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Como é bom revisitar um clássico de survival horror. Ainda mais com o trabalho minucioso da canadense Motive Studio, subsidiária da Electronic Arts. Vale lembrar que o Dead Space de 2008, feito na época pela EA Redwood Shores (atual Visceral Games), é fantástico até os dias de hoje. O remake chega muito tempo depois, mas acredito que no momento certo e aproveitando todos os recursos da engine Frostbite.

O legal desses remakes é que, diferente dos remasters, são feitas mudanças na estrutura original do game, aprimorando toda a experiência. E as mudanças em Dead Space foram muito bem pensadas, indo além dos gráficos: retrabalharam o áudio, o level design, a iluminação e até o gameplay. Se você nunca jogou Dead Space na vida, a hora é agora! O mesmo vale pra quem jogou o original e pirou com este terror espacial.

Fazendo um rápido resumo, a trama coloca o jogador nas botas do engenheiro Isaac Clarke, um integrante da equipe de manutenção da USG Kellion. Respondendo à um pedido de socorro eles pousam na espaçonave mineradora USG Ishimura, onde são atacados. O sistema de quarentena está em pane, quase todo mundo morreu e sua namorada, a doutora Nicole Brennan, está desaparecida. O pacote completo da desgraça. Os Necromorfos, como é chamada a ameaça alienígena, são corpos infectados que se transformam em criaturas mortas-vivas. Junto de uma série de problemas pra resolver e eventos inesperados, Isaac terá muito trabalho para sobreviver.

Dead Space
Isaac não tem descanso nem na gravidade zero

Sobrou pro engenheiro resolver

Dead Space ficou bastante popular por conta do seu gameplay, que promove o desmembramento dos inimigos. A cortadora de plasma, sua primeira arma, é tão maneira que você a usará durante todo o jogo. Mas não pense que uma perna, um braço ou cabeça a menos será o suficiente para matá-los. Os Necromorfos são persistentes, te surpreendem a todo momento e, ao avançar pelos 12 capítulos, novas criaturas dão as caras forçando o jogador a explorar novas táticas de combate.

Isaac conta com estases para desacelerar temporariamente os inimigos e arremessar objetos neles, bem como 7 armas distintas com tiro primário e secundário e upgrades para habilitar com o uso de nódulos de energia encontrados pelo jogo (ou comprados em uma loja). Com recursos escassos, é comum se ver optando pelo uso de algumas armas favoritas, enquanto melhora as outras conforme a possibilidade. O protagonista ainda pode dar golpes e pisões, uma alternativa para poupar munição (ou quando acabar mesmo).

O traje espacial de Isaac também recebe upgrades ao longo da aventura, cujo level abre novas melhorias como mais saúde, maior duração do estases e oxigênio. Opções não faltam, mas já deixo avisado: não tem como destravar tudo jogando a campanha só uma vez. Mesmo que você faça as inéditas missões secundárias, que dão recompensas extras e expandem a lore de Dead Space com mais detalhes sobre a infestação dos Necromorfos, você terá que escolher muito bem no que gastar seus créditos e nódulos de energia. Ou torrar créditos extras pra resetar as melhorias e preenchê-las de outra maneira.

Dead Space
Morra, bicho gasoso!

O mesmo Dead Space, só que melhor

O remake segue a mesma campanha de 2008, trazendo algumas mudanças interessantes como voz para o protagonista (que era mudo no game original), cenas animadas de formas diferentes e mais cinematográficas (inclusive ao encontrar uma nova arma), novos diálogos, level design retrabalhado com ambientes mais amplos, e as missões secundárias com áreas inéditas. Isso é o suficiente para aumentar a duração para cerca de 15 horas, explorando sem pressa e também morrendo várias vezes.

Visualmente, o remake impressiona demais. As texturas, a iluminação, os efeitos de fogo e fumaça, o realismo do sangue, foi tudo cuidadosamente refeito para deixar o conjunto da obra ainda mais atmosférico. Há inclusive novos efeitos visuais, como fagulhas que iluminam o ambiente durante sua trajetória e que também respondem fisicamente aos objetos. Os inimigos então, nem se fala: suas entranhas e ossos, antes ou depois do desmembramento, estão mais detalhados, orgânicos e assustadores.

Se a física no Dead Space original já era boa, ficou ainda melhor na Frostbite. Você pode destruir praticamente tudo, além de mover as coisas com estases como bem quiser. Outra mudança bem vinda: o trêm (de viagem rápida) deixou de ser uma tela estática de loading para acontecer em tempo real passando pelas paradas do sistema de transporte da Ishimura, mesmo que você tenha que esperar um pouco mais no deslocamento de uma ponta à outra da espaçonave.

Dead Space
Pausa pro basquete espacial

Uma experiência renovada

Mesmo lembrando da história, dos chefões e do final, o remake de Dead Space me trouxe uma experiência diferente, praticamente nova. Os momentos mais importantes da trama são apresentados de um jeito diferente, mais impactante. A adição de um novo quebra-cabeça com circuitos de energia, reprisado em alguns momentos da aventura, oferece ao jogador a liberdade de escolher a ordem dos objetivos a serem concluídos – além de trazer consequências, como o corte da luz.

Outra coisa que notei foi que a minha atenção com a história estava muito maior, especialmente pelo retorno de Gunner Wright na voz de Isaac – ele dublou o protagonista em Dead Space 2 e 3. A atualização dos objetivos vem acompanhada de diálogos com outros personagens, dando um breve fôlego após os combates. E a lore segue espalhada por logs de texto e áudio, aprofundando a loucura que dominou a tripulação.

Com o resultado deste remake, pode ter certeza que Dead Space 2 virá em pouco tempo para a atual geração. Ainda mais se a Motive manter este padrão de fidelidade na reprodução, sem mudar nada drásticamente – como vem acontecendo nos remakes de Resident Evil. E olha que adicionaram um final alternativo, heim! Recomendo fortemente, pra jogar no escuro e com fone de ouvido para melhor ambientação. Uma obra-prima imperdível para os fã de survival horror e que, assim como eu, adora ficar tenso enquanto joga.

Imagem de The Thaumaturge

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