Final Fantasy Resonance chega como uma resposta direta a um desejo antigo de parte considerável do público da Square Enix em ver Final Fantasy voltar a ser, de fato, um RPG por turnos.

Desenvolvido pela Lancarse e publicado pela Square Enix, o jogo chega no fim de 2026 e se apresenta como o primeiro título da franquia a adotar o estilo HD-2D. Mais do que uma simples releitura de Brave Exvius, Resonance reconstrói sua base narrativa como um RPG tradicional, com mundo explorável, party fixa, masmorras, equipamentos, invocações e batalhas pensadas para recompensar planejamento.

Final Fantasy Resonance

A premissa acompanha Rain, um cavaleiro do Reino de Grandshelt, ao lado de aliados como Lasswell, Fina e Lid. A história parte do primeiro arco de Final Fantasy Brave Exvius, o jogo mobile encerrado em 2025 após dez anos de operação, mas que está longe de ser um port ou remake. A Square Enix e a Lancarse usaram aquela mitologia como fundação e construíram uma aventura autônoma, com novo sistema de combate, novo mundo e uma narrativa ajustada ao ritmo de um JRPG de console.

Uma história de cristais, destino e ruína

O enredo gira em torno de uma força misteriosa que ameaça levar o mundo à ruína, enquanto Rain e seus companheiros descobrem que seus caminhos foram unidos pelo destino. Essa é uma estrutura muito comum para qualquer fã de Final Fantasy e essa familiaridade é intencional, fazendo com que cristais, aeronaves, espers, moogles e outras marcas registradas da série não apareçam apenas como referências soltas, mas que também sejam parte da trama e da identidade desse mundo.

Final Fantasy Resonance

Rain é apresentado como um protagonista de bom coração, ligado ao rei de Grandshelt, que também é seu pai, e essa relação familiar ajuda a dar um peso emocional imediato à jornada. Ao seu lado, Lasswell traz o perfil do espadachim reservado, Fina atua como arqueira e curandeira, enquanto Lid ocupa um espaço mais descontraído dentro do grupo. As interações entre eles, inclusive nos diálogos que acontecem durante as explorações, ajudam a criar uma química que vai além das cenas principais.

Final Fantasy Resonance não exige conhecimento prévio de Brave Exvius e quem nunca teve contato com o jogo mobile original pode acompanhar a história sem se sentir perdido, já que Resonance foi pensado como uma experiência independente. Ainda assim, quem conhece a obra de origem encontrará camadas extras, especialmente na forma como personagens, regiões e conflitos foram reinterpretados para um formato mais tradicional.

Final Fantasy Resonance

A maior novidade de Final Fantasy Resonance está justamente no que ele representa para a franquia, depois de anos em que a série principal migrou para o action RPG, esse título devolve o combate por turnos ao centro da experiência. Esqueça os ATB ou qualquer sistema de ação em tempo real, pois agora existe uma ordem clara dos turnos exibida na tela, em que velocidade, habilidades de suporte e escolhas táticas determinam quem age primeiro e como cada rodada se desenrola.

Essa decisão dá ao jogo uma identidade muito mais próxima aos títulos da franquia Final Fantasy até o décimo jogo do que das entradas recentes da série principal. O combate é pausado, legível e estratégico, permitindo que o jogador analise fraquezas, administre recursos e monte combinações entre os personagens. Para quem acompanhou a evolução da franquia e sentiu falta desse formato, Final Fantasy Resonance soa como um reencontro bem-vindo, sem parecer uma simples volta ao passado.

Final Fantasy Resonance

Outro grande diferencial são as Vision que funcionam como ecos de personagens icônicos de Final Fantasy, como Cloud, Terra, Zidane, Cecil e Noctis, e podem ser equipadas aos membros do grupo. Cada Vision possui habilidades próprias, inspiradas nas características mais marcantes de seu personagem original, e entra em combate executando golpes, magias e efeitos especiais.

O retorno que a série precisava

O sistema de combate de Final Fantasy Resonance é construído em torno de um medidor de atordoamento, em que cada ataque contribui para encher essa barra, mas acertar a fraqueza elemental do inimigo acelera o processo de forma considerável. Ao atordoar um oponente, suas defesas são quebradas e o grupo ganha uma fase extra de ações. Se todos os inimigos em campo forem atordoados ao mesmo tempo, o jogo ativa o Sweeping Stagger, permitindo que toda a party aja em sequência.

