No finalzinho dos anos 90 tivemos o começo de uma nova trilogia Star Wars. A chegada do Episódio I: A Ameaça Fantasma teve suas controvérsias, mas é inegável que as corridas de Pods foram um verdadeiro sucesso, surpreendendo a todos devido aos efeitos visuais, design dos veículos e à agressividade das partidas. Em paralelo a isso, os donos do Nintendo 64, Dreamcast e PCs puderam desfrutar de suas próprias corridas em Star Wars Racer, um jogo que trazia muito mais que a pista de Tatooine vista no filme. Já em 2002, Star Wars Racer Revenge chega ao PS2 para mostrar a vingança de Sebulba contra Anakin.
São praticamente 24 anos sem um novo jogo de corrida de Pods, se desconsiderarmos os ports dos jogos antigos e fases pontuais em outros jogos da franquia, mas isso finalmente muda com a chegada de Star Wars: Galactic Racer, que resgata as corridas insanas e agressivamente belíssimas. Com uma progressão bastante interessante no modo campanha e diversos outros modos, o jogo vem abarrotado de novidades e é puramente um jogo de habilidades. Não vai ter ‘a Força’ ajudando ninguém a vencer.
Que a habilidade esteja com você
Galactic Racer se passa muito depois de A Ameaça Fantasma. Agora estamos na era da Nova República, logo após a queda do Império em O Retorno de Jedi. Sem as leis imperiais, as apostas dominam a Orla Exterior. Em meio a isso, acompanhamos a história da piloto solitária Shade, que quer entrar na Liga Galáctica, um evento clandestino, para derrotar um campeão trapaceiro, Kestar Bool. Se você esperava que fosse o Sebulba, fica calmo, ele dará as caras em alguns momentos dentro do jogo.
Essa trama toda é apresentada no modo campanha de Star Wars: Galactic Racer, e vale dizer que a progressão adota uma estrutura roguelite, incentivando sucessivas tentativas que, mesmo após as derrotas, resultam em melhorias permanentes, novas opções de construção de veículos e evolução gradual do desempenho dessas máquinas. É diferente e, ao mesmo tempo, muito instigante.
Você precisará de um investidor para seguir na liga. Darius Pax é o mecânico que te ajuda a garantir esse passaporte, mas, por se tratar de um roguelite, você vai se deparar com aquela estrutura de fases ramificadas que retorna diferentes recompensas e, uma vez que for eliminado, ou seja, tiver seu veículo completamente destruído, está fora da competição, o que significa voltar ao início. Felizmente, a história segue complementando mesmo após suas perdas, e isso faz com que a jogatina continue progredindo pouco a pouco, o que é bem legal.

De início fica aquele sentimento: “Ok, é só vencer as corridas e seguir para o próximo desafio”. Mas só pra vocês saberem, o jogo foi desenvolvido pela Fuse Games, que tem em sua equipe veteranos da Criterion Games, criadores de Burnout e Need for Speed. Agora basta somar corrida de Pods, que por si só já são agressivas e cheias de trapaças, com as lembranças das corridas destrutivas de Burnout. Já deu pra sacar, né?
A Liga Galáctica quer um vencedor, mas não liga para os pilotos destruídos. Sendo assim, é fácil perder as partidas, seja com os inimigos batendo em você ou com a própria pista e suas bifurcações e curvas difíceis de dominar em alta velocidade. Tudo isso resulta em corridas frenéticas e extremamente rápidas, como tem que ser.
Conforme avança, você vai ganhar melhorias, peças, habilidades e até posturas que vão moldando Shade a se tornar uma piloto melhor, e isso acontece quase que em paralelo ao próprio jogador, enquanto aprende a lidar com as pistas, comandos, estratégias e, principalmente, condução do veículo. O que é bem legal, porque dá pra sentir que há um equilíbrio na aprendizagem que não torna a experiência tão frustrante. Mas vale dizer que são quatro tipos de veículos e todos possuem características diferentes, então leva um tempo para dominar cada um.

