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Na época do Dreamcast, uma coisa que os fãs da Sega sabiam era que eles podiam esperar qualquer coisa. A Sega, naquela época, era uma empresa que arriscava muito com seus softwares. Os projetos mais disparatados podiam ver a luz do dia. Isso teve resultados que foram do sublime Rez ao grotesco Seaman, passando pelo bizarro Space Channel 5 e o Shenmue, que eu particularmente achei fraco.

Nos últimos anos, a Sega é uma third-party, especialista em ordenhar as suas franquias até a última gota (apesar de que, pensando bem, não são assim todas?). Mas, como publisher, aparentemente ela está voltando ao velho espírito. Começou pelo acordo com a Platinum Games (MadWorld) e agora continua com o primeiro jogo da Prope (start-up do Yuji “Sonic” Naka), Let’s Tap.

Let’s Tap é um jogo único, por um bom motivo: não precisa de botões. Na verdade, apesar de usar o Wiimote, você nem mesmo fica com o controle na mão para jogar; o jogador deixa o Wiimote com a face (o botão A) para baixo em cima de uma caixa e dá batidinhas nessa caixa para controlar o jogo. Pode parecer uma viagem total, mas funciona. O jogo consegue detectar golpes fracos e fortes, modificando o jogo de acordo – inclusive, existe a possibilidade de dar “duplo golpe” para selecionar opções do menu (apesar de que, para navegar nos menus, o jogo permite que você pegue o Wiimote para uma navegação convencional).

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A superfície deve ser maleável o suficiente para que um golpe gere “rebote”, que é o que é efetivamente detectado pelo Wiimote. O jogo recomenda uma caixa de lenços de papel (na edição especial européia, vêm duas caixas especiais feitas com papelão da mesma gramatura), mas qualquer superfície serve. Eu testei o jogo deixando o controle no meu sofá; com um ligeiro ajuste na sensibilidade através do menu de opções, funcionou perfeitamente. A própria caixa do jogo (ou uma caixa de DVD normal) também pode servir.

O jogo em si consiste de cinco minigames, cada um com várias opções/níveis de dificuldade. Nota-se que essa parte foi claramente inspirada em Wii Sports; os gráficos são simples (mas característicos da casa) e os jogos são facilmente reconhecíveis, para que não haja necessidade de explicações complicadas. Um jogo de corrida com obstáculos (golpes fracos e ritmados fazem o personagem correr, golpes fortes fazem ele saltar), um de ritmo (um Bemani, muito similar a Donkey Konga), um no estilo “pula-pirata” (devemos retirar blocos de uma torre com golpezinhos, sem deixar que a torre desabe), um jogo espacial com power-ups e tudo (golpes simples para ativar o foguete e subir o personagem, duplo golpe para disparar mísseis) e, finalmente, um “visualizador” (de acordo com a força dos golpes, são geradas diferentes respostas em uma sequência de demos – fogos de artifício, pintura com nanquim, bolas pulando…).

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Esses mini-games são suficientemente interessantes e divertidos – e desafiantes – para que o jogo não pareça um simples demo. Você pode desbloquear alguns modos novos para alguns mini-games após conseguir certos resultados nesses mini-games (ou se tiver em seu Wii um save de Let’s Catch, o jogo da Prope para WiiWare).

Não há muito o que criticar nesse jogo. Não merece cinco estrelas por ter poucos mini-jogos e confiar o replay ao desbloqueio e ao fator multiplayer, mas a Probe e a Sega merecem todos os parabéns por sua originalidade. É um jogo ame-ou-odeie, sem meio termo. Nós amamos.

80%


Prós:

🔺 Originalidade
🔺 Implementação do controle
🔺 Visual e músicas minimalistas, “made in Sega”

Contras:

🔻 Poucos mini-games
🔻 Fator replay depende do desbloqueio de modos novos

Ficha Técnica:

Lançamento: 16/06/09
Desenvolvedora: Probe
Distribuidora: SEGA
Plataformas: Wii

Imagem de The Thaumaturge

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