Skip to main content

A chegada de Assassin’s Creed Mirage representa um novo reinício para a franquia, fazendo com que a Ubisoft dê uma freada no seu avanço com os sistemas de ampla exploração e a mecânica de RPGs para voltar às raízes daquilo que consagrou sua obra. Ou seja, um mapa menor e mais limitado com um gameplay que trouxesse mais da furtividade e da “grande missão” dos auto-proclamados Antigos/Irmandade.

Acompanhando o jovem Basim, nós vemos como um infame ladrão saiu da sua vida de pequenos furtos para enxergar toda a corrupção e desordem que afundava Bagdá – o local onde passou a maior parte de sua vida. Para completar sua tarefa, ele treina com Roshan para atingir o seu objetivo de acabar de uma vez por todas com o que faz mal para a sua terra e conterrâneos – assim como descobrir a grande verdade por trás de sua misteriosa origem.

A premissa é simples: fazer muito parkour pelas ruas de Bagdá, assassinar seus alvos com toda a sua furtividade e explorar mais deste novo capítulo que está se formando pelas mãos da Ubisoft. Após três anos desde o lançamento de AC Valhalla, as expectativas são grandes demais e é óbvio que o público está ansioso para ver se a produtora cumpriu com a sua missão de retornar para toda a sua glória.

Os tempos dourados voltaram, mas até demais

O grande mal em Assassin’s Creed Mirage

Direto como uma flecha e certeiro como uma lâmina oculta, não vou perder o tempo de vocês e responder sua maior dúvida. Sim, caros leitores, Assassin’s Creed Mirage é um grande retorno às suas origens. Porém, para ser bem honesto a Ubisoft perdeu um pouco a mão no quesito nostalgia e voltou “até demais”. Para você ter uma ideia melhor, eles se inspiraram tanto nos games antigos que parece, literalmente, que retornei para a geração PlayStation 3 e Xbox 360.

Infelizmente, não falo isso em tom positivo. O game tem seus bons aspectos, como o fato de ser visualmente magnífico e pelo arsenal de opções que Basim carrega por toda a aventura. Nisso, não tenho nem do que reclamar da Ubisoft e trouxeram uma experiência marcante ao que diz respeito aos elementos principais da franquia e à proposta de retornar aos bons tempos – quando a Irmandade ainda importava.

Aparência não é tudo

Porém, o erro de Assassin’s Creed Mirage está em quase todo o restante da obra. Se eu pudesse chutar em algo, diria que “faltou inspiração”. Há anos que não vejo NPCs tão robóticos e sem carisma como eram na época de The Elder Scrolls V: Skyrim. Isso em 2011. Nem parece que neste meio-tempo tivemos diversas obras, incluindo outros jogos da saga, que fizeram isto de forma extremamente mais competente e honesta.

Eu joguei Odyssey em 2018 e me questionei onde foi parar todo o carisma e charme de todos os NPCs que compõem ou não a história. Seus movimentos, respostas totalmente aleatórias e que não fazem sentido algum dentro do roteiro – como o lojista que fala “que bom te ver” e eu pensei “ué, mas é a primeira vez que eu paro por aqui…” e outros aspectos vão quebrar toda a profundidade com seus diálogos mais rasos possíveis.

Alguns NPCs tem a personalidade de uma pedra

Outro fator importante de se notar em Assassin’s Creed Mirage é a quantidade de vezes que te pegam pela mão para ensinar algo ou fazer com que acompanhe alguém – em ritmo de câmera lenta, diga-se de passagem – enquanto explicam algo que poderia ser inserido dentro da experiência de diversas outras formas possíveis. Perdão se isso parece implicância, mas acredite, não é. Você ver uma vez, duas, até que está dentro dos padrões. Porém, chegar próximo ao fim e ainda ter gente insistindo em caminhar para explicar algumas coisas chega a ser bem chato.

