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Levanto a besta, miro e atiro. Já guardei a posição da maioria das criaturas noturnas que me aparecem, o que facilita um pouco os primeiros 40 segundos de combate. Eles aparecerem de forma lenta em Crossbow: Bloodnight também ajuda, já que em pouco tempo o ritmo vai aumentar e esse controle se perderá para dar lugar ao desespero.

Neste exato momento que vos escrevo, estou me levantando novamente na praça principal, onde a ação rola sem freios. Não tenho muito tempo a perder e estou tentando proteger toda uma população que dorme tranquilamente, já que a noite será longa e cheia de perigos. Por quanto tempo eu conseguirei me manter assim? Nem eu sei, mas se eu falhar, não tem problema. Basta levantar novamente.

Seres da escuridão

Criaturas das trevas como zumbis, lobisomens, vegetais esquisitos que cospem morcegos sedentos por sangue são os responsáveis por dar o tom em Crossbow: Bloodnight. Ao menos no primeiro minuto de sua aventura. Vou ser sincero com você, dificilmente você passará disso sem qualquer treinamento ou preparação. Cace, morra e cace novamente é o lema por aqui.

E é exatamente assim que você será impulsionado pelo jogo. Em suas mãos, apenas uma besta com três ataques distintos e uma habilidade que permite desviar com mais agilidade que seus movimentos comuns. “E o que mais, Diego?”, deve estar se perguntando enquanto lê. Mais nada, meus caros leitores. Um boa sorte é tudo que te desejam enquanto você não alimenta os demônios do submundo.

Imagem do review de Crossbow: Bloodnight
A única coisa que sobrará para você é a sorte.

Em relação ao background da história, não temos muito enredo para ficar enrolando nem interrompendo enquanto você se alimenta da matança. O jogo se passa no ano de 1139, onde o Segundo Conselho da região de Latrão, na Roma, proibiu e amaldiçoou o uso das bestas. Eles afirmaram que seu poder imparável não é visto com bons olhos por Deus, demoníaco por natureza. Porém, quando os seres da noite aparecem, é a única arma que vai impedir eles de atacarem o resto do povo.

Isso aparece ainda na introdução antes do menu inicial e o resto é você quem determinará. Com o decorrer do tempo, você conseguirá novas formas para a sua besta e isso ajudará um pouco mais perante as hordas que aparecem para te abater. Uma delas, inclusive, dá vários detalhes brilhantes, invoca flechas divinas e tudo mais, varrendo tudo que estiver em seu caminho. E diga-se de passagem que não é a única.

Imagem do review de Crossbow: Bloodnight
Você está na Roma, defendendo-a dos monstros sombrios.

Nos primeiros momentos de jogo, eu tive uma vontade absurda de desistir de Crossbow: Bloodnight. Os morcegos ficam te seguindo e atacando enquanto outros demônios aparecem. O lobisomem se move na velocidade da luz, em um momento ele tá longe e no outro já está no seu cangote. Tem uma hora que você abre mão do planejamento e vê tantos monstros que só sai atirando torcendo para nenhum aparecer por trás de ti.

A dificuldade extrema, porém, tem um fundamento. O jogo de sobrevivência tem um placar online, qual mostra aqueles que foram mais longe durante sua jornada. Por exemplo, neste exato momento, eu sou dono do nono melhor timing de todo o mundo, com 79 segundos de vida dentro dali. O primeiro colocado está com um pouco mais de 110s, para terem uma ideia.

Esse ranking é atualizado automaticamente a cada partida, então não duvido que da próxima vez que o ver eu possa estar fora do top 10. E, apesar do jogo se resumir apenas a isso, este desafio de sempre se superar e atingir posições melhores entre os melhores do mundo é o que te motivará a caçar novamente e fazer mais uma rodada. Se perder, o que levou além de um pouco menos ou mais de um minuto?

Imagem do review de Crossbow: Bloodnight
Nono lugar no ranking mundial não é tão mal, certo?

Cadê tempero em Crossbow: Bloodnight?

Outra coisa bacana é que, com a experiência, você já começa a pegar os macetes e passa a falsa sensação de que está tudo sob controle. Com os padrões que vi nas primeiras partidas, eu já começava o jogo mirando exatamente onde apareciam os primeiros três monstros. Acertar a criatura que despeja os monstruosos morcegos em seu olho permite matá-lo antes que os libere. Aí você se sente dominando o game.

Mas como eu disse acima, esse sentimento que Crossbow: Bloodnight passa é completamente falso. Quando começam a aparecer cinco monstros a cada cinco segundos, quem será melhor, as suas habilidades ou o seu controle emocional? Porque, meu amigo, quando tudo isso surgir e você não matar um monte a cada tiro, não durará uns dois segundos, dou três se ainda conseguir recobrar seu foco. Um piscar de olhos já é o suficiente para te matar por aqui.

Imagem do review de Crossbow: Bloodnight
Quando domina o ritmo, as criaturas nem surgem e você já as matou.

Um dos únicos fatores negativos que encontrei no título é o fato de que o modo portátil dele é completamente injogável. O ser humano precisa basicamente do Ultra Instinto do Goku, de Dragon Ball Super, para ver tudo que rola e responder à altura usando a tela menor e os joy-cons. Falando neles, mesmo jogando na TV, se você não tiver um Nintendo Switch Pro Controller, além de não passar para outros estágios, ganhará raiva como recompensa.

E não digo em relação aos gráficos ou a jogabilidade, ele não perde tanto assim nestes quesitos. O problema maior é os pequenos comandos do seu joy-con, qual conhece melhor do que ninguém. Ele pode impedir jogos de ação, que exigem uma resposta mais precisa em tudo, de agir como deviam. Se você tiver com problemas de drift, esquece e vai jogar outra coisa. Ou você vai piorar o defeito ou o defeito vai piorar você.

Imagem do review de Crossbow: Bloodnight
Piscou e os lobisomens já estão em cima de você para matar.

Apesar de ser “pedir demais”, também fiquei triste ao ver que nas opções de Crossbow: Bloodnight não tem ao menos um modo para utilizar o sensor giroscópico do console. Seria um grande diferencial e aproveitaria ainda mais a plataforma, ajudando um pouco na dificuldade que a ação apresenta.

Mesmo que, de cara, você não ache o jogo divertido, dê uma chance com uma nova partida. As várias mortes no início servirão para descobrir os padrões, testar os comandos, ver o timing de tudo e poder dar o próximo passo na matança. Como expliquei, de início não fui nada com a cara, no fim estava comemorando estar sobrevivendo por 79 segundos e sendo impulsionado ao 9º lugar.

Com um visual vitoriano e de simples aprendizado, caberá a você defender Roma enquanto sua caçada recomeça a cada partida. Só isso decidirá quem reinará supremo na arena, a sua besta ou as criaturas das trevas que o encaram. Ainda que não traga novidades ou nenhum elemento especial para dar aquele tempero, Crossbow: Bloodnight vai te cativar a cada ressurgimento pela sua simplicidade enquanto traz desafios difíceis de confrontar.

Imagem do texto de RKGK

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