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Doze anos. Esse foi o tempo que os fãs de Ace Combat estiveram esperando por um novo título da saga principal, já que Ace Combat 6: Fires of Liberation foi lançado em 2007 e as entradas seguintes foram apenas spin-offs para portáteis. A qualidade dessa franquia é indiscutível e, em matéria de simulação de voo, podemos dizer que é a melhor no que faz – mesmo que não tenha muita concorrência.

Ace Combat 7: Skies Unknown finalmente está entre nós, elegantemente atrasado, mas felizmente está aqui para provar que valeu a pena a espera. A Bandai Namco soube como trazer o melhor de tudo que os fãs adoram e, mesmo que tenha jogado esse novo título totalmente na “safe zone”, não deixou de trazer um produto final muito mais que satisfatório. Apertem os cintos e decolem nesta análise, pois chegou a hora de dar o nosso veredito.

Fly by Night

A trama de Ace Combat 7 é construída e contada de uma forma um pouco confusa, mas também não é ruim, então podem respirar aliviados. Os eventos do jogo se passam após Ace Combat 4 e 5, onde a Federação de Osea quebrou o tratado de paz com Erusea e o continente Useano, assim travando uma nova guerra. A história é contada pela piloto e mecânica Avril Mead, que em primeira instância (e talvez bem mais do que isso) acreditei que fosse a protagonista do jogo, mas não – nosso protagonista, calado e sem nenhum tipo de personalidade, é o piloto conhecido como Trigger, membro da IUPF (sigla para Forças da União Pacificadora Internacional, tradução livre).

Poucas coisas dão tanto prazer quanto explodir vários inimigos ao mesmo tempo.

É aqui que entra a parte confusa, já que durante algumas missões parece que tudo que fazemos com Trigger não possui ligação nenhuma com o que Avril conta, mas não é bem assim. As histórias dos dois estão interligadas e, a partir de uma certa missão, as coisas se sincronizam, passando a fazer mais sentido, sendo um jeito interessante de tocar a narrativa. A parte chata é que absolutamente todas as personagens possuem zero carisma, onde talvez o mais próximo de afeto que você poderá sentir seja por Avril, que é a única que transmite mais personalidade dentre todas. O restante aparece apenas na comunicação via rádio durante as missões, e são mais “figurantes” do que personagens de peso.

Até entendo que o objetivo de deixar o protagonista mudo e nunca mostrar sua aparência é um modo de fazer com que você se sinta a personagem principal da história, só que nesse caso acaba sendo um tiro no pé. Trigger tem uma participação crucial no enredo e tem até uma certa reputação, o que poderia ser muito melhor aproveitado e enriquecido em dezenas de diálogos que ele poderia participar e que, no caso, não fala uma única palavra. A história é boa, mas só no conceito, afinal, personagens fortes são necessários para tocar uma boa trama.

Ace Combat 7 teve melhorias, mas parando para comparar, funciona exatamente como seus predecessores. Em cada missão você pode escolher seu caça e a arma especial que deseja equipar nele, onde cada um dispõe de três (que devem ser desbloqueadas antes). Durante a preparação, podemos analisar livremente nossas naves, cada uma com suas próprias características e um visual incrivelmente fiel aos modelos originais. O game dispõe de uma vasta gama de caças que desbloqueamos com dinheiro do jogo, ganhado conforme cumprimos as missões da história. O modo como se desbloqueia é bem progressivo, em que temos uma árvore de caças, como se fosse uma árvore de skills.

As batalhas são muito intensas e empolgantes.

Para liberar novos modelos, primeiro é necessário comprar outros inferiores e mais algumas peças para chegar ao ponto onde se encontra o caça desejado. É meio demorado, mas é um jeito de tornar as melhores aeronaves desbloqueáveis bem tarde no jogo, então ainda é justo. Também é por lá que desbloqueamos armas especiais alternativas para cada veículo e outros acessórios que podemos mudar ao nosso gosto. A customização dos caças é legal e bem diversa, mas temos mais liberdade de fazer isso no modo multiplayer do que na campanha singleplayer.

Ao infinito e além

As missões de história continuam sendo o melhor que Ace Combat tem a oferecer, sendo também outro fator que ainda segue a mesma linha de raciocínio dos jogos anteriores. Em quase todas você estará acompanhado do seu esquadrão, e em sua maioria deve destruir vários caças inimigos até concluir a fase com êxito. Algumas missões saem um pouco dessa rotina, mas é só por um momento, pois no final tudo acaba em combate – afinal, estamos em uma guerra, então a violência é inevitável!