E eu digo isso tudo com certo pesar, até porque também estava ansioso por este novo recomeço proposto pela Ubisoft. Além disso, é óbvio que, como joguei ele antes do lançamento e do patch de “Day One”, também passei por alguns bugs e glitches – porém, nada de tão grave que comprometesse a minha aventura ou me incomodasse muito a ponto de vir reclamar sobre o assunto. Acredito que uma atualização em seu lançamento – amanhã – possa resolver ao menos esta questão.

A sorte é que nem todas as missões são acompanhadas

Para lá de Bagdá

Em contrapartida a todos os pontos citados acima, Assassin’s Creed Mirage me surpreendeu positivamente em diversos outros quesitos. Um deles foi a abordagem e todo um cuidado com a cultura de Bagdá e do Oriente Médio. Realmente deem os créditos aos especialistas que auxiliaram em toda a temática, porque foi belo de se apreciar e também de se reparar em diversos detalhes. Um exemplo disso é que mesmo dublado em português, algumas expressões eles mantiveram em sua linguagem original e isso foi muito bacana.

O mesmo vale para os trajes, ruas, palácios, portos e inclusive todas as construções que você enxerga durante a exploração do mapa. Até mesmo alguns recursos presentes por lá chamam a atenção do público, como no meio da luta você dar um golpe de espada em um saco que está em algum canto para espalhar uma verdadeira nuvem de tinta – qual permite uma outra abordagem em combates que você poderia estar levando a pior.

A cultura é amplamente explorada, o que é ótimo

São coisas que, reparando nos pequenos detalhes, vão te encantando e fazendo com que esqueça parte dos problemas apenas para conhecer mais do que está vendo. Fora a missão principal, que dá uma boa visão de como é viver no Oriente Médio, também há as missões paralelas com os Contratos e Contos de Bagdá em Assassin’s Creed Mirage. Nelas você conhece mais de seu povo e de suas celebridades daqueles tempos – além de ver algumas referências que nos acompanham até os tempos atuais, como o surgimento dos números como os conhecemos na Casa da Sabedoria.

A narrativa envolvendo Basim também é outro ponto que chama a atenção, trazendo algumas discussões como a forma como lidamos com o nosso próprio passado e como isso nos impacta nas ações do presente. Não darei spoilers para vocês de onde isso o levará, mas é uma jornada interessante e que se conecta bem aos outros capítulos que o protagonista já apareceu dentro da franquia.

Basim é muito bem explorado, representando um ótimo protagonista

O sistema de combates foi simplificado, dando ao jogador mais opções de derrotar seus maiores oponentes usando as sombras como as suas aliadas. Bomba de fumaça, armadilhas mecânicas, dardos, adagas com funções distintas te ajudarão bastante e serei bem honesto: quase não senti dificuldades do seu início ao fim. Quando passei por apuros, foi por ter cometido gafes no stealth ou ter me despreocupado em momentos que não devia. Os combates não são tão punitivos, mas te pressionarão mais.

Um único ponto que merece ser citado nestes combates é a quantidade de “brilho” que existe durante os confrontos. Se você estava focando antes de entrar em uma batalha, os personagens se mantém na cor vermelha – independente de já ter saído do sistema. Só que isso te atrapalhará, já que eles podem desferir dois tipos de movimento que trazem cores diferentes para isso e muitas vezes essas coisas se misturam. Isso pode soar confuso na escrita, mas acredite, no próprio jogo é pior ainda.

Ainda assim, Assassin’s Creed Mirage me ganhou também nas principais missões de assassinato – preparadas com todo o glamour que se exigem e cujas informações obtidas realmente fazendo a diferença para o público. Há uma em particular, qual não citarei muito para evitar spoilers, que você descobre que não está em sua mansão. O que fazer? Eu simplesmente fui para lá, explorei todo o lugar com antecedência e sem a presença de muitos guardas para esperar anoitecer e ela chegar. No seu momento de “repouso”, um alvo acabou sendo cortado da minha vasta lista de malfeitores.

