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O estúdio brasileiro Cadabra Games e a Qubyte Interactive traz em Adore uma proposta muito interessante e, até então, inédita na indústria dos games. Unindo a fórmula de Pokémon para a captura de monstros com roguelites, os jogadores poderão experimentar nesse indie como seria um jogo “action” com os monstros para avançar nos cenários e enfrentar chefões ameaçadores.

Nele vemos uma mistura também de diversos temas, como as discussões sobre vida e morte, fé e religião e até mesmo sobre como nossos laços com os demais podem interferir nestes ideais. Não que temos algo muito aprofundado, até porque ele tem a classificação “Livre”, mas é o suficiente para alimentar algumas questões que temos sobre o que passamos e nosso caminho a seguir.

Com tudo isso em jogo, é simples afirmar que você vai “adorar” tudo o que ele tem a oferecer. Ainda assim, alguns detalhes acabam pecando e trazendo um certo impedimento para quem busca muita diversão e uma trama impactante. Obviamente que a indústria nacional mostra um crescimento com a chegada de títulos como este, mas nem isso salva o título de se tornar repetitivo e cansativo em algumas horas.

Diverte, mas se torna cansativo

O palco de Adore

Para início de conversa, Adore nos mostra o personagem Lukha encontrando o perigoso Ixer e sendo assassinado logo de cara – sob a acusação de estar abrigando dentro dele o deus Draknar. Ele volta à vida em um vilarejo distante, com a missão de conseguir usar seu novo status “divino” para salvar a região de Gaterdrik e libertar tanto o povo quanto as criaturas amaldiçoadas das garras do vilão.

Para isso, você terá de capturar diversos monstros em seu caminho e usá-los em combate para avançar dentro dos cenários. Você pode carregar até quatro deles por vez, usando algumas habilidades que serão ganhas através dos níveis que subirão ou até mesmo das sinergias que obterá conforme conquista os itens necessários.

No quesito estratégia, o game realmente chama a atenção por um conjunto de fatores que determinam como será a sua performance. Você pode liberar até duas criaturas por vez e sua barra de energia vai se desgastando, forçando você a ter um tempo sem poder invocar mais para combater hordas de monstros. Isso te forçará a pensar em usar alguns deles em detrimento dos outros, causando impacto na sua equipe e na própria barra de HP de Lukha.

Tome cuidado com sua estratégia

Outra coisa bacana em Adore é a mecânica de Sinergias, permitindo que você libere uma dupla de monstros e – dependendo da afinidade que os equipou – garantam habilidades extras para serem usadas. Você tem como obter o envolvimento entre Beasts, Mystic e diversos outros para também formar duplas que agirão de forma mais poderosa quando soltas em conjunto. É isso que moverá você a fortificá-las e capturar novos no caminho.

Um sistema que gostei bastante e não esperava ver é de “morte” dentro da própria experiência. Quando uma criatura sua perde toda a sua barra de HP, ela se torna um monstro amaldiçoado e não poderá ser usado tão cedo – sendo obrigado a deixá-lo dentro do “Santuário” para se recuperar. Não pensei que algo assim poderia motivar tanto a rotatividade, me agradando bastante por tentar novas estratégias com alguns que eu normalmente deixaria de canto depois de obter.

A morte não é o fim em Adore

A ajuda vem a cavalo

Para auxiliar a sua jornada, alguns NPCs ficam disponíveis dentro do Refúgio e podem trazer melhorias em sua Sinergia, garantir que você tenha um arsenal de itens para comprar com as moedas obtidas in-game e também criar receitas com os ingredientes que conquista dentro dos cenários.

Os monstros de Adore também não são de se jogar fora, podendo ganhar habilidades que trazem mais dinheiro e até mesmo ajudem a liberar esferas para curar o HP de Lukha. Lembrando que, ainda que seus parceiros sejam derrotados em combate, enquanto o protagonista estiver de pé a sua aventura não chegou ao fim.

