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Enfim chegamos ao momento mais aguardado do ano para a meia dúzia de leitores do Gamerview que são fãs de futebol americano: o review do novo Madden, que obviamente será feito por mim, o único fã do esporte neste site. Na edição de 2022, a EA novamente voltou com suas já conhecidas promessas de político: o jogo mais polido da série até aqui, modos renovados, melhorias na jogabilidade e por aí vai. Desde o fiasco que foi Madden NFL 21, está bem claro que eles realmente estão tentando trazer um produto decente para variar, mas ao mesmo tempo, ainda parece que eles estão bem longe de alcançar o ápice desta franquia.

Madden NFL 23 definitivamente é melhor do que os lançamentos dos últimos três anos, mas ainda tem mais motivos para torcer o nariz do que para se curtir. Neste ano, resolveram apelar um pouquinho para o nosso lado sentimental ao fazer uma grande homenagem à John Madden, lendário técnico e comentarista que não só dá nome ao jogo, mas também revolucionou o esporte de muitas formas. John faleceu em dezembro de 2021 aos 85 anos, então é claro que ele merecia um tributo à altura. Com o mestre estampando a capa, pelo menos posso assegurar que este ano a famosa maldição tirou férias.

Pequena homenagem para um grande homem

Como jogos de esportes são famosos por saturar o mercado com títulos praticamente idênticos todos os anos, vamos começar focando nas novidades – primeiramente, a homenagem à John Madden. Não dá para negar que, pelo menos visualmente falando, a estética deste título está bem legal, misturando vídeos do treinador em ação com trechos de gameplay dos primeiros jogos da franquia. É nostálgico, não dá para negar, mas infelizmente não vai muito além disso.

Madden NFL 23
Olha o homem aí!

A primeira partida de Madden NFL 23 é um jogo entre NFC e AFC, com times compostos por alguns dos maiores nomes do esporte (que por sinal também eram alguns dos jogadores preferidos do Madden). É bacana poder jogar com essa pequena parcela de integrantes do Hall da Fama – mesmo que seja bizarro ver o Brett Frave fazendo um passe para o George Kittle -, mas a homenagem se limita somente a isso. O técnico está presente neste confronto e também faz algumas aparições no menu, mas no final tudo se resume a uma partida especial.

Bem que poderiam ter feito algo mais criativo ou até ousado, colocando algum tipo de partida retrô em 16-bit ou ao menos um pequeno documentário contando o legado da franquia, trazendo alguns trechos de entrevistas com o Madden e coisas do gênero. Em suma, essa homenagem pode ser resumida em “vamos homenagear o grande John Madden neste jogo, mas no final é só mais Madden”.

Modos e mecânicas

Se tratando do jogo em si, tivemos algumas melhorias nas mecânicas e a adição de 3.500 novas animações (segundo a EA). Os jogadores possuem uma variedade maior de movimentos e as coisas fluem com um aspecto melhor, principalmente se tratando da defesa. Agora eles não fazem somente aqueles tackles que se limitam a empurrar ou puxar o jogador adversário, transmitindo uma sensação levemente mais realista.

Pobre Burrow…

A principal novidade das mecânicas está em um novo sistema de passe, que agora se divide em três alternativas. A clássica ainda se faz presente, para quem não deseja experimentar nada novo, mas também é possível desfrutar de um sistema mais elaborado, onde você tem mais controle sobre onde a bola vai cair e consegue realizar lançamentos mais precisos para seus recebedores. A premissa é simples: basta acertar o timing na hora de concluir o passe, mas na pressão das jogadas acaba não sendo tão fácil (o que é bom). O rating dos jogadores também tem um peso muito grande agora, então um QB de elite consegue fazer passes melhores, enquanto os WR ou TE mais bem avaliados conseguem concluir essas jogadas com mais facilidade – muitas vezes com recepções épicas, o que é bem divertido.