Às vezes a estratégia será mais forte que sua lâmina

As areias do tempo

É importante também conversamos sobre o tempo de duração da experiência, que é de aproximadamente 20 horas. Às vezes você precisará de um pouco mais, completando tudo para obter todos os troféus ou conquistas. No entanto, só zerar a sua história e realizando os contratos / Contos de Bagdá não te dão uma perpsectiva muito distante desta longevidade que citei acima. E isso pode ser muito bom ou ruim, dependendo da ideia que você tem ao se iniciar a aventura.

Para aqueles que mal tem tempo e vão degustar de Assassin’s Creed Mirage aos poucos – pode ser um prato cheio. Explorar o mapa, descobrir segredos e até encarar alguns desafios mais pesados se tornam prazerosos para os de ritmo mais tranquilo. No entanto, se você pisa no acelerador e quer fazer tudo o que dá, ele acabará deixando aquele gosto amargo de “quero mais”. O mapa, por exemplo, não é tão grande e se você usa a Viagem Rápida te poupa ainda mais minutos. Não há tanto assim a ser feito, as missões principais são detalhadas ao máximo e evitam que se perca nisso também.

A aventura acaba deixando com um gosto de “quero mais”

Se você chegou até aqui, cedo a minha nobre opinião: para mim, foi ruim. Não porque tinha um prazo pré-determinado para postar este texto ou explorar Bagdá, mas alguns pontos disso implicam sobre o fio narrativo. É uma história direta demais, sem muitos desdobramentos ou surpresas. O maior plot você verá literalmente no fim de tudo e pronto – acabou ali o que tanto esperava. Isso tornou as coisas bem mais simples do que eu esperava e, ao meu ver, não fez jus à toda estrutura e elementos que apareceram nos demais 15 games da franquia.

Alguns chamarão Assassin’s Creed Mirage de uma prequel de Valhalla, o que não estaria tão equivocado de se pensar. No entanto, para a proposta de um recomeço para a franquia e um verdadeiro mergulho nas raízes de seu lore, não acredito que faça jus a todo o barulho que a Ubisoft e os fãs estejam fazendo ao redor dele. Inclusive, ouso dizer que ele é até básico em diversos aspectos. Não temos sequer a trama do “presente” nele, deixando de lado totalmente o aspecto de como isso afetará tudo.

Basim é uma “ponte”, não o novo rosto da franquia

Se você espera um grande blockbuster da produtora e acredita que o título trará um grande retorno a tudo que você sonhava, sinto muito, mas reduza suas expectativas. Ele é um título muito competente, com uma trama bacana e que te trará o melhor da cultura e da história de Bagdá. Basim também funciona como um protagonista decente, o que acaba te carregando com ele até o fim para descobrir como o personagem se tornou aquilo que foi visto em seu jogo anterior. Fora disto, as coisas não se salvam muito.

Assassin’s Creed Mirage é um bom primeiro passo, mas não espere um salto de fé na franquia. Ainda há muito a se desenvolver a partir dele e ele merecia um carinho e cuidado bem maior em sua direção e escolhas – o que eu não esperava vir do cenário cultural e narrativo e fui surpreendido em contrapartida. Talvez tragam mais opções ao longo do tempo, mas no geral ele é apenas um game “ok” em uma geração onde eles poderiam ter alcançado a glória como tinham nas mãos em 2007.

68%


Prós:

🔺 A cultura de Bagdá é muito bem-explorada
🔺 Os combates são um bom misto do simples e complexo
🔺 Missões principais de assassinato têm uma construção sensacional
🔺 Basim é um excelente progagonista

Contras:

🔻 Voltou até demais nas origens e trouxe uma experiência de PS3/Xbox 360
🔻 NPCs completamente fora do espírito do jogo
🔻 As batalhas emitem luzes que podem te confundir
🔻 É curto até demais

Ficha Técnica:

Lançamento: 05/10/23
Desenvolvedora: Ubisoft Bordeaux
Distribuidora: Ubisoft
Plataformas: PS4, PS5, PC, Xbox Series, Xbox One
Testado no: PS5

Review – Ruff Ghanor

Rafael NeryRafael Nery27/02/2024

Review – Penny’s Big Breakaway

Renato Moura Jr.Renato Moura Jr.27/02/2024