Em um mundo inspirado na década de 1930, mas com tecnologia suficiente para produzir carros voadores, Aether & Iron é um RPG altamente focado na narrativa que busca seguir os passos de títulos já consagrados, como Disco Elysium e The Thaumaturge. Na pele de Gia, você assume o papel de uma contrabandista que tenta sobreviver em uma Nova York retrô e, ao mesmo tempo, futurista, tentando superar as marcas de um passado misterioso enquanto é encarregada de escoltar uma jovem cientista.
Combinando elementos de RPG e Visual Novel, Aether & Iron busca se destacar em um gênero bastante denso. Para isso, além da qualidade da história e das decisões do jogador, os desenvolvedores apostam em um combate diferente, envolvendo carros futuristas em rodovias, em uma dinâmica que lembra as grandes perseguições entre gangsters rivais na época da lei seca. É uma aposta ousada, mas que, no mínimo, destoa dos demais jogos do gênero.

Céu e o Inferno
Aether & Iron busca inspiração no estilo chamado Decopunk. Trata-se de uma estética que tem como inspiração o período entre as duas grandes guerras mundiais. Exemplos desse estilo podem ser encontrados em jogos como Bioshock e até mesmo em filmes clássicos, como Metropolis. Para alguns, é uma versão sanitizada do estilo Dieselpunk. Particularmente, acho o tom mais otimista e polido uma excelente escolha.
Porém, não se enganem com as paisagens bonitas, quase angelicais, que você encontrará. O mundo de Aether & Iron tem as suas falhas e seus locais que vivem longe desse glamour. A sociedade é dividida entre Uppers, os ricos que moram nas camadas superiores, e Lowers, os pobres que moram nas camadas inferiores. Apesar de não ter sido confirmado pelos desenvolvedores, é impossível alguém que assistiu a “Céu e o Inferno”, do diretor Akira Kurosawa, não identificar as similaridades.

Para quem gosta do estilo Cyberpunk de Cyberpunk 2077, ou o estilo Steampunk de Fallout, essa estética, apesar de diferente, dificilmente causará espanto. O estilo de arte pode não ser do agrado de todos, então recomendo que olhem bastante as imagens antes de decidir comprá-lo, pois boa parte de Aether & Punk se passa em telas de diálogos com os personagens desenhados, ou em ambientes desenhados feitos para serem interagidos como se fosse um jogo Point & Click.
Scarface + Velozes e Furiosos
Para além da estética, o que chama a atenção em Aether & Punk – e, em especial, a minha atenção, já que sou fã de jogos de estratégia – é o combate. Aqui, não são os personagens em si disparando tiros uns contra os outros e usando o ambiente para se proteger ou flanquear os rivais. Em vez disso, o combate é baseado em carros equipados com a tecnologia do Aether, que faz com que eles tenham várias habilidades especiais, incluindo o poder de flutuar em estradas de alta velocidade.

O combate é em turnos, e você, dentro do carro, tem várias opções para combater seus rivais. Primeiramente, nem todos os carros na tela estão participando diretamente do combate. Há, no meio do conflito, civis inocentes que estão no meio da porradaria, e que só querem voltar para a casa. Você poderá usá-los para a sua vantagem, já que eles funcionam como uma barreira protetora. As armas possuem ângulos específicos de tiro, e o posicionamento é tudo.
Sendo o combate baseado em carros, a movimentação possui uma dinâmica exclusiva. Andar para trás é menos custoso que andar para frente. Para quem dirige carros, isso é uma obviedade, já que frear é – eu espero – mais fácil do que ultrapassar um carro em alta velocidade. Portanto, avançar é arriscado, mas te faz ter um melhor posicionamento.

Além disso, como o combate é baseado em carros, Aether & Iron te oferece ferramentas para modificá-los e, assim, personalizá-los da melhor maneira. Algumas personalizações são puramente estéticas, enquanto outras impactam na jogabilidade, oferecendo melhorias e novas armas. É uma mecânica refrescante, mas que, pela natureza do jogo, poderia ser mais explorada.
Um pé em dois mundos
Aether & Iron bebe da fonte de vários títulos. Ele pega a narrativa e os elementos de RPG de Disco Elysium e coloca um combate que lembra jogos em turno, como Divinity 2, só que inseridos em um contexto onde os carros fazem todo o trabalho. É um pé em ambos os universos, mas que não entra de cabeça em uma dessas direções e, por isso, não pode ser comparado a esses títulos.

Portanto, Aether & Iron é carregado pela estética Decopunk, pela narrativa e pelo sistema de combate. Todavia, há jogos que são focados em apenas um desses elementos e que fazem um trabalho melhor. A narrativa é boa, mas não se compara a Disco Elysium. O combate é bom e criativo, mas a sensação é de que há um potencial maior e que, por isso, outros RPGs táticos fazem um trabalho melhor. Se ler longos textos e elementos de Point & Click não são a sua praia, preferindo exclusivamente os elementos de combate, fica difícil recomendar esse jogo. Agora, se você gosta ou é indiferente a isso, vale a pena testar, nem que seja para destruir uns carros nas caóticas ruas de Nova York.
Prós:
🔺Sistema de combate criativo
🔺Trilha sonora
🔺Estética Decopunk
🔺Dublagem de alta qualidade
Contras:
🔻O foco nas batalhas poderia ser maior
🔻Pode ser muito lento para quem não gosta de leituras pesadas
🔻Apesar de ser um RPG, é meio linear e previsível
Ficha Técnica:
Lançamento: 30/03/2026
Desenvolvedora: Seismic Squirrel, Chaors Theory Games
Distribuidora: Seismic Squirrel
Plataformas: PC