Como dito, a pilotagem é focada em velocidade extrema, drifting, uso de nitro, habilidades e takedowns para chutar seus inimigos para fora da pista. Isso vai valer para quase todos os modos de jogo. Aliás, há modos de corrida diferentes, como circuitos com números de voltas, provas contra o tempo, eliminatórias e até testes de máquinas únicas, tipo Forza Horizon, sabe?. E as pistas podem trazer algumas características que podem prejudicar seu veículo (ou ajudar), como gelo, fogo e outras condições ambientais.
A grande diferença é que Galactic Racer não trata os veículos apenas como skins diferentes. Cada categoria possui uma maneira própria de pilotar, e isso muda completamente a relação que temos com as pistas.
Os landspeeders são os mais equilibrados e resistentes, funcionando muito bem para quem gosta de derrapar nas curvas e não quer ser destruído no primeiro acidente. Já as speeder bikes são praticamente um míssil: extremamente rápidas, ágeis e capazes de ganhar muita velocidade, mas qualquer erro pode transformar uma bela ultrapassagem em uma explosão.

Os Skim Speeders apresentam uma proposta diferente de pilotagem, enquanto os Podracers representam aquilo que provavelmente fez muita gente ansiar pela chegada de Star Wars: Galactic Racer: velocidade absurda e a fantasia de finalmente estar dentro de uma corrida como aquelas que vimos no Episódio I. E sim, caro leitor, todos são lindos visualmente e têm aquele efeito sonoro clássico dos motores.
E essa variedade é importante porque você não pode simplesmente escolher o veículo mais bonito e esperar que ele faça todo o trabalho. (Algumas habilidades até permitem isso, mas não completamente.) Seja como for, para se destacar e vencer, é necessário entender como cada máquina se comporta, quais são suas limitações e quais melhorias combinam melhor com o seu estilo. Isso dá ao jogo muitas possibilidades estratégicas.

É aí que entram as peças e construções. Durante as corridas e os caminhos escolhidos na campanha, você pode encontrar diferentes melhorias que alteram o desempenho do veículo. Uma escolha pode favorecer velocidade, outra resistência, outra determinada habilidade e, aos poucos, você começa a perceber que não está apenas tentando chegar em primeiro: está construindo uma máquina que precisa sobreviver até o final daquela tentativa.
Pilotando como se sua vida dependesse disso
É uma sensação muito boa quando você começa uma corrida com um veículo que parecia não responder exatamente como queria e, algumas tentativas depois, percebe que aquela mesma máquina se tornou mais acessível. E não pense que basta colocar o pé no acelerador. Galactic Racer sabe que velocidade sem controle é apenas uma maneira mais rápida de bater em uma parede. Ainda assim, isso vai acontecer com uma certa frequência, risos.

O drifting é fundamental para manter velocidade nas curvas e, dependendo do veículo, dominar o momento exato de frear, derrapar e voltar a acelerar pode fazer uma diferença enorme. Também existe o nitro, que oferece impulsos menores e recorrentes, e o Ramjet, uma espécie de turbo muito mais agressivo que pode ser usado para ganhar velocidade ou simplesmente transformar o adversário em parte da decoração da pista.
O problema é que o Ramjet também pode superaquecer seu veículo. Então, sim, existe uma ótima possibilidade de você pensar “agora vai” e alguns segundos depois descobrir que seu próprio veículo decidiu explodir. Infelizmente, descobri isso há menos de 1 metro da linha de chegada, é mole? Existem habilidades e alguns efeitos climáticos que podem prolongar o uso deste turbo, como as pistas congeladas. Essa relação do lugar com os motores é sensacional.

