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Histórias de mundos pós-apocalípticos estão na moda e não chegam a impressionar mais ninguém a essa altura do campeonato, mas vez ou outra pinta alguma coisa um pouco mais interessante e “fora da curva”. After Us não fica de fora dessa festa, mas traz um apocalipse mais baseado na nossa realidade: o mundo foi destruído pela própria ganância do homem, que utilizou seus recursos naturais até não poder mais. Eu sei, ainda é bastante clichê, mas pelo menos não tem zumbis.

De autoria do estúdio espanhol Piccolo, o jogo nos introduz a uma versão apocalíptica do nosso mundo e nos dá a oportunidade de salvá-lo na pele do próprio Espírito da Vida. Tudo isso é feito com diversos desafios de plataforma que não se destacam pela sua originalidade, mas que ainda conseguem casar bem com a atmosfera daquilo que propõe. Será que você está disposto a salvar o planeta Terra mais uma vez?

Uma nova esperança

Em After Us assumimos o papel de Gaia, uma menina que misteriosamente recebe poderes mágicos de uma entidade conhecida apenas como Mãe, a criadora do mundo que dá palco à esta história. Gaia recebe a árdua missão de restaurar a vida na Terra, que já está em ruínas e atualmente só é habitada por criaturas chamadas de Devoradores – que nada mais são do que humanos corrompidos.

Grande parte dessa jornada será bem solitária e consistirá apenas em Gaia pulando para lá e para cá, sempre em ambientes completamente devastados pela ação do homem. A ambientação é um dos fatores que mais se destacam no jogo, pois não deixa de ser uma crítica social bem feita. Passaremos por grandes polos urbanos repletos de lixo e devastação, mas o que mais chama atenção aqui é a representação dos humanos neste mundo.

After Us encontra beleza em meio ao caos

Grande parte dos tais Devoradores são inofensivos e estão ali apenas para tentar contar a história do jogo de alguma forma. A narrativa vai na contramão do convencional e tenta ser contada nas entrelinhas, com detalhes sutis espalhados pelos cenários. Eu particularmente gosto desse estilo, mas acaba deixando tudo muito subjetivo e, para muitos, até mesmo pouco interessante. After Us tenta trazer uma trama rica e imersiva, mas a abordagem que utilizaram não colabora muito com a proposta.

Conforme avançamos, temos a oportunidade de ver uma humanidade cada vez mais decadente, cultuando seu “progresso” sem se importar com o dano que estavam causando ao planeta. Paralelamente, também somos apresentados aos inimigos do jogo: Devoradores que por algum motivo ainda estão vivos e farão de tudo para impedir Gaia de cumprir seu dever.

Pulando para salvar o mundo

O objetivo primordial de After Us é encontrar e salvar espíritos de animais que estão vagando pelas ruínas da Terra, pois através deles será possível restaurar a vida no território em que se encontram. As fases são lineares e basicamente se resumem a desafios de plataforma, com algumas pausas aqui e ali para puzzles e combates.

Amei o cachorro salsicha gigante e vou protegê-lo

O combate passa longe de ser o foco do jogo e, no geral, segue entediante do início ao fim. Você basicamente atira o coração de Gaia nos inimigos e esquiva dos seus ataques, então tudo se resume a apenas dois botões. Até entendo que o foco aqui é quase 100% nos trechos de plataforma, mas se decidiram enfiar batalhas no meio, poderiam ter caprichado só um pouquinho mais.

Já na parte de plataforma, não temos do que reclamar. Controlar Gaia traz uma sensação de leveza um tanto prazerosa, algo que me lembrou vagamente Journey (principalmente nas fases do deserto). Conforme avançamos na história, vamos desbloqueando mais habilidades como dar um dash no ar ou correr nas paredes, então o leque de movimentos aumenta gradativamente. É claro que não tem nada de revolucionário nisso tudo, mas ajuda a manter a campanha interessante até o fim.

After Us não é um jogo difícil e claramente a proposta não é trazer um desafio muito elevado. Os trechos de plataforma vão ficando mais desafiadores aos poucos, mas nada que dê vontade de atirar o controle na parede. Já os puzzles, em sua maioria, também envolvem pular com um timing específico, seguindo a mesma lógica de outros jogos do gênero, como Celeste (só que sem a parte da dificuldade absurda).

O combate é a parte mais fraca do jogo

Em termos de gameplay, não acho que o jogo se destaca muito, mas ao menos consegue segurar as pontas dentro do seu foco, que é a parte de pular incansavelmente. Acho que o esforço em construir uma atmosfera imersiva, que case bem com a história contada, é bastante nítido, mas devido à forma como a narrativa se desenrola, toda a nossa atenção recai exclusivamente no gameplay. Dito isso, a campanha não chega a ser arrastada e pode até ser concluída em poucas horas, mas é fato que alguns podem enjoar rapidamente de tudo aquilo.

After Us é genérico em vários pontos, mas não dá para negar que tem identidade. Apesar de trazer uma história clichê, consegue construir um mundo interessante em torno da sua proposta e ainda deixar uma crítica social subentendida, então o destaque fica a cargo desses fatores. Como jogo não chega a impressionar, mas certamente vai divertir os amantes de plataforma – especialmente quem não é muito chegado em títulos difíceis.   

Imagem do texto de RKGK

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