Skip to main content

Garlic é uma carta de amor ao estilo retrô e ao mesmo tempo uma tortura para aqueles que não conseguem abrir mão de um bom desafio. Desenvolvido pela Sylph e publicado pela Ratalaika Games, este plataforma de precisão esbanja estilo, irreverência e humor.

Com um resgate visual da era Game Boy, as influências de Celeste, Dandara e Super Meat Boy fazem deste um dos melhores jogos do gênero, além de conseguir trazer inovações que subvertem sua própria fórmula.

Um prato cheio para quem gosta de alho

No papel de um jovem herói com cabeça de alho, ironicamente chamado Garlic, você precisa escalar a misteriosa e perigosa Torre Sagrada para encontrar a Deusa Cibernética.

Garlic
Acredite numa promessa e siga em frente

E qual a motivação do nosso herói? Arriscar sua vida em busca de uma deusa capaz de realizar qualquer desejo. No entanto não esperávamos ter nosso jovem Garlic se apaixonando por ela logo na segunda fase, das 12 zonas que enfrentaremos, ao aparecer em sua frente numa projeção.

A partir desse plot, você enfrentará mais de 100 níveis repletos de desafios, que a cada dez agrupa um próprio estilo de ambiente e com colorização para ambientar a aventura, para derrotar chefões, participar de minigames e aumentar sua paixão dela entidade desse futuro cyberpunk, que parece ter sido retirada de um filme do Luc Besson.

Quase como um desenho animado trash dos anos 80 da extinta MTV, vamos enfrentar inimigos e situações bizarras, tudo em nome do amor, para alcançarmos aquilo desejamos. Com animações hilárias e situações inusitadas, Garlic impressiona pela capacidade em ser um jogo de plataforma que consegue inovar e não cair na mesmice.

Garlic
Amor à primeira vista

Contando com apenas um dash e sem pulo duplo, você precisará sobreviver por fases com veneno, fogo, eletricidade, esgoto e serras, com inimigos de todos os tipos que você puder imaginar, inclusive anjinhos, minotauros alados e barbudos, até cabeças medonhas.

O que não falta é piração por parte dos desenvolvedores para criarem cenários e desafios malucos, porém todos possíveis de serem vencidos e com controles extremamente precisos, a ponto de você conseguir fazer manobras no ar e pousar exatamente na beiradinha de uma quina, para conseguir escapar de uma ameaça ou repousar por alguns segundos.

Gostei demais da mecânica em que o seu poder de pulo e dash serve também como barra de energia vital, fazendo com que você consiga sobreviver ao ataque de uma criatura, porém sem conseguir fazer suas piruetas. Ainda existe a chance de você sofrer um dano elemental, com Garlic reagindo e demonstrando seus reais sentimentos de dor, tendo que controlar o herói para ele não sair em disparada pela tela ou parar de se mover logo depois.

Garlic
O level design sempre bem pensado para desafiá-lo

Aos poucos você começa a pegar todos os indícios e logo descobre quem é o vilão por trás dessa história e que mantém a Deusa Cibernética aprisionada, com uma forte ligação e justificativa para termos uma “cabeça de alho” como herói dessa aventura. Sem contar as diversas referências à cultura pop como, por exemplo Dragon Ball, desde o visual do herói até a hilária sequência do vestiário.

Melhor ainda é como esse jogo termina, com uma luta final hilária, uma sequência de encerramento inusitada, que justifica você se matar (literalmente) para pegar as garlicoins, moedas que surgem ao longo do jogo, e uma sequência pós-créditos jogável. Se isso tudo não foi o suficiente para você parar de ler esse review e ir jogar Garlic, talvez os próximos parágrafos não deixarão mais dúvidas.

Quer alho… Quanto conteúdo num jogo só!

A cada etapa vencida, além de encontrar seu “amigo” misterioso com mensagens de alerta e incentivo, os jogadores passarão por joguinhos rápidos que funcionam como interlúdios.

Garlic
Prepare-se para se divertir com vários minigames

Seja com um fliperama ou até mesmo por alguma situação, Garlic deixa de ser um plataforma para oferecer fases com diversos tipos de gameplay: corrida com obstáculos, shmup, point and click e beat ‘em up. Dentre esses gêneros, a proposta non-sense do jogo aparece para as mais varias roupagens que os mini-jogos recebem.

Prepare-se para desviar de cigarros e chutar latas, com um Garlic apaixonado e pensativo, montar uma lula gigante enquanto atira nos inimigos, conversar com sua deusa enquanto defende o computador de malware. Tudo isso com muitas referências a clássicos como, por exemplo, Street Fighter e Battletoads ou indo para algo mais simples, na pegada de jogos 8-bit.

Além de ser um respiro para os desafios e sequências que podem tirar você do sério pelo nível de complexidade, os minigames também são oportunidades para você usar e ganhar mais garlicoins. No entanto, caso você tenha muita dificuldade e acabe morrendo diversas vezes, o jogo oferece algumas opções que vão facilitar sua vida. Para os que curtem um desafio extra, o jogo oferece o modo “Morte Súbita” em que você pode escolher qual estágio deseja completar no menor tempo possível.

Garlic
Mesmo simples, a jogabilidade muda a cada novo desafio

Como disse anteriormente, Garlic possui uma proposta visual simples, que flerta com o estilo monocromático do Game Boy, se apoiando nas cores conforme o tema de cada uma das zonas (com 10 fases cada), além de ter uma pixel art muito caricata. Isso sem contar o level design, que abusa da brincadeira com suas referências e influências para construir os obstáculos que são desafiadores e agradáveis na mesma proporção.

Além do visual e da veia cômica dos desenvolvedores, a Sylph trabalhou muito bem na trilha sonora e a composição entre gameplay, ambientação, visual e áudio. Com um quê nostálgico com chiptune, à batida eletrônica e momentos com canto, prepare-se para ficar viciado e com a música na cabeça depois de boas horas jogando.

Garlic é um jogo perfeito, por unir diversão, visual e trilha, com muito conteúdo e desafio balanceado. Com controles precisos e gameplay redondinho, esse título da Ratalaika Games consegue ser uma boa porta de entrada para o gênero plataforma de precisão, além de preencher o vazio que os jogos anteriores acabaram deixando.

Review – Ruff Ghanor

Rafael NeryRafael Nery27/02/2024

Review – Penny’s Big Breakaway

Renato Moura Jr.Renato Moura Jr.27/02/2024