É justamente essa relação entre velocidade e risco que torna as corridas tão divertidas. Você está constantemente tomando pequenas decisões: acelerar mais? Derrapar? Atacar? Guardar o impulso? Pegar um caminho mais perigoso em busca de uma vantagem? E, quando tudo funciona, a sensação é maravilhosa, mas, se der errado, não é puramente frustrante. Tá mais para viciante.
A galáxia tão distante é a sua pista
A Liga Galáctica leva as corridas para diferentes mundos, e é aqui que o jogo começa a mostrar toda a sua beleza. Temos lugares como Jakku, Tatooine, Sentinel I, Ando Prime e outros cenários que conseguem transformar cada corrida em algo visualmente diferente. Os planetas não estão ali apenas para trocar a cor do cenário: as condições ambientais também interferem na pilotagem e no funcionamento dos veículos.
E meu amigo, que jogo bonito. Star Wars: Galactic Racer é daqueles jogos em que você termina uma corrida e pensa: “caramba, isso aqui realmente parece Star Wars”. As pistas são enormes, cheias de detalhes, estruturas, perigos, bifurcações, veículos passando e acontecimentos acontecendo ao redor.

A velocidade também ajuda muito nessa percepção. Você não tem muito tempo para ficar contemplando a paisagem enquanto está tentando não morrer, mas é justamente por isso que alguns momentos ficam tão marcados. Uma curva aberta em um deserto, uma passagem apertada, um salto ou uma estrutura gigantesca surgindo no horizonte podem transformar uma corrida comum em uma cena digna de filme.
E claro, Tatooine está aqui. Depois de tantos anos, finalmente podemos voltar para aquela cena clássica de disputar uma corrida de Pods em um cenário que lembra diretamente aquilo que vimos em A Ameaça Fantasma. Só que agora com uma apresentação moderna e uma velocidade que te deixa boquiaberto de tão impressionante que é.
A pista também quer te matar
Uma das coisas que mais gostei é que as pistas não funcionam apenas como caminhos entre a largada e a chegada. Elas são parte do desafio. Gelo pode alterar o comportamento do veículo, como já mencionei, regiões vulcânicas podem interferir no funcionamento das máquinas e os próprios caminhos possuem obstáculos, curvas e bifurcações que exigem atenção constante.

A cada início você tem um pequeno QTE que lembra o Anakin ligando todos aqueles botões do painel, mas, na verdade, acertar a sequência garante que você tenha as habilidades carregadas já na largada, o que é maravilhoso.
Isso também conversa muito bem com a estrutura roguelite. Você começa a reconhecer determinados trechos e aprende com seus erros. Na primeira tentativa, aquela curva parece impossível. Na segunda, você entende que deveria ter freado. Na terceira, já está entrando nela de lado, usando o impulso certo e pensando em como atacar o adversário logo depois.
Para mim, é aquele sentimento clássico de um roguelite, como se o jogo estivesse treinando o piloto e o jogador ao mesmo tempo. E acho que esse é um dos grandes acertos de Star Wars: Galactic Racer. Ele consegue ser desafiador sem simplesmente dizer “se vira”. Você vai ficando melhor. Inclusive, muitas vezes vale mais sobreviver à partida do que chegar em primeiro, e isso é bem legal.

Acelerando sem parar
Além da campanha, que espero ter deixado claro o quão grande é, Galactic Racer possui diferentes modos para quem quer simplesmente entrar na pista e correr. O Arcade reúne inúmeros eventos independentes, incluindo provas contra o tempo. Já o modo Cenários te coloca na pele de todos os personagens disponíveis para uma pequena campanha com cada um deles, enquanto o multiplayer coloca pilotos reais para disputar corridas online.
E aqui chegamos a uma das poucas decisões que realmente me incomodaram. Não existe multiplayer local ou tela dividida. Sim, eu sei que hoje em dia isso é cada vez menos comum, mas estamos falando de um jogo de corrida Star Wars, que teve em Star Wars: Episode I Racer justamente a possibilidade de sentar no sofá com outra pessoa e disputar uma corrida. É uma pena, mas aqui cada um joga da sua tão, tão distante casa.

