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Fazia tempo que não jogava um game no estilo “Dungeon Crawling”, em que você explora cenários atrás de tesouros e enfrenta diversos tipos de inimigos. O último que joguei foi Titan Quest e sua excelente expansão, Immortal Throne (ambos exclusivos de PC). Isso lá em 2006, quando minha ansiedade por Diablo III começou a ganhar força. Estamos em 2011, Diablo III ainda não saiu, e Dungeon Siege III chega como uma boa opção. Quebrando a tradição, este é o primeiro game do gênero a sair também para consoles – e o primeiro da franquia a não ser produzido pela Gas Powered Games, que estava envolvida na produção de Age of Empires Online.

Os eventos de DSIII acontecem 150 anos após Dungeon Siege. Na trama, a 10ª Legião foi exilada de um império em decadência. Por 400 anos, a 10ª Legião protegeu e guiou o povo para a paz e prosperidade. Mas 30 anos antes dos eventos de DSIII, Jeyne Kassynder iniciou uma guerra contra os legionários e a família real, culpando-os pela morte de seu pai, o rei de Ehb. Tal guerra quase extinguiu os legionários, se não fosse por um pequeno grupo liderado pelo venerável Odo. Este grupo é formado por: Lucas Montbarron, Anjali, Reinhart Manx e Katarina.

Lucas é um jovem guerreiro especializado em combates com uma ou duas espadas. Sua motivação vem da morte de seu pai, Hugh Montbarron, o grande mestre da 10ª Legião. Ele caiu durante a batalha contra Jeyne Kassynder. Anjali é uma lanceira com habilidades místicas. Ela manipula o fogo e pode se transformar em um ser em chamas. Reinhart Manx é um mago, que luta a curta e longa distância. E Katarina é uma pistoleira, que utiliza um rifle e uma escopeta como armas. Em minha aventura, escolhi a Katarina.

Dungeon Siege III

Cada personagem possui suas diferenças e todos fazem uso de um mesmo sistema de habilidades, talentos e proficiências. No caso das habilidades (9 tipos), elas são ativadas conforme você sobe de nível, e conferem ao personagem poderes que você pode ativar com Mana. Já os talentos (10 tipos) são permanentes, sendo que cada um possui 5 níveis para você investir os pontos ganhos a cada level up. Quanto às proficiências, elas são 3 para cada personagem. Cada proficiência possui 5 “slots” para preencher com dois tipos de upgrades, cada qual conferindo poderes diferentes.

Pode parecer muita coisa, mas não é. Apenas as proficiências são realmente customizáveis ao seu gosto, enquanto que as habilidades e talentos você consegue obrigatoriamente com a evolução do personagem. Você apenas os ativa na ordem que desejar, adicionando upgrades até deixar tudo no máximo. Esta simplicidade pode ser vista como algo negativo para os fãs da franquia, que estavam acostumados com a interface no estilo Diablo e a maior liberdade de customização. É perceptível que estas mudanças tenham sido feitas visando a adaptação para os consoles. Os fãs certamente estranharão os controles na versão PC mas, felizmente, a Obsidian não estragou o jogo.

DSIII pega carona nas novas mecânicas criadas por RPGs como Mass Effect e Dragon Age. Em outras palavras, o game emprega diálogos com múltiplas respostas, missões secundárias não obrigatórias, decisões que alteram a história, e algumas facilidades na jogabilidade. Os comandos funcionam perfeitamente no controle do PS3 e Xbox 360, e eu arrisco a dizer que funciona melhor que no teclado e mouse. Os itens, por sua vez, são todos armazenados sem preocupação com o espaço no inventário. E, a qualquer momento, você pode abrir o menu e trocar os equipamentos do seu personagem.

Dungeon Siege III

O elemento mais divertido deste gênero, a exploração, permanece intacto em DSIII. Você passa por diversos cenários atrás de itens melhores, além de enfrentar vários tipos de inimigos e chefes de fase. Os cenários são belíssimos, repletos de tesouros escondidos e até armadilhas. Algumas missões secundárias oferecem cenários ainda mais interessantes que os do modo de campanha, além de revelar mais detalhes da trama. E tudo fica ainda mais divertido quando um legionário entra para sua equipe (no meu caso, a Anjali). Você não a controla, mas pode escolher seus equipamentos, habilidades, talentos e proficiências. E além de ajudá-lo nas batalhas, ela pode ressuscitá-lo.

Visualmente, o jogo é bonito mas poderia ser ainda melhor. Vendo a ação por cima do jogador, tudo fica perfeito. Mas quando você aproxima a câmera ou inicia um diálogo, dá para notar algumas falhas. Seu herói fica sempre de costa para tela e os personagens não apresentam expressões convincentes, por exemplo. Em alguns casos, um personagem importante inicia uma conversa com você e, ao terminar, ele simplesmente some da tela. Se você cortar a conversa escolhendo outras opções de diálogo, também verá um corte seco na animação do personagem. Fora isso, o jogo explora pouco a história dos legionários. Por se tratar de um RPG com personagens já desenvolvidos, isso faz falta.

Dungeon Siege III supre a falta de games do gênero e divertirá os donos de consoles. Tudo aquilo que define a franquia permanece presente, apenas mais simplificado. O jogo não enjoa e diverte por muitas horas, especialmente se você jogar com amigos em modo cooperativo (até 4 jogadores) para obter recompensas e desbloquear conquistas. Comparando com os dois games anteriores e suas expansões, DSIII é mais curto: dura cerca de 20 horas, incluindo todas as missões secundárias. Mas isso é bom, acredite. Não há nada mais irritante que caminhar longas distâncias entre um objetivo e outro.

Imagem do texto de RKGK

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