilidade e trazem o que há de melhor na franquia. Pular, escorregar na parede, utilizar o sabre de Zero para cortar tudo, atirar, pegar habilidades dos oponentes, entre várias outras marcas registradas.

Porém uma das maiores ausências é a da famosa tela de seleção de chefões. Sendo anexados às missões, isso tira um pouco do brilho de saber contra quem você ia lutar quando a derradeira hora chegasse. Os últimos games até tentaram amenizar este fator, mas jogar os primeiros às cegas se torna um balde de água fria para quem era um fã fervoroso do sistema.

Por outro lado, essas mesmas missões se destacam pela criatividade. Em algumas, você não precisava necessariamente matar tudo em seu caminho e se consagrar como o melhor. Como eu disse anteriormente, você está numa guerra e a sua base necessita de sua ajuda em todos os âmbitos. É necessário descobrir bases secretas, libertar soldados presos, escoltar pessoas feridas, impedir uma máquina de interferir nos sinais da central, entre várias outras coisas.

Isso comento apenas do primeiro jogo, já que nos demais eles implementam ainda mais estas ideias e tornam a experiência em algo bem mais agradável. Há também o fator de exploração dos lugares. Antigamente, você apenas seguia o caminho que Mega Man via pela frente. Já a saga de Zero permite entrar em salas no meio do trajeto, interagir com outros personagens e até mesmo captar recursos para adicionar forças à sua missão.

Imagem de Mega Man Zero/ZX Legacy Collection
Quem disse que X não faz algumas pontas no jogo?

Mega Man estaria orgulhoso?

Uma das críticas que tenho na verdade nem se resume aos próprios jogos, mas sim ao sistema inteiro de remasterizações recentes. Mega Man Zero/ZX Legacy Colletion traz o mesmo problema de Castlevania: Symphony of the Night, as outras remasterizações de Mega Man, o Disney Classic Games e afins. Todas trazem telas minúsculas e quanto maior a sua TV, mais ela será esticada e distorcida. Há um filtro que tenta melhorar, mas sendo muito sincero, não ajuda em absolutamente nada.

Isso se torna ainda mais evidente nas versões ZX, que pertenciam ao Nintendo DS. Ao invés de seguir o caminho que a Nintendo já mantém de adaptar títulos antigos de formas mais adequadas às atuais gerações, eles colocam as duas telas do portátil e você que lute. Vivemos acusando a Activision de ser uma mercenária nos games, por exemplo, mas ao menos ela teve a decência de ressuscitar Crash e Spyro de formas mais interessantes, ainda que sejam no fundo os mesmos títulos que eram em suas épocas.

Imagem de Mega Man Zero/ZX Legacy Collection
As versões de Nintendo DS diminuem ainda mais o espaço da tela.

Apesar disso, a trilha-sonora continua incrível como sempre, trazendo os sons clássicos da franquia de forma majestosa. Até mesmo os arquivos de áudio e vozes dos títulos do NDS foram melhorados, o que é uma linda surpresa. Além disso, assim como o X Legacy Collection, nessa versão também existe um catálogo inteiro da galeria de artes, com rascunhos, perfil de personagens e várias outros desenhos que gostará de rever. Todos os conceitos que ajudaram a manter a série estão ali.

O modo Z Chaser é um charme a mais, porém nada mais é que um Time Trial com placar online. É muito bacana se desejar competir com os demais para reconhecer o melhor jogador da série e quem completa seus objetivos de forma mais veloz, porém não te oferece nada in-game. Assim, ele se torna apenas um passatempo agradável no meio das obras.

Imagem de Mega Man Zero/ZX Legacy Collection
Mesmo com filtros, a imagem não melhora.

Uma coletânea dos melhores

Desculpe, caros leitores, se pareço cético assim. Não se deixem enganar, a linha que Mega Man Zero/ZX Legacy Collection traz é ainda superior que as demais, tanto em questões de enredo, criatividade, jogabilidade entre diversos fatores. Diria que, antes de Mega Man 11 surgir, esses eram os melhores games para se apreciar da franquia inteira. A Capcom só falhou mesmo em trazer uma qualidade adequada a sistemas que não funcionam muito bem em outras plataformas.

A até mesmo quem é novato ou acha que o jogo apresenta uma dificuldade absurda, eles implementaram o recurso de auto-save e também um resgate caso você caia em algum buraco. Quem conhece a série não recomendaria o uso, não há nada mais recompensador do que chegar no boss com aquele ódio de ter falhado umas 5x no mesmo lugar e esmagar a cara dele no chão. Porém ainda são opções válidas para quem não quer passar raiva em certos trechos. Ouso até dizer para não se enganar também com essa, pois passará por stress sim e sabe disso.

Vale a pena? Se você é fã de Mega Man, principalmente do personagem Zero, pode adquirir sem pensar 2x. Como disse, a performance visual vai te incomodar um pouco, mas continuam os mesmos épicos que sempre foram. Trazendo o melhor que existiu numa linha que contém mais de 100 games, eles sempre figuram nos rankings como alguns dos melhores títulos.

Imagem do texto de RKGK

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