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Chegou a hora de contemplarmos a última obra publicada pela Bethesda que chegará a um console PlayStation. Todos nós já estamos cansados de ver Deathloop nos showcases da Sony, então provavelmente todo mundo aqui já sabe muito bem do que se trata: é um Dishonored roguelite com multiplayer online, sistema de invasão, loops temporais e coisas demais para deixar qualquer um maluquinho – mas no bom sentido, é claro.

A comparação com Dishonored é inevitável, afinal este título é de autoria do mesmo estúdio e criadores das desventuras de Corvo e Emily. Quem jogou qualquer um dos dois já estará bem familiarizado com Deathloop logo de cara, mas é claro que ele possui bastante particularidades para ter uma personalidade própria – e digo mais: são tantas que, apesar das inúmeras semelhanças, acaba sendo um jogo totalmente diferente, o que é ótimo. 

Destrua o loop

Como o próprio nome já entrega, Deathloop é um jogo que te coloca em um paradoxo temporal de muita matança. Sem explicar praticamente nada, a princípio ele te coloca na pele de Colt, um homem que misteriosamente sempre acorda em uma praia todos os dias. Ao mesmo tempo que ele parece conhecer muito bem cada detalhezinho do complexo em que se encontra, ele também não se lembra de nada. A única coisa que ele sabe é que diariamente será caçado por uma mulher chamada Julianna, que claramente o despreza muito e está disposta a fazer de tudo para vê-lo morto.

Pode ir se acostumando com essa praia…

A história de Deathloop começa dessa forma e cabe a nós progredirmos aos poucos para descobrir o que está se passando naquele lugar. Blackreef, como é chamada a ilha em que se passa o jogo, é um lugar deveras peculiar. Ele possui cidades, bases militares, laboratórios de pesquisa e, acima de tudo, um monte de pessoas mascaradas e armadas até os dentes, cuja única função é proteger o que eles chamam de Visionários: oito chefões com poderes sobrenaturais que controlam tudo por ali e são os responsáveis por manter o loop funcionando.

Após passarmos por um longo prólogo, nosso principal objetivo será matar todos os Visionários dentro de 24 horas para quebrar o maldito loop. Pode acreditar que isso não será uma tarefa fácil, pois o tempo do jogo é dividido entre quatro períodos do dia: manhã, meio-dia, tarde e noite. Sempre que você concluir a noite, o ciclo se reinicia e voltamos da praia, ou seja: todo o seu progresso vai para o saco, então será necessário muita estratégia e conhecimento daquele universo para conseguir pegar todos em uma tacada só.

O que dificulta mesmo é que o tempo passa conforme vamos adentrando distritos diferentes da cidade, o que é obrigatório para a progressão. O jogo não é mundo aberto e exploramos cada um deles individualmente, mas após o prólogo temos a liberdade de escolher qual desejamos adentrar. Sempre que você sair de um distrito o tempo avança, então só temos a liberdade de explorar quatro deles dentro de um ciclo. Ainda existe a possibilidade de avançar para a hora do dia desejada, mas se você pular direto para a noite, acaba desperdiçando todas as oportunidades dos demais horários, já que o ciclo recomeçará logo em seguida.

Sem piedade para Visionários.

Não dá para negar que tudo isso parece complexo demais, mas na verdade é bem simples de entender. Eu sou uma pessoa que sempre desanimei muito com roguelites e jogos do gênero, justamente por causa da perda constante de progresso. Contudo, Deathloop é muito viciante e conseguiu me manter preso mesmo perdendo minhas armas e poderes constantemente. A progressão da história sempre é mantida e esse é um fator muito positivo, pois cada pequena descoberta faz diferença.

Matando com estilo

Como dito antes, quem jogou Dishonored já começará Deathloop manjando de praticamente tudo, afinal o gameplay é o mesmo e os poderes foram praticamente reciclados – mas com a adição de alguns novos, é claro. Tudo é em primeira pessoa, temos as mecânicas de tiroteio e stealth intactas, além de todo aquele dinamismo proporcionado pela liberdade que o jogo dá ao jogador. Você pode jogar do seu jeito, então é perfeitamente possível zerar a campanha só no stealth ou metendo chumbo em tudo que se mexe.