Final Fantasy Resonance

É nesse momento que as Visions brilham, pois ao acionar um ataque de Resonance, o jogador convoca uma Vision para desferir um golpe poderoso, acompanhado por uma animação cinematográfica em 3D. Essas sequências são exageradas de propósito, cheias de efeitos, cortes de câmera e homenagens aos momentos mais memoráveis dos personagens convidados. Talvez alguns reclamem sobre esse recurso ser repetitivo depois de muitas batalhas, mas a opção de acelerar ou pular as animações ajuda a manter o ritmo além de ser extremamente recompensador.

Além das Visions, os personagens contam com Limit Bursts, ataques especiais que são liberados conforme a barra própria de cada um é preenchida. E temos também espers, como Siren, que podem ser invocados por Fina e atuam no campo por alguns turnos antes de realizar um ataque final, criando um conjunto de estruturas para o combate com várias camadas, em que dano, suporte, controle de velocidade e exploração de fraquezas precisam caminhar juntos.

Final Fantasy Resonance

A progressão também recompensa o domínio das Visions, pois conforme o jogador utiliza e evolui cad auma delas, algumas habilidades podem ser transferidas para os personagens principais, mesmo sem a Vision equipada. Isso transforma o sistema em algo mais profundo do que uma coleção de fan service e participações especiais, permitindo montar builds diferentes e adaptar o grupo conforme o desafio.

A evolução do 2D

Final Fantasy Resonance é um marco visual para a franquia, trazendo o estilo HD-2D, que já havia sido explorado com sucesso em projetos como Octopath Traveler, mas aqui a Square Enix aplica a linguagem em sua própria série de RPG mais tradicional. O resultado é um mundo que parece uma maquete viva, com pixel art detalhada, iluminação moderna, profundidade de campo e câmeras dinâmicas que transformam cidades, masmorras e confrontos em cenas muito mais expressivas.

Final Fantasy Resonance

Final Fantasy começou em 2D, construiu sua identidade em mundos fantásticos e depois se reinventou diversas vezes. Resonance não tenta imitar os jogos antigos pixel por pixel, mas pergunta o que aconteceria se aquela linguagem visual tivesse continuado a evoluir, e a resposta é uma das apresentações mais bonitas já vistas em um RPG HD-2D.

A trilha sonora é outro pilar fundamental da experiência, trazendo desde o tema dos chocobos, com composições clássicas da série, até as músicas de batalha, o jogo sabe quando evocar nostalgia e quando criar uma identidade própria. As composições acompanham a exploração com leveza, aumentam a tensão nas masmorras e dão energia às batalhas, sem depender apenas do impacto emocional das referências.

Final Fantasy Resonance

A direção de arte complementa esse trabalho com um equilíbrio raro entre o retrô e o cinematográfico, fazendo com que as cenas dos ataques de Resonance contrastem com o HD-2D do mundo explorável, criando uma mudança de escala que reforça a importância desses momentos. Já as cenas com dublagem ajudam a dar ainda mais presença aos personagens, com vozes em inglês e japonês.

Final Fantasy Resonance poderia ter sido apenas um produto de nostalgia, uma forma segura de reunir rostos conhecidos e vender memória afetiva. Felizmente, o jogo vai muito além e constrói um combate sólido, apresenta uma direção de arte excepcional e usa suas referências como tempero, não como muleta. As Visions são divertidas, o sistema de atordoamento dá personalidade às batalhas e o retorno ao formato por turnos é executado com maestria.

Final Fantasy Resonance

Final Fantasy Resonance consegue entregar exatamente aquilo que prometeu desde seu anúncio, com uma aventura de Final Fantasy que respeita suas raízes enquanto encontra uma forma nova de existir. Para quem esperava o retorno da série ao formato clássico, esta é uma das entradas mais empolgantes e bonitas da franquia em muitos anos.

100 %


Prós:

🔺Visual HD-2D espetacular
🔺Combate por turnos muito estratégico
🔺Mecânica de Visions é muito interessante
🔺Excelente trilha sonora e direção de arte
🔺História divertida e interessante

Contras:

🔻Estrutura narrativa clássica pode parecer previsível
🔻Estilo por turnos pode não conquistar quem prefere estilo Action RPG

Ficha Técnica:

Lançamento: 22/10/2026
Desenvolvedora: Lancarse
Distribuidora: Square Enix
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series, Switch 2
Testado no: PS5

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