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Trago boas notícias para os fãs de Gato Roboto, aquele simpático metroidvania do gatinho que pilota um mecha. O estúdio doinksoft está lançando mais uma joinha rara, tão boa quanto seu antecessor felino: Gunbrella. O estilo de ação e plataforma com visual retrô permanece intacto, porém agora explorando ares mais sombrios, misturando diversos elementos de western e noir. É praticamente um filme jogável do Tarantino.

Gunbrella é um daqueles jogos que exalam energia “Devolver Digital”. Ele é eficaz em tudo que propõe: tem um gameplay dinâmico e satisfatório, uma história bem intrigante e uma estética cheia de charme. A melhor parte é o cerne dessa proposta: uma arma multifuncional em forma de guarda-chuva que, além de ser altamente letal, também serve para te manter sequinho nos momentos de necessidade.

Uma história de vingança

O enredo de Gunbrella é um tanto misterioso e nem tudo fica explícito logo de cara, então é uma história que vamos montando aos poucos. Tudo que sabemos é que nosso protagonista é um humilde lenhador que, um certo dia, se depara com sua esposa assassinada. A partir disso, podemos presumir que ele parte em uma jornada de vingança, mas o autor desse crime e suas motivações permanecem um mistério por um bom tempo.

Faça bom uso do seu guarda-chuva!

Outra grande incógnita é a forma como o protagonista obtém a Gunbrella, algo que nem ele mesmo parece saber. Após uma rápida cena inicial, o jogo já começa com o lenhador portando a arma. Sempre que encontramos um NPC, temos a possibilidade de perguntar a ele o que é aquele guarda-chuva; alguns estão tão desinformados quanto nosso personagem, enquanto outros parecem saber de algo, mas não estão tão dispostos a compartilhar. Esses detalhezinhos acabam tornando o enredo mais interessante.

Gunbrella é um jogo de ação e plataforma com leves elementos de metroidvania. Os mapas são mais lineares e suas ramificações costumam conter apenas alguns itens adicionais, além da possibilidade de explorá-las de imediato. Ao contrário de um metroidvania, você não precisa voltar lá após ter conseguido uma habilidade específica, pois sua arma já contempla todas as funções necessárias para sua jornada. Contudo, a campanha ainda incentiva um backtracking saudável.

Tem umas bizarrices nesse jogo, tirem as crianças da sala!

A campanha consiste em visitar diversas cidades, cada uma trazendo suas próprias histórias e uma ameaça diferente. No começo, nos deparamos com um culto sinistro que está sacrificando os habitantes locais para reviver uma entidade bizarra; depois, encararemos uma gangue que dominou um vilarejo através da violência e do autoritarismo. É desse tipo de vilania que estamos falando – tudo isso levando a um mal ainda maior, que seria o verdadeiro antagonista do jogo.

A história é bacana e tende a ficar melhor com o decorrer da campanha, mas assumo que não me pegou logo de cara. A falta de um direcionamento no início faz parecer que não temos um objetivo concreto e que só estamos matando todo mundo por diversão. O jogo apenas deixa a pista de que trata-se de uma jornada de vingança, mas o resto é preenchido muito lentamente, o que pode não agradar a todos.

Guarda-chuva assassino

O gameplay de Gunbrella gira totalmente em torno da arma que nomeia o jogo. Em termos de mecânicas, não temos nada muito diferente de outros títulos do gênero: é apenas pular, apontar a arma para uma direção e descer o dedo no gatilho. As principais diferenças ficam a cargo do guarda-chuva, que possui múltiplas funções que devem ser exploradas tanto no combate quanto na exploração.

Aqui podemos destacar duas: a primeira é uma espécie de escudo, bem no estilo Kingsman. O lenhador abre o guarda-chuva para se proteger de projéteis e, caso faça isso no timing certo, consegue rebater esses tiros diretamente em quem atirou. A segunda é para locomoção, abrindo o guarda-chuva para estender o alcance dos pulos e planar durante quedas. O jogo te força a explorar esse recurso o tempo inteiro, especialmente durante alguns percursos de obstáculos à altura dos que vemos em Celeste – ou seja, é difícil.

Pequeno cameo de Carrion

O combate é divertido, mas não chega a ser tão desafiador quanto parece. A Gunbrella possui uma munição padrão que pode ser usada infinitamente, enquanto existem outros tipos de cartuchos que podem ser comprados com comerciantes para alterar o fluxo de tiros, transformando seu guarda-chuva em uma metralhadora, por exemplo. Esse detalhe limita muito a variedade de usos da arma nos confrontos, pois a munição sempre acaba em um piscar de olhos. Acho que se tivessem feito no formato de armas permanentes e desbloqueáveis, teria funcionado melhor.

O jogo tenta encontrar o equilíbrio perfeito entre tiroteios e exploração para não ficar repetitivo demais – e consegue! Quando não estamos na ação, provavelmente estaremos conversando com NPCs nas cidades, e devo aconselhar: não deixa de interagir com ninguém! Este não é um game que indica pontos de interesse, pois tudo aqui depende unicamente do jogador. Um exemplo: você só consegue uma sidequest se conversar com um determinado personagem por algum tempo, tornando tudo muito fácil de perder.

O mesmo vale para a progressão na história. Você pode até deduzir seu caminho para continuar avançando, mas muitas vezes será necessário desbloquear uma série de fatores para chegar até lá. Isso inclui conversar com NPCs em uma ordem específica e ir coletando pistas, até que finalmente alcance seu objetivo. Parece complicado, mas não é nada muito difícil; quem é curioso e sai explorando tudo certamente não terá problemas.

Me senti jogando Katana ZERO nessa fase

Quanto aos gráficos, Gunbrella não fica tão longe de Gato Roboto, com a diferença de que possui cores. É um pixel art bastante detalhado e até mesmo autêntico. Achei interessante o destaque que deram para o sangue em sua estética, sempre fazendo o vermelho ficar super valorizado em meio a uma variedade de cores desbotadas e cenários quase monocromáticos. Somando à temática meio western, é impossível não assimilar a algumas obras do Tarantino – o que é muito bom, por sinal.

Gunbrella é um excelente título de ação e plataforma, sendo mais um grande acerto da doinksoft. É como pegar um Enter/Exit the Gungeon e adicionar uma lore totalmente sombria, além de uma estética bem mais madura. Não menos importante, o preço também está bem convidativo, então não existem motivos para não entrar nessa jornada de vingança ao lado de um guarda-chuva para lá de esquisito.

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