É inegável o quanto a Capcom tem nos surpreendido ao longo deste ano, trazendo Resident Evil Requiem, sua nova IP Pragmata e, agora, a empresa decidiu finalmente trazer Onimusha de volta, uma franquia que estava há mais de duas décadas longe dos holofotes, mesmo com suas remasterizações. Neste novo e independente capítulo, estamos diante da releitura de uma rivalidade histórica entre Musashi e Ganryū, algo que já faz parte do imaginário japonês há mais de 400 anos, inspirando diversas obras culturais e agora sendo apresentado em Onimusha: Way of the Sword.

Este é um um jogo de aventura e muita, mas muita ação, que vai te levar para uma Quioto corrompida pelas ameaças dos Genma. Quem conhece a franquia pode até estar preocupado para descobrir se, depois de tantos anos, a série ainda conseguiria encontrar seu espaço em meio a tantos jogos de ação que, inclusive, beberam justamente de suas ideias. Honestamente, o jogo nem precisa procurar por um espaço, ele volta cortando tudo, no bom sentido, é claro.

Um clássico conflito japonês

Onimusha: Way of the Sword não está preocupado com o que é moderno. Ele simplesmente pega aquilo que sempre funcionou na franquia, coloca uma quantidade absurda de estilo, profundidade e qualidade por cima e entrega um dos combates mais divertidos que experimentei recentemente. Sem contar, é claro, que tudo é acompanhado por um visual absurdamente lindo, tornando essa aventura uma mistura de nostalgia e, ao mesmo tempo, repleta de novidades.

A história se passa em um Japão feudal devastado por guerras e pela influência dos Genma, demônios que manipulam o destino dos homens. Miyamoto Musashi é um espadachim lendário que busca compreender o verdadeiro significado da força e da honra, embora seja um homