Tormented Souls 2 chega ao Switch 2 quase um ano após seu lançamento inicial em outras plataformas. Finalmente, os fãs desta série de terror indie terão a oportunidade de jogar a continuação no híbrido da Nintendo. E que bom ter esta grande homenagem ao survival horror chegando a mais jogadores! Afinal, sua recepção foi positiva e, agora, a tendência é expandir ainda mais esse sucesso.

Essa é a sequência de um jogo de survival horror que resgata aquele saudoso estilo de Resident Evil, Dino Crisis e Silent Hill, lá do PS1. Difícil não se recordar, não é mesmo? Então, sim, temos câmeras fixas que vão se alternando conforme você se movimenta pelo cenário. Só por isso, o jogo já se destaca e garante uma boa dose de suspense e, claro, muitos sustos ao longo da jogatina.

Uma continuação muito aguardada

O Diego Corumba não estava errado quando afirmou que bastaria os desenvolvedores estalarem os dedos e, voilà, trariam uma sequência para Tormented Souls. Mas talvez nem ele imaginasse que a continuação refinaria muito daquilo que já funcionava na primeira aventura e traria visuais ainda melhores, embora também mantivesse características que ainda não fazem muito sentido. Mas calma, eu já te explico tudo isso.

Antes, confesso que não conhecia a série e fiquei surpreso quando Tormented Souls 2 chegou até mim. Sabe aquela sensação de: “Eu não sabia que precisava de um jogo assim, mas tô super feliz por ele existir”? Não sei se é impressão minha, mas esse estilo de jogo parece ser pouco explorado, o que é uma pena, já que é tão divertido. E, honestamente, com as tecnologias de hoje, não entendo por que não vemos ideias assim se destacando. Isso é ótimo para Tormented Souls 2, que tem a responsabilidade de manter essa característica viva no survival horror.

Tormented Souls 2_01

Só para vocês entenderem, Tormented Souls usa aquele estilo memorável em que as câmeras são dispostas em lugares estratégicos do cenário, deixando a estética e a sensação de exploração sempre misteriosas e propícias para muitos jumpscares. A movimentação e a mira também seguem as características antigas. Ou seja, é uma verdadeira homenagem aos clássicos dos anos 90. O que não significa que seja algo datado. Muito pelo contrário: os comandos são responsivos e trazem até opções de troca rápida de equipamentos.

No que diz respeito à história, Tormented Souls 2 dá continuidade aos eventos do primeiro jogo, acompanhando Caroline Walker após sua sobrevivência ao hospital de Wildberger. Tentando reconstruir a própria vida e lidar com os traumas do passado, ela acaba envolvida em uma nova sequência de acontecimentos sobrenaturais ligados a cultos obscuros, criaturas grotescas e mistérios que desafiam a realidade. A atmosfera é sombria e cheia de tensão psicológica, expandindo os segredos apresentados no título original enquanto conduz a protagonista por uma jornada marcada por sofrimento, descobertas perturbadoras e uma constante sensação de vulnerabilidade. Do jeito que a gente gosta, risos.

Tormented Souls 2_02

Novamente procurando Anna

A premissa principal gira novamente em torno de Anna, a irmã de Caroline, mas de uma forma um pouco diferente da apresentada no primeiro jogo. A garotinha começa a sofrer com visões perturbadoras e faz desenhos de cenas violentas que acabam se tornando realidade. Em busca de uma cura, as duas viajam para Villa Hess, uma cidade isolada nas montanhas do sul do Chile, onde existe um convento que aparentemente pode ajudar Anna.

Mas é claro que isso foi só uma desculpa para sumir com a criança e, assim, mais uma vez, nos deparamos com uma busca sombria. A investigação fará você explorar inicialmente o convento, que já não era convidativo desde o começo e fica ainda mais horripilante conforme nos aprofundamos em seus espaços. Além desse lugar, o terror também nos leva a diversos outros locais da cidade, enquanto tentamos descobrir a origem da ameaça iminente e salvar a irmã de Caroline.

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Para lidar com as criaturas horrendas que aparecem por aqui, o arsenal mistura itens conhecidos e algumas novidades. Armas clássicas, como a pistola de pregos e a escopeta, retornam, mas Tormented Souls 2 amplia significativamente as opções de combate com ferramentas de corpo a corpo e armamentos inéditos, oferecendo mais variedade estratégica do que no jogo original. E o interessante é como, de maneiras muito abstratas, o jogo permite que você use essas armas para solucionar puzzles e superar bloqueios.

Houve um momento em que me deparei com um cadeado e, evidentemente, pensei: “Ok, preciso de uma chave”. Porém, mais à frente, com um martelo em mãos e sem chaves, tentei quebrá-lo e, felizmente, deu certo. Adorei que isso acontece com diversas outras ferramentas e obstáculos, tirando um pouco daquele sentimento frequente nos jogos em que temos equipamentos que claramente serviriam para alguma coisa, mas o jogo simplesmente não permite usá-los. Então fica a dica: vale a pena testar as interações.

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Ainda assim, Tormented Souls 2 mantém aquela vulnerabilidade esquisita em que Caroline não pode ficar muito tempo no escuro. Ok, isso nos obriga a gerenciar o uso do isqueiro enquanto exploramos, encontramos caminhos e derrotamos inimigos. Mas é um pouco incômodo porque, honestamente, não faz muito sentido. Na primeira vez, fiquei completamente sem entender o game over, já que não conhecia essa mecânica. Ao menos existem muitas velas por aí, então não se esqueça de acendê-las, viu?