No quesito de captura que eu vi uma certa desvantagem, principalmente porque muitas das criaturas acabam derrubando o oponente de uma vez só. Aí você entra em um grande conflito de matá-los ou encará-los de peito aberto para tentar obter o seu poder. Apenas um que me ajudou, com sua habilidade de deixar o oponente zonzo por alguns segundos e garantindo grande parte das capturas, assim como outro que pode congelar seus adversários – porém, nem sempre isso ajudará.

Você pode usar até 4 monstros capturados

E o mapa também é uma ferramenta que deve se apoiar para passar pelos ambientes de forma mais veloz. Ele permite que se teleporte para áreas ainda não exploradas, além de expor algumas coisas que te adiantam muito a busca. Se tem globo de captura, item de cura ou algo que já foi revelado de algum modo, estará marcado lá para você se teleportar rapidamente e pegar antes de sair.

Este é um dos pontos que mais aproveitei em Adore, já que o carregamento é bem veloz e sair me teleportando para diversos lados não foi nada sofrido. Há algumas falhas em seu desempenho, no entanto não é nada que realmente vá interferir na diversão ou te atrapalhar enquanto batalha com aquele chefão perigoso ou enquanto captura seus parceiros de jornada.

A performance será a menor de suas preocupações

O saldo não é tão positivo

Apesar de divertir, no geral, a experiência falha bastante em alguns aspectos e torna uma aventura que já não é muito longa em algo ainda mais arrastado. Uma delas é a quantidade de criaturas: você pode contar apenas 39 em seu arsenal. Longe de mim comparar com obras como Pokémon, Nexomon ou até o insano Digimon – quais carregam um extenso catálogo consigo, principalmente pelo estilo de gameplay. No entanto, eu esperava bem mais do que menos de 50.

Outra coisa que me incomodou bastante foi a história e personagens. Por ser “Livre”, isso dá a impressão de que ela tem de ser totalmente didática e simples – o que acaba incomodando por segurar na mão dos jogadores até demais em certos momentos. Além disso, os NPCs e o próprio Lukha são completamente desinteressantes e acabam até te irritando com diálogos fracos. Neste ponto, pouca coisa chamará a sua atenção.

O Bestiário cataloga apenas 39 monstros

O cenário de Adore segue o esquema de roguelite, trazendo trechos criados aleatoriamente conforme avança dentro deles. Ainda assim, depois de passar pela mesma estrutura umas duas ou três vezes, as próximas soarão extremamente repetitivas e te forçarão a ficar pulando pelo mapa para não ter de ver as mesmas árvores, rochas e construções novamente. Sei que não é um título produzido com um investimento altíssimo como os demais, mas valia demorar mais um pouco para lançar e incluir novos trechos que não trouxessem esta impressão.

Ainda com tudo isso, o que mais me incomodou foi o uso do Nintendo Switch como portátil para jogar. Se você tem a versão Lite, passe longe dele. As letras são minúsculas e incomoda bastante ao tentar executar a leitura. Esta foi uma das principais razões para este texto demorar a chegar até vocês, já que eu só consegui jogá-lo por completo e compreender seus elementos quando estava com o videogame na dock. Não ter opções para aumentar o tamanho da fonte realmente foi um grande incômodo.

A arte ao menos compensa

A arte dele, no entanto, salva muito do que temos de problemas com o seu visual. As telas de loading trazem um design extremamente bem-feito e que me fez imaginar como – no conceito – tinha tudo para dar certo. Sim, caros leitores, nem tudo se salva, mas dá para enxergar um grande potencial, tanto na equipe de desenvolvimento quanto nos conceitos apresentados pelo jogo. Isso vai longe, dependendo da forma como aplicarem suas ideias em uma outra escala.

Caso busque apenas uma diversão simples e despretensiosa, eu assumo que Adore deve cumprir com as suas expectativas. No entanto, não siga para ele pensando que será uma experiência que mistura com perfeição conceitos como Pokémon e Diablo, pois sairá bem desapontado do que verá – principalmente com os fatores repetição e também o arsenal pequeno de criaturas que poderá capturar em sua aventura.

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