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Crime O’Clock, da Bad Seed, chegou no finalzinho do semestre para o Nintendo Switch, entregando uma experiência que mistura o saudoso Onde Está Wally? com o interessantíssimo board game MicroMacro, lançado pela Galápagos. Você precisará de olhos afiados para resolver mistérios e prevenir os crimes em mapas muito bem ilustrados.

Abusando da direção de arte, que faz um trabalho impecável na caracterização dos personagens e situações, o jogo lançado pela Just For Games é a prova de que os jogos podem ser a porta de entrada para qualquer pessoa que busca por um bom entretenimento, com muitas horas de diversão ao solucionar os casos mais divertidos e bizarros.

We have to go back!

Numa primeira análise, Crime O’Clock pode até parecer um jogo casual, em que você viajará por diversas eras para investigar casos que ocorrem numa grande área. Com o apoio de EVE, uma inteligência artificial que acompanhará sua jornada, vamos viajar na linha temporal dos misteriosos acontecimentos para solucionar crimes em 40 histórias diferentes e começar a perceber que o jogo não é tão casual como parece, oferecendo uma narrativa de fundo e conectando os pontos.

Crime O'Clock
Aos poucos vamos descobrindo mais sobre os vilões da Linha do Tempo

Prepare-se para viajar da Era Perdida, com maravilhas místicas e tecnológicas, passando pela Era do Vapor e Atlântida, com seus cristais mágicos, para chegar aos dias de hoje, com e avançar até a Era Neon, com luzes brilhantes e corporações inescrupulosas. Destaque para a Era da Informação, em que os desenvolvedores retrataram sua cidade natal, Milão, trazendo diversos edifícios icônicos como, por exemplo, a Catedral de Milão, o Castelo Sforzesco e a Última Ceia.

Com a missão de preservar a linha principal da história, percebendo que existem influências externas para todos os acontecimentos, com a presença de cinco vilões diferentes, mergulhamos em paisagens ilustradas em preto e branco, aproximando ou afastando a câmera para vasculharmos detalhes num mapa rico em elementos. Criando uma imersão muito boa e dando aquela sensação encontrada em desafios de lógica, vamos retroceder ou avançar o tempo para fazer com que o mapa siga seu fluxo e trilhemos os acontecimentos.

Contando com o apoio de Eve, através do ícone de lupa controlado por nós, vamos localizando cada etapa do crime e marcando com imagens, estilo fotos polaroid, anotações, tracejados e elementos que preencherão o mapa com cores. Essa mistura do estilo de arte monocromática com as provas da investigação em cores vivas dão um ar ainda mais legal ao visual do jogo.

Crime O'Clock
Crimes e mistérios com muitas referências e humor em todas as histórias

Tudo bem que muitas vezes são tantas anotações que podemos nos perder um pouco, além dos acontecimentos ficarem cada vez mais complexos com o avançar do jogo a ponto de não seguirmos apenas um possível local em que o suspeito poderia estar, mas sim tendo que buscar pequenos elementos num mar de informações. Ainda bem que EVE oferece um sistema de até três dicas, dentre os momentos de um a dez em que viajamos num mesmo caso, para facilitar.

Temos um xeroque rolmes aqui!

Além da narrativa e mecânica base para investigação, Crime O’Clock também oferece pequenos minigames para quebrar momentos mais monótonos. EVE oferecerá sua tecnologia para você escanear superfícies, hackear celulares, identificar e rastrear suspeitos, num total de 10 funções que vão sendo desbloqueadas com a evolução da IA que nos acompanha, oferecendo novos recursos para as investigações.

Fiquei surpreso com a criatividade dos desenvolvedores ao fazer com que a investigação quebrasse a barreira plana do mapa que precisamos investidar, passando a buscar por itens que estão dentro de algum lugar ou até mesmo o desbloqueio do escaner de EVE, que nos ajuda descobrir se estamos investigando a área correta do mapa. No entanto tive alguns problemas com a precisão da lupa, tendo que ajustar a posição dela ao selecionar algum elemento.

Crime O'Clock
De longe o meu minigame prefereido entre os 10 disponíveis com a EVE

Infelizmente mesmo com cinco áreas diferentes, o estilo de gameplay acaba criando um looping repetitivo em pouco tempo. A criatividade e a proposta casual, impulsionados pela nostalgia de quem viveu o tempo dos livros e revistinhas de lógica, logo acaba e passa a ser cada vez mais tedioso seguir atrás das soluções.

Mesmo com toda imersão criada, inclusive com uma trilha sonora que consegue trabalhar a características das eras com um “quê” misterioso em sua composição, o jogo peca em quebrar a monotonia. Talvez se a Bad Seed tivesse pensado em trabalhar com animações ou até mesmo dublagem, ao invés do desenrolar da narrativa e acontecimentos em textos, Crime O’Clock pudesse ter um andamento mais dinâmico e não se apoiaria tanto em EVE para isso.

No fim, a experiência em vivenciar um papel investigativo por mais de dez horas de jogatina acaba trazendo bons momentos de diversão, muita satisfação em criar uma linha de raciocínio e ser recompensado com um resultado positivo, além de curtir uma boa direção de arte. Com baixo desafio e localizado para PT-BR, este jogo pode ser facilmente jogado em família ou entre amigos, mesmo sem o suporte do modo multiplayer, para unir mentes brilhantes contra o crime.

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