Só falta a revista com o detonado de Tormented Souls 2

Por falar em puzzles, o jogo está abarrotado deles, e isso faz sentido. Afinal, a própria estética de câmeras fixas amplia essas possibilidades, transformando o mapa em um verdadeiro labirinto cheio de bifurcações, passagens bloqueadas, segredos e, claro, muitos inimigos imprevisíveis. Honestamente, isso me prendeu de um jeito genuíno e me transportou diretamente para as jogatinas no PS1 com meus amigos, tentando entender os caminhos, encontrar senhas e descobrir onde usar os objetos-chave.

Um dos pontos altos de Tormented Souls 2 está na forma como o jogo cria momentos marcantes sem depender de grandes explosões cinematográficas. Vale lembrar: seu orçamento é o de um jogo indie. Ainda assim, as transições para o “Outro Lado” rendem cenas impactantes, transformando ambientes familiares em versões distorcidas e ainda mais opressoras. Somam-se a isso encontros tenebrosos com criaturas como a Iron Maiden, que rapidamente se torna um dos símbolos desta sequência. E, apesar de o nome remeter imediatamente à lendária banda de rock, a criatura está muito mais interessada em espalhar terror do que em lotar estádios.

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Já o aterrorizante Harvester tem uma presença perturbadora que ajuda a manter a tensão elevada, assim como todas as outras criaturas. Ainda que não exista um equivalente direto ao clássico momento de Nemesis atravessando a janela em Resident Evil 3, a sequência constroi seu impacto de maneira semelhante à dos melhores títulos de horror psicológico, apostando em aparições perturbadoras, descobertas inquietantes e na atmosfera sufocante que remete aos jogos clássicos.

E, para deixar a coisa ainda mais nostálgica, Tormented Souls 2 exige fitas para gravar seu progresso nos gravadores disponíveis nas salas seguras. Além de ser mais uma forma de nos remeter aos velhos tempos, o jogo aproveita para realmente fazer uso do gravador: assim, Caroline descreve um pouco de seu progresso, como alguém que está registrando os próprios passos para que outra pessoa possa ouvi-los depois. São detalhes que mostram um cuidado constante dos desenvolvedores, além de ajudarem a lembrar os objetivos principais da jogatina. Nestes locais também dá para trocar as roupas da personagem, o que é bem legal.

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Tão lindo quanto assustador

Vale dizer que a chegada ao Nintendo Switch 2 não traz conteúdo adicional em relação às versões já disponíveis em outras plataformas, funcionando principalmente como uma adaptação para o novo console da Nintendo. Não sei dizer como o jogo chegou há quase um ano, mas, por aqui, o resultado é uma experiência visualmente impressionante para o console, tanto na TV quanto no portátil, com cenários ricos em detalhes e desempenho sólido do início ao fim da campanha.

Aliás, visualmente, o jogo esbanja beleza em seus cenários macabros, com iluminação, efeitos e modelagem que ajudam a reforçar a atmosfera opressiva da aventura. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito dos modelos dos personagens, que têm um visual um pouco inferior ao restante da composição. Também vale dizer que Caroline continua sendo uma protagonista visualmente marcante, mas a sequência parece adotar uma abordagem mais contida em relação à sua representação. Diferentemente de alguns momentos do primeiro jogo, que apresentava uma sexualização mais evidente, agora o jogo coloca maior ênfase na evolução da personagem e em seu papel dentro da narrativa.

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Já a trilha sonora complementa muito bem a atmosfera de Tormented Souls 2, alternando entre momentos sutis de tensão e composições melancólicas que reforçam o sentimento de isolamento presente aqui. Talvez poucas faixas permaneçam na memória da mesma forma que alguns temas clássicos do gênero, mas o trabalho sonoro sustenta muito bem o clima sombrio e inquietante da aventura.

Se existe um ponto em que Tormented Souls 2 pode deixar a desejar, é na ousadia de sua narrativa. Embora a ambientação e os mistérios sejam extremamente envolventes, a trama é bastante segura e acaba se assemelhando à do primeiro jogo, tornando a jornada previsível em alguns momentos. Além disso, para entender toda essa loucura, por vezes é necessário se dedicar à leitura de muitos documentos espalhados pelo cenário, o que pode desagradar a alguns jogadores. Ao menos os textos estão em português.

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Em seu primeiro título, a Dual Effect chamou a atenção por homenagear os clássicos da Capcom e da Konami. Mas Tormented Souls 2 não é mais apenas uma homenagem ou uma experiência nostálgica: é também uma apropriação desse modelo de survival horror, com propriedade suficiente para se tornar mais um clássico do gênero. Apesar de não inovar na história, o jogo diverte ao mesmo tempo que assombra, o que, nesse sentido, é maravilhoso.

90 %


Prós:

🔺Mantém a fórmula clássica de survival horror
🔺Os puzzles são criativos e bem integrados aos cenários
🔺A atmosfera é assustadora e os cenários são impressionantes
🔺Tem criaturas grotescas e encontros bizarros
🔺O arsenal é variado e tem interações interessantes com o ambiente
🔺É uma boa adaptação para o Nintendo Switch 2

Contras:

🔻A narrativa é pouco ousada e previsível em alguns momentos
🔻A mecânica de sobrevivência no escuro continua questionável
🔻Os modelos dos personagens são abaixo da qualidade dos cenários

Ficha Técnica:

Lançamento: 15/10/2026
Desenvolvedora: Dual Effect
Distribuidora: PQube
Plataformas: PS5, PC, Xbox Series, Switch 2
Testado em: Switch 2

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