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Quando fui apresentado ao GORN através de uma prévia no Youtube, onde meu filho geek de 6 anos me mostrou, vi com desconfiança. Parecia apenas mais um jogo de luta no mesmo estilo wave típico de quase todos os jogos de VR. Você fica parado esperando a galera vir, bate ou atira pra depois repetir tudo de novo com mais inimigos. Desconsiderei o pedido dele e meio que esqueci. GORN foi lançado e, diante de tantas críticas positivas (e o pedido ensandecido do meu filho), resolvi testar.

Agora esquece tudo que falei sobre mais do mesmo. O jogo é uma sensação no quesito diversão e preparo físico. Apesar da fórmula usual dos títulos para VR, ele pegou tudo de ruim dos outros jogos e lapidou e as coisas boas foram melhoradas. Tá certo que ainda é um wave game, mas tenha certeza que você irá se divertir enquanto seu corpo aguentar – ou quebrar algo ao seu redor. Arrancar cabeças com as próprias mãos, espetar o coração alheio, cortar membros e amassar cabeças é o que temos de melhor no jogo, tudo com bastante sangue e diversão atrelado. Isso talvez faça com que não seja o melhor dos jogos para crianças, pois o “ketchup” rola solto.

VR com gladiadores? Tô dentro!

GORN to be wild

O jogo consiste em uma série de batalhas onde é necessário vencer os oponentes para desbloquear os campeões do Imperador. O Imperador e seu público também fazem parte da diversão como cabeças flutuantes no melhor estilo animação tosca, com caras e bocas muito engraçadas.

Todas as batalhas iniciam com a escolha das armas e saudando o imperador, além da possibilidade de sempre mandar um dedo do meio para a platéia; apenas desvie das pedradas que você vai receber na cabeça. A física do jogo foi muito bem desenvolvida pela dev indie Free Lives. São inúmeras as possibilidades de desmembrar e usar tudo aquilo que tiver à sua frente como arma ou defesa. Se você quiser usar a mão de um oponente, a cabeça ou até mesmo o corpo inteiro você pode. GORN é um santuário de animação violenta, fazendo com que toda sua raiva seja substituída por muitas risadas e cansaço físico.

É possível finalizar os adversários de várias formas. Use a criatividade!

Talvez um dos maiores limitadores do jogo seja o espaço físico para jogar: é recomendado uma área de 2×2 metros. Porém ele é melhor explorado em uma área maior, pois tudo à sua volta vira alvo e pode ser destruído de verdade. A imersão dentro da arena é tamanha que você perde completamente a noção de espaço. Seja abaixando ou em pé você irá desferir golpes pra tudo quanto é lado, portanto não fique assustado se o controle voar da sua mão.

A movimentação do jogo é feita usando o trackpad ou fazendo o movimento de balançar dos braços, como se estivesse andando mesmo. Aliás, o seu espaço físico é que irá delimitar a melhor forma de jogar. Em momento algum senti problemas como enjoo ou tonteiras, mesmo com a ação desenfreada e olhando rápido para todos os lados. Entretanto, o jogo possui um sistema de limitação da visão que pode ser ativado e diminui os efeitos da realidade virtual em pessoas mais sensíveis.

Um gore de humor

Como o intuito principal do jogo é a diversão, os gráficos propositalmente não foram lapidados. GORN usa os gráficos mal acabados e caricatos para fazer parte do contexto e ser um grande diferencial dentro de sua proposta. Inclusive tem um modo Piñata onde você fica destruindo seus inimigos e saem balas e confetes de dentro deles, tornando a experiencia em VR o mais agradável possível.

Mesmo com visual caricato, GORN é brutal

Recentemente os desenvolvedores adicionaram ao jogo o modo Custom, onde você pode jogar sem gravidade, lutar contra bebês gladiadores cabeçudos, inimigos invencíveis, caveiras ambulantes e até mesmo apenas ficar como um cabeçudo espectador na arena e ver o sangue jorrar na arena. Em estágio ainda inicial, temos um modo multiplayer local que comporta até 4 jogadores utilizando um controle do Xbox, mas ainda está bem incompleto e precisa de algumas melhorias.

GORN é o jogo mais sangrento, divertido e inovador já feito para VR. Você irá suar, cansar, ficar com raiva, morrer de rir e, mesmo após horas jogando, você ainda vai querer voltar e dar mais umas pancadas em algum lutador. O comprometimento da desenvolvedora em melhorar a física e continuamente adicionar modos de jogo, novos inimigos e armas só mostra o tamanho do sucesso que ainda está por vir.

Imagem do texto de RKGK

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