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A expansão do gênero soulslike é algo muito bem-vindo, especialmente com aqueles títulos que trazem mais leveza ao estilo de jogo iniciado pela FromSoftware. Uma das maiores barreiras em um soulslike é sua dificuldade, e Asterigos: Curse of the Stars é um jogo que traz elementos do gênero, mas não o pune ao ponto de fazê-lo desistir da jornada. A vantagem é que isso traz novos jogadores por ser casual, mas afasta os entusiastas.

Em busca de seu pai desaparecido, Hilda precisa desbravar um mundo mágico e cheios de mistérios, construído com as mitologias grega e romana como inspirações. Ela conta com o auxílio de vários NPCs que conhece durante essa jornada, e que a ajudam a passar pelos desafios de cada região que o game oferece.

Narrativa que dá sono

Essa é a premissa do jogo. A história que é aparentemente simples se desdobra de forma lenta e entediante, com muitos, mas muitos diálogos que não combinam com o gênero soulslike. Existe uma quantidade enorme de documentos espalhados pelos lugares, além dos Ecos, vestígios de acontecimentos daquela determinada localização, ou seja, mais conversas.

Asterigos: Curse of the Stars
Essa é uma das pouquíssimas cutscenes do jogo

Depois de completar o início do jogo, que funciona basicamente como um tutorial, você se depara com um chefe bem difícil de ser derrotado, perde e vai para o hub do jogo chamado de Abrigo. Lá ficam as pessoas que o ajudarão, e será o local onde você irá melhorar suas armas, comprar itens, repor itens que estão armazenados e conversar com NPCs que você resgatou em suas missões.

O Abrigo é desnecessariamente grande, com dois pisos e uma ampla área para andar. Existem diversos NPCs espalhados pelo lugar, mas não podemos interagir com a grande maioria deles. Entre todos os NPCs no Abrigo, um deles é o mais importante: Minerva é a pessoa que nos conta mais sobre a história daquele lugar, além de ser a responsável por entregar as missões que devemos fazer.

Nesse sentido, tudo é muito simples: existe uma mesa central onde você pode ver o mapa e as missões disponíveis, basta aceitá-las e ir atrás de cada uma. O jogo não dá qualquer pista sobre onde temos que ir, com quem temos que falar, ou qualquer coisa do tipo. Isso é bem comum em jogos soulslike. Para mim é uma vantagem, mas pode ser algo ruim para quem não está habituado, sem dúvida.

Asterigos: Curse of the Stars
Asterigos: Curse of the Stars tem belas paisagens

Vai e volta exagerado no início

O problema mesmo é que o level design é bem confuso, com muitos trechos que se parecem bastante nos diferentes ambientes que o jogo oferece. Tenha em mente algo importante: assim como o primeiro Dark Souls, Asterigos: Curse of the Stars demora bastante para nos entregar o recurso de viagem rápida, nos forçando a fazer o famoso backtracking, aquele vai e volta pelo mesmo lugar por várias vezes.

A viagem rápida só é liberada depois de cerca de 7/8 horas de gameplay. Durante as três primeiras grandes missões, o equivalente a fogueira em Dark Souls só nos cura, resentando os inimigos da área. Esse começo é bem cansativo pelo tanto que é necessário andar em um level design confuso. As diferentes fases até contam com atalhos facilitando um pouco o backtracking, mas os ambientes são muito grandes e desinteressantes.

Um exemplo bem básico para ilustrar a situação: você está próximo do chefe, juntou muita matéria prima para melhorar seu equipamento, e usa o item que o teletransporta para o Abrigo. Vai até o ferreiro, melhora suas armas e precisa fazer o caminho tudo de novo até o chefe o qualquer lugar que você tinha parado de avançar. Se você não abriu qualquer atalho, se prepare para se perder e andar muito. Essa questão só é resolvida depois das primeiras missões e quase 10 horas de jogo.

Asterigos: Curse of the Stars
Existe muita exploração, mas tudo é muito vazio e cansa com o tempo

Combate simples, mas que funciona

Pelo menos Asterigos: Curse of the Stars entrega um bom combate, “leve e dinâmico”, nas palavras dos desenvolvedores. É possível atacar normal, usar ataque forte, rolar, e usar habilidades. Hilda pode carregar duas de suas seis armas. Uma fica como a principal e a outra como uma arma secundária. Fora que é possível usar quatro elementos diferentes: gelo, raio, fogo e um elemento neutro imbuídos nas armas.

Por toda minha experiência, eu usei as adagas como armas principais e o cajado para atacar com magia a distância. O jogo ainda oferece lança, martelo e espada e escudo. Cada uma dessas armas oferecem uma grande quantidade de habilidades e isso deixa os combates bem dinâmicos. Ao subir de nível, você recebe pontos para melhorar a árvore de habilidades da suas armas favoritas. E são muitas. É necessário um new game + para destravar tudo.

Os combates fluem bem, tem um bom ritmo, a esquiva tem o “iframe” preciso (aquele quadro de invencibilidade necessário para desviar sem tomar dano), mas a reação ao dano, aquele feedback necessário para saber se você apanhou ou não, por vezes falha. A IA dos inimigos desliga, eles param de atacar do nada, e isso acontece várias vezes. Eles também desistem de procurar por você com muita facilidade. Eu sou um entusiasta de soulslike e achei o jogo bem fácil, mas acredito que essa era a intenção dos desenvolvedores.

Asterigos: Curse of the Stars
As batalhas, sem dúvidas, são o ponto alto do jogo

Asterigos: Curse of the Stars é um soulslike casual

Asterigos: Curse of the Stars tem bons gráficos, com estilo artístico mais caricato, com belos cenários variados. Simples, mas funciona bem. As animações de Hilda são bem feitas, desde correr, atacar, escalar, tudo é muito fluido. O único ponto negativo nesse quesito é que o jogo quase não tem cutscenes animadas, e as conversas acontecem com os personagens parados e sem qualquer expressão facial. Por ter tantos diálogos, poderiam ter dado mais atenção na forma como eles acontecem.

Eu sei que existe a liberdade criativa na criação de um jogo, seja ele qual for, mas se você se propõe a ter como base os elementos consolidados em um gênero, o mais ideal seria segui-los. A forma como a história de Asterigos: Curse of the Stars é contada é um dos grandes pontos fraco do jogo. Será necessário ignorar essa parte, caso você queira uma gameplay mais focada em combate e exploração, esta última por si só já é trabalhosa nesse jogo.

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