Podemos empunhar uma arma de fogo em uma mão e outro acessório na outra, ainda sendo possível alternar entre duas armas de fogo, armas brancas e é claro, os poderzinhos. As habilidades sobrenaturais funcionam um pouco diferente de Dishonored, onde aqui você precisa coletá-las de Visionários mortos, mas sempre as perde quando o ciclo reinicia. É chato, eu sei, mas é uma forma de estimular o jogador a procurar novas formas de cumprir seus objetivos e ser bom no improviso.

O modo como encaixaram as memórias do Colt no jogo é genial.

No começo você mal usa poderes, mas nos seus últimos ciclos estará praticamente usando todas de uma vez só, afinal você não vai quebrar o loop se não matar todos os Visionários em um único dia. O gameplay é excelente e muito divertido, porém achei que seria mais difícil pelos vídeos apresentados. Na prática, achei bem tranquilo sair matando todos de forma imprudente e pouco estimulante agir em stealth; acabei sentindo um pouco de falta do equilíbrio de Dishonored, que nesse aspecto era bem mais justo.

Com respeito às armas e acessórios que oferecem perks, o jogo aparenta funcionar em forma de loot, mas tudo já é pré-definido. Existem armas com “cores” diferentes que oferecem atributos melhores e o mesmo vale para os acessórios, mas eles sempre respawnam no mesmo lugar, facilitando um pouco nossa vida. Sinceramente, nem vi muita diferença nessas armas especiais, já que eu usei uma escopeta basicona do início ao fim e funcionou muito bem. Por outro lado, isso é bom, já que vai doer menos quando o ciclo reiniciar e você perder tudo.

Proteja o loop

Entretanto, isso não é tudo! Colt não é o único personagem jogável em Deathloop e, após concluir o prólogo, podemos encarnar sua nêmesis Julianna. O jogo te dá a possibilidade de jogar online e, dessa forma, alguns jogadores poderão invadir sua partida na pele de Julianna para te matar… ou você quem vai sair para caçar os outros. Caso você desative este modo, ela sempre aparecerá na forma de um BOT e eliminá-la será mamão com açúcar.

Quem gosta de emoção certamente vai curtir esse modo online, pois sempre que ela aparece dá aquele mesmo frio na barriga de quando nosso mundo é invadido por algum jogador aleatório na série Souls. Porém, achei chato o fato do multiplayer não estar desbloqueado desde o início. É fato que o jogo só começa para valer após o prólogo, mas ele é meio longo e demora cerca de duas a três horas para ser concluído. Todos os jogadores precisam chegar neste ponto da campanha para poder controlar Julianna, então jogar com algum amigo pode ser um grande problema, já que é impossível dizer em quanto tempo seu amiguinho vai conseguir alcançar esse progresso.

Julianna é tão chata que é sempre um prazer matar ela de formas diferentes.

Eu particularmente gostei mais de jogar com o Colt, pois controlar Julianna acaba não agregando muito sentido para a campanha. Acaba sendo um modo opcional e muito bem-vindo, mas que no geral é dispensável em termos de história. A boa notícia é que a experiência online está bem satisfatória já na fase de pré-lançamento, que foi o momento que testei o jogo para esta análise. Vamos ver como será quando milhares de pessoas estiverem conectadas aos servidores simultaneamente, mas as primeiras impressões foram positivas.

Já se tratando de aspectos técnicos, os gráficos estão belíssimos, mas não são 100% realistas e herdaram um pouco daquela estética cartunizada de Dishonored (o que não é um problema). Tudo roda a 60fps constantes e o feedback do Dualsense é legal, mas nada que fuja muito do esperado. Os gatilhos possuem pressões diferentes para cada arma, mas o legal mesmo é como usaram o controle para trazer uma experiência mais imersiva de som. As falas de Julianna e de qualquer arquivo de áudio saem do controle, assim como os efeitos sonoros das armas; não é nada inovador, mas é um detalhezinho bem legal.

Deathloop superou minhas expectativas e falo com tranquilidade que é o melhor jogo da Arkane Studios. É um Dishonored tunado, com gameplay melhorado, uma campanha não linear super viciante e um multiplayer perfeitamente encaixado no contexto do jogo. Seja para quebrar ou proteger o loop, é diversão garantida para todos que forem ousados o bastante para encarar este ciclo de morte.

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