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Mesmo depois de surpreender (negativamente) com a chegada exclusiva para PC e celulares, Final Fantasy Pixel Remaster tinha seu lançamento para os consoles muito esperado pelos fãs. Finalmente este dia chegou, preenchendo o vazio de quem esperava por uma oportunidade para jogar todos os seis títulos principais, organizados e melhorados para a nova geração.

Esse lançamento fica melhor quando chega em uma versão remasterizada que não se apegou apenas à nostalgia dos fãs e realmente se preocupou em oferecer recursos para que os títulos possam se adequar minimamente aos dias atuais.

Uma overdose nostálgica

Lançado originalmente em 1987 para NES, Final Fantasy (até então sem número), foi lançado pela Square Company (na época sem fusão com a Enix) e carregava a Fantasia Final da empresa. Hironobu Sakaguchi, criador do título, foi o responsável por salvar a Square da falência e ainda colocou a empresa em destaque, inciando uma franquia de sucesso.

Final Fantasy Pixel Remaster
Fortes emoções ao ver tudo em português em uma versão oficial da Square Enix

No aniversário de 35 anos da série, os fãs foram presenteados com essa coletânea que, por mais remakes e remasters existentes ao longo de três décadas e diversas gerações de consoles, era a primeira vez que todos os seis títulos estariam reunidos em uma coletânea que proporcionavam padronizações e melhorias.

Com os três primeiros títulos lançados para NES e Famicom, com o quatro, cinco e seis chegando na geração SNES e Super Famicom, temos em mãos os principais lançamentos da década de 80 e 90 em uma versão que se preocupou em reproduzir o trabalho visual da designer Kazuko Shibuya.

A pixel art utilizada nos gráficos 2D e utilizados nos sprites foram todos redesenhados para serem fiéis ao original, porém exibidos em alta definição. Por este motivo, não espere encontrar a recriação utilizada na versão de PSP, com mais detalhes e elementos que davam mais vida, principalmente aos personagens, pois a proposta para a edição do Pixel Remaster é ser fiel aos originais mesmo quando projetados nas telas de hoje, inclusive optando por alguns filtros para simular os antigos televisores.

Final Fantasy Pixel Remaster
Mesmo com diversas melhorias, Final Fantasy continua punitivo!

Falando em arte, todos os seis títulos oferecem uma galeria de imagens com diversas artes de Yoshitaka Amano, artista e ilustrador responsável pela identidade visual da franquia. O mesmo acontece com o trabalho de Nobuo Uematsu, compositor da trilha sonora, que está disponível também em um tocador para você curtir as músicas emblemáticas.

Para recompensar os fãs que adquiriram a coletânea, a Square Enix se preocupou em regravar os arranjos de todos os jogos em uma nova versão orquestrada, supervisionada pelo próprio Nobuo Uematsu. Para os mais nostálgicos, você tem a opção de alterar e curtir as versões utilizadas originalmente.

E já que o assunto é trabalho artístico, os desenvolvedores ouviram o feedback negativo, para não falar a revolta, e atualizaram a fonte tipográfica pavorosa criada exclusivamente para essa edição. Você poderá optar pelo estilo de letra que se aproxima da versão original, que ainda assim é um tanto quanto estranha por conta do espaçamento, mas que favorece a leitura.

Final Fantasy Pixel Remaster
Diversos momentos de Final Fantasy continuam marcantes e impactam ao serem revividos

Para a alegria dos brasileiros, a Square Enix se preocupou em deixar tudo traduzido e localizado para o português. Da história e diálogos aos itens e menus, temos um trabalho de tradução bem executado e permitindo que a barreira de antigamente, criada pelo inglês, não seja mantida hoje em dia.

E com vocês, o melhor dos JRPGs

Considerado jogos datados para alguns, na minha opinião temos a oportunidade de rejogar o que existe de melhor nos JRPGs clássicos. A nata raiz deste gênero que conquistou gerações e ainda funciona como referência para excelentes títulos atuais, os seis primeiros títulos da franquia Final Fantasy conseguem fazer você vivenciar uma evolução maravilhosa.

A essência e sentimento originais continuam mesmo nesta remasterização, com o primeiro jogo iniciando a famosa jornada dos Guerreiros da Luz, com seu plot twist concentrado no protagonista, passando pelos extremos punitivos de Final Fantasy III e V, para chegar no sexto jogo com seus 14 personagens jogáveis e a maravilhosa narrativa baseada na dicotomia entre magia e tecnologia.

Final Fantasy Pixel Remaster
Subir de nível ou ter dinheiro para comprar seu equipamento nunca foi tão fácil!

Conhecida por ser uma franquia que penaliza o jogador, fazendo você morrer até mesmo nas primeiras horas, ou por exigir muita dedicação para evoluir seus personagens ao investir no grind para aumentar o nível da sua party, os desenvolvedores criaram melhorias focadas no bem-estar dos jogadores.

Infelizmente não temos mais o estilo de vida que existia na década de 80 e 90, com poucas opções de entretenimento ou muitas horas livres, fazendo com que tudo necessite ser mais breve e ágil nos dias de hoje. Pensando nisso a Square Enix implementou a opção de batalhas automáticas, que não recomendo utilizar contra os chefões, além de um multiplicador para você aumentar o ganho de Gil, a moeda nos jogos, a experiência ao vencer os inimigos e a velocidade na movimentação dos personagens.

Você também poderá salvar o jogo em qualquer momento, facilitando a retomada ao cometer algum erro ou até mesmo falhando em alguma atividade ou batalha. Não se trata de um “Save State”, mas esta opção faz com que você tenha longas jornadas sem poder parar para continuar num outro momento.

Final Fantasy Pixel Remaster
Um excelente jukebox e com todos os arranjos de Nobuo Uematsu

Se você quer curtir mais o jogo e a história, agora temos a opção para desligar os encontros aleatórios de inimigos pelo mapa. Isso pode complicar sua vida ao longo do jogo, mas nada como completar certas dungeons sem muitas batalhas, para depois compensar aumentando em até quatro vezes o ganho de XP, com batalhas no automático, para conseguir vencer inimigos difíceis como Chaos (FFI), Adamantoise (FFII), Doga e Unei (FFIII), Zeromus (FFIV), Neo Exdeath (FFV) e, meu preferido, Kefka (FFVI).

Prova de que essa talvez seja a edição definitiva para esses jogos está na preocupação em rever a movimentação dos personagens para incluir as diagonais e também direcionar o seu ataque para outros inimigos vivos, caso seu alvo inicial tenha sido derrotado após você selecionar o seu movimento e evitando que você erre o ataque ao atingir o vazio, como acontecia antigamente.

Porta de entrada para um universo mágico

Final Fantasy Pixel Remaster realmente é o presente que os fãs mereciam, ao contrário do pavoroso Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin, trazendo para os mais novos e a geração atual uma oportunidade completa para a experiência que pudemos vivenciar ao longo de três décadas.

Final Fantasy Pixel Remaster
Claro que não poderiam faltar as maravilhosas obras de Yoshitaka Amano

Mesmo chegando com um valor muito alto, comparado aos grandes lançamentos de 2023, e sem oferecer um hub que concentre os seis jogos em uma experiência unificada, para você escolher qual “volume” dessa história deseja jogar, a Square Enix conseguiu entregar um trabalho majestoso, com diversas melhorias e evoluções ao mesmo tempo em que manteve a essência original, resgantando em todos nós o sentimento nostálgico.

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