Já quanto aos modos, tivemos algumas novidades em praticamente todos eles – algumas relevantes e outras completamente esquecíveis. O modo Face of the Franchise foi o mais radicalizado e, ironicamente, continua sendo uma das partes mais fracas de Madden; o modo história foi completamente removido e agora você controla um free agent que está entrando na liga (pois é, nada de college, nada de draft, nada de rookie).

Com o novo sistema de passes, até o Daniel Jones consegue lançar boas bolas

Além das posições que já marcaram presença antes – QB, WR, HB e LB -, agora você também pode ser um CB. O principal objetivo é ir juntando pontos para evoluir seu jogador e alcançar o almejado rating 99, que poderá ser muito bem aproveitado no modo The Yard, se é que alguém ainda joga isso. Apesar de parecer interessante, o Face of the Franchise fica cansativo muito rápido e perde muito para os outros modos.

O modo Franchise também não foi esquecido, apesar de trazer novidades muito tímidas. A melhor adição do ano passado está de volta e ainda contamos com as árvores de skills da comissão técnica, agora com uma variedade maior de habilidades. Você terá uma experiência mais requintada na hora de gerenciar seu time, desde contratações até outras partes dos bastidores. Também foi implementado um novo sistema de motivação, que provavelmente é a melhor parte das novidades do Franchise.

Mais realista que isso, impossível

Agora os jogadores tem uma barrinha de satisfação, que indica o quão felizes estão em jogar pelo seu time; ela é influenciada por uma série de fatores como desempenho pessoal em campo, vitórias e derrotas, rating etc. Quando ficam de saco cheio, eles podem pedir para serem trocados ou exigir contratos colossais, o que acabaria ferrando com seu salary cap. É mais um fator altamente estratégico e muito bem-vindo sendo adicionado ao Franchise.

Já para os jogadores do Madden Ultimate Team, a novidade fica a cargo da adição de um tipo de battle pass, onde você acompanha os objetivos de cada nova temporada e suas respectivas recompensas. A boa notícia é que é tudo gratuito, então não precisa se preocupar com microtransações. O MUT é um dos modos mais consolidados da franquia e, justamente por ser tão bom, é o que menos recebe novidades ao longo dos anos. Não se mexe em time que está ganhando.

Mantendo a tradição

Para finalizar, fica a pergunta: o que Madden NFL 23 tem de ruim? A resposta já é conhecida por todo fã de longa data: bugs, muitos bugs! O jogo foi lançado totalmente quebrado e ainda está problemático até agora – talvez nem tanto quanto o 21, mas a coisa está feia. A maioria dos problemas técnicos ficam na jogabilidade, o que quebra totalmente a imersão e destrói qualquer tentativa de realismo. É comum ver jogadores se atravessando, se teleportando ou a IA desligar completamente (e esses são apenas alguns exemplos).

O delay dos menus também incomoda bastante. Independente de qual for, você sempre terá que esperar cerca de 5 segundos para cada ação que selecionar dentro do menu, o que é um completo absurdo. Os loadings também estão assustadoramente lentos, o que não faz muito sentido, levando em consideração que os novos consoles possuem SSD.

Imagem proibida em Seattle

Apesar de várias novidades citadas anteriormente contribuírem com um jogo mais realista, infelizmente muita coisa acaba prejudicando essa experiência. Um exemplo: no modo Franchise, onde você pode contratar jogadores e montar seu time, é super comum ver superestrelas da liga sendo liberadas pelos seus times. Sério, em que mundo você conseguiria contratar Aaron Donald, Patrick Mahomes e Jonathan Taylor em uma única free agency? Isso não existe! Aqui já não é um problema de bug, apenas uma falha grave mesmo.

No final, não adianta ter todas essas pequenas adições espalhadas em cada modo do jogo sendo que nenhuma delas entrega uma experiência 100% sólida e satisfatória. Este é mais um ano em que o aguardado Madden que vai revolucionar os simuladores de futebol americano ficou só na promessa. Não sei se a EA está fazendo isso para segurar mais adições para os próximos jogos ou simplesmente por desinteresse – só sei que poderia ser melhor… BEM melhor!

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