Os controles são definidos pela dificuldade escolhida, mas não são nenhum bicho de sete cabeças. Até quem nunca jogou Ace Combat consegue jogar no Normal e adaptar-se facilmente aos comandos na primeira missão – é tudo muito fluido e funcional. Ainda existe uma certa complexidade, principalmente para movimentar o caça; conseguimos sentir o peso da aeronave ao tentar fazer uma curva fechada ou alguma manobra no ar, e esse é um dos pontos fortíssimos que fazem a franquia ser referência quando o assunto é simulação de voo.

Abastecer seu caça é um dos minigames do jogo.

Para quem já está acostumado com os trechos de decolagem, pouso e abastecimento, agora eles foram dosados e distribuídos apenas em algumas missões específicas. Funcionam como um minigame que acontece antes ou depois da missão, e é possível pular caso você queira ir direto pra ação ou continuar logo a história, então aparentemente tudo isso está aqui mais pra manter a tradição da série do que como conteúdo da campanha.

O jogo continua sendo muito intenso e divertido de se jogar, mesmo que não fuja muito da rotina de explodir caças inimigos. A sensação de pilotar os diversos modelos de aeronaves disponíveis é incrível e diferente para cada um, te proporcionando uma nova experiência sempre que for repetir missões usando caças alternativos. A câmera em primeira pessoa também retorna aqui, com um painel repleto de informações e passando uma experiência completamente imersiva (e mais complexa também). Esse modo pode ser melhor aproveitado se jogado em realidade virtual, o que vai aumentar ainda mais sua sensação de estar pilotando o caça.

Em primeira pessoa o jogo fica muito mais imersivo.

Asas indomáveis

Além do modo campanha, também dispomos do famoso multiplayer online, exclusivamente competitivo e com dois modos diferentes: Battle Royale e Team Deathmatch. O modo Battle Royale, apesar de enganar com esse nome, não é um battle royale propriamente dito, é só uma partida de deathmatch comum, onde oito jogadores se enfrentam e podem respawnar caso morram. O Team Deathmatch são batalhas em times de quatro, nada fora do padrão.

No multiplayer temos a customização completa das nossas aeronaves, onde não só podemos alterar peças e armas como também dispomos de emblemas, visuais, apelidos para o veículo e mensagens rápidas para usarmos no nosso rádio. É bem divertido mexer em tudo isso, mas novamente, só se desbloqueia as coisas jogando, assim como os caças, então não espere que os caças que você comprou no singleplayer estejam disponíveis no modo online – é necessário subir de ranking para desbloquear modelos mais avançados e novos acessórios.

Algo naquele radar me diz que o caldo vai engrossar…

O multiplayer é uma excelente alternativa para quem busca um desafio maior que o proporcionado pela IA do jogo, além de estender ainda mais a vida útil do mesmo, e pode acreditar: o jogo tem conteúdo a beça! Só a campanha pode chegar a 50 horas, o que é um número bem acima da média. É o tipo de jogo que vale o investimento, já que continuamos jogando por meses e meses.

O maior avanço em Ace Combat 7 foi no quesito gráfico. Os gráficos estão surreais de tão lindos, e o nível de detalhes só complementa toda sua beleza visual. Quando passamos por meio das nuvens, a tela fica úmida e cheia de gotas de água, e esse é só um pequeno exemplo do cuidado que tiveram ao tentar tornar este o melhor simulador de voo já lançado até aqui. A única coisa que fez falta foi uma dublagem em português, já que é muito difícil prestar atenção nas legendas dos diálogos do rádio enquanto estamos pilotando e enfrentando esquadrões inteiros.

Ace Combat 7 apostou pouco em inovação, mas não deixou a desejar em nada. Ele é exatamente o que fez Ace Combat ser Ace Combat, melhorando tudo que nos faz gostar tanto da franquia e a torna a melhor pedida quando o assunto é voar em caças poderosos. Demorou, mas valeu a pena esperar, e como valeu.

Imagem do texto de RKGK

Review – RKGK / Rakugaki

Marco AntônioMarco Antônio10/06/2024