Galactic Racer permite partidas online para até 12 jogadores em torneios com speeders e até 8 nos de podracers. Também há corridas rápidas e opções para customizar os desafios ou criar grupos de jogadores. O multiplayer online funciona na proposta competitiva do jogo e, ao menos, traz crossplay com outras plataformas, aproximando os amigos independentemente do console ou PC que estiverem usando.
Star Wars: Galactic Racer é um espetáculo
O jogo não economiza no espetáculo. Os veículos são muito bem construídos, os cenários são cheios de detalhes fazendo cada corrida parecer um evento único acontecendo naquele universo, e não apenas um circuito genérico com modelos de Star Wars. O som dos motores, impactos, explosões e colisões ajuda a instigar. Quando vários veículos estão disputando espaço em uma curva e tudo começa a acontecer ao mesmo tempo, o resultado é um caos muito bem organizado.
E, falando em música, temos Gordy Haab na composição, que traz músicas que ampliam a sensação de velocidade sem abandonar a identidade musical única de Star Wars. A trilha consegue trazer aquela sensação de aventura espacial que esperamos da franquia, mas também tem energia suficiente para acompanhar uma corrida em que você está praticamente voando pelo cenário.

Alguns menus podem ser um pouco confusos no começo. Existem muitos conteúdos para explorar, são tantas peças, habilidades, veículos, modos e possibilidades de construção que resulta em bastante informação para administrar, e nem sempre a organização ajuda tanto quanto poderia. Depois de algumas horas, você começa a entender melhor onde está cada coisa, mas, no início, é fácil se pegar querendo entender determinada opção.
Apesar disso, Star Wars: Galactic Racer é aquele tipo de jogo que pode começar com “vou jogar só uma corrida” e terminar com você percebendo que passou mais duas horas tentando melhorar seu tempo. Você pode melhorar seu veículo, o piloto, encontrar uma combinação de peças que funcione perfeitamente, aprender os caminhos e entender cada classe de máquina, mas, no final, quem precisa fazer a curva é você. Isso torna cada vitória memorável.

A estrutura roguelite poderia facilmente ter transformado o jogo em uma experiência cansativa de repetir as mesmas coisas, mas não é isso que acontece. As derrotas te levam a um loop que sempre agrega alguma coisa, inclusive na narrativa, mas também servem para ensinar. As melhorias ajudam, os caminhos mudam e, principalmente, o jogador também evolui.
Um retorno em alta velocidade
Depois de tantos anos, um novo jogo de corrida de Star Wars poderia ter simplesmente repetido a fórmula de Episode I Racer. Felizmente, a Fuse Games fez algo diferente, expandiu essa ideia para diferentes tipos de veículos e, principalmente, trouxe um sistema de progressão inesperado, mas que funciona muito bem. Não tem jeito, a campanha é o grande destaque para mim.

Star Wars: Galactic Racer é bonito, agressivo, desafiador e extremamente divertido. É uma experiência que entende que corrida também pode contar uma história, construir personagens e oferecer progressão diferente sem deixar de lado aquilo que realmente importa: a sensação de estar acelerando uma máquina maluca por uma pista ainda mais maluca. Depois de mais de duas décadas, talvez a galáxia finalmente tenha encontrado uma nova maneira de correr.
Prós:
🔺As corridas são extremamente rápidas e divertidas
🔺O sistema roguelite é bem integrado à campanha
🔺Tem diferentes classes de veículos com estilos de pilotagem distintos
🔺Ótima ambientação de Star Wars
🔺A progressão é viciante e recompensadora
🔺Tem multiplayer online com crossplay
🔺Tem boa variedade de modos on-line e singleplayer
Contras:
🔻Não possui multiplayer local/tela dividida
🔻Os menus e sistemas podem ser confusos inicialmente
🔻A quantidade de sistemas pode sobrecarregar quem só quer correr
Ficha Técnica:
Lançamento: 06/10/2026
Desenvolvedora: Fuse Games
Distribuidora: Secret Mode
Plataformas: PS5, PC, Xbox Series
Testado em: PS5


