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Pense em coisas impossíveis assim como Alice faz durante sua estadia no País das Maravilhas. Pensou? Se uma dessas coisas impossíveis é uma boa adaptação de filme para o mundo dos games, pense novamente, pois Alice do Wii está aqui para provar que coisas impossíveis podem acontecer.

Sabemos que videogame e cinema geralmente não é uma mistura que dá muito certo. Jogos baseados em filmes ou filmes baseados em jogos muitas vezes resultam em experiências estranhas e medíocres. Mas quando o resultado dessa mistura dá certo ou pelo menos sai acima da média, ele merece citação. É o caso do game Alice in Wonderland. O jogo é totalmente baseado no recente filme de Tim Burton que por sua vez é uma adaptação das obras literárias de Lewis Carroll.

Bem, dizer que o filme é uma adaptação do livro para o cinema seria injustiça. O filme na verdade é uma licença poética sem tamanho, criando seus próprios caminhos e soluções para dar vazão a trama principal. Mas independente disso, é um filme de Tim Burton. E um filme de Tim Burton é sempre, ao menos, peculiar e extremamente visual. Mais um motivo para que uma adaptação aos jogos esteja fadada ao fracasso, sendo muito difícil fazer a transposição dos detalhes e riqueza criados pela equipe conceitual do filme para o jogo por outra equipe. Incrivelmente, isso não acontece aqui. Alice para Wii é um game visualmente bonito, podendo ser comparável com jogos AAA para a plataforma da Nintendo. O game consegue absorver a maluquice e genialidade criada por Burton de forma competente na maior parte do tempo.

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Por falar em história, ele segue mais ou menos a risca a história contada pelo filme com algumas adaptações por motivos de interatividade e melhor andamento da história no jogo. Mas todos os acontecimentos e personagens do filme estão lá. As vozes dos personagens seguem uma direção artística que simula os famosos que atuaram no filme original, dando uma qualidade realmente boa aos diálogos que acontecem tanto nas cutscenes quanto durante as ações do jogo. E olha que não são poucos os diálogos e interações entre os personagens durante o jogo.

Durante o jogo você controla os aliados de Alice que os segue como uma personagem coadjuvante. O objetivo do jogo basicamente é ajudar a “quase Alice” a se transformar na “verdadeira Alice”. Para isso ela deve encontrar uma espada e armadura especial para matar o temível Jabberwock (uma espécie de dragão do mal controlado pela rainha vermelha). Simples assim. No geral a mecânica da jogabilidade é bem simples, mas o bacana é que você controla no total cinco personagens: o coelho branco, o ratinho Mallymkun, o gato Cheshire, o coelho March Hare e o Chapeleiro Maluco. Cada um desses personagens têm características e habilidades específicas, por conta disso o jogo consegue sustentar seu interesse até o fim, já que até o final da aventura o jogador vai coletando novos poderes e habilidades para seus personagens, o que diversifica a jogabilidade.

Um exemplo dessas boas soluções e variáveis na jogabilidade é o fato de que no começo do jogo você pode controlar apenas dois personagens, o coelho branco e o ratinho Mallymkun. O coelho já inicia o jogo com a habilidade de controlar o tempo, podendo ajudar Alice a resolver os primeiros puzzles do game para avançar na história. Mallymkum é o personagem valente do jogo, embora seja o menor dos personagens ele é o mais brigão e sua característica principal é agilidade em batalha. Durante os primeiros labirintos da fase inicial você percebe puzzles espalhados pela tela que exigem outros tipos de magias e habilidades, o que revela que outros personagens serão adicionados ao longo da aventura e novos poderes serão habilitados. O que não demora a acontecer com a chegada do March Hare e seu poder de telecinese, depois temos o Chapeleiro com sua habilidade de perspectiva (que aliás resulta nos puzzles mais bacanas e visuais do jogo) e por fim o gato risonho com a capacidade de invisibilidade.

No geral os puzzles são fáceis, mesmo porque o jogo foi projetado para crianças, mas não deixam de ser inventivos e gratificantes. O sistema de batalha pode ser o fraco do jogo. Embora bem elaboradas, as batalhas acontecem com muita freqüência o que pode cansar depois da primeira metade do jogo. Entretanto, ao adquirir novas habilidades fica fácil resolver as lutas contra os soldados vermelhos de forma rápida e sem muito esforço. O design das telas e seus desafios são consistentes até o final e as conquistas adquiridas durante o jogo (como acontece em jogos de xbox, por exemplo) liberam conteúdos do filme e criam um valor de replay interessante para os mais empenhados.

O jogo oferece ainda um modo multiplayer muito bem montado e simples. Basta o segundo jogador apertar o botão 1 e pronto, já estará na tela com um dos cinco personagens ajudando seu parceiro. Aqui não há limites, tudo que um pode fazer o outro também pode e como um não pode selecionar o mesmo jogador selecionado pelo outro jogador, o desafio e a cooperatividade ficam mais interessantes exigindo diálogo entre os jogadores. Se o segundo jogador cansou de jogar ou precisar ir ao banheiro, sem problemas, basta sair da aventura sem loadings ou constrangimentos para o primeiro jogador.

Alice in Wonderland é um jogo bem pensado que toma emprestado de vários outros jogos do gênero, mas que de certa forma consegue ter um ar original e não faz mau uso do material original do filme. Muito pelo contrário, eu diria que este jogo é voltado para os fãs do filme e dos personagens deste universo. Se você não se interessa pelo mundo maluco de Alice, nem pelo trabalho de Tim Burton e nem por jogos mais casuais, este jogo não é para você. Mas se você gostou do filme ou quer presentear seu filho, sobrinha, enteado ou afilhada com uma aventura leve, divertida e despretensiosa, este game é para vocês.

Imagem do texto de RKGK

Review – RKGK / Rakugaki

Marco AntônioMarco Antônio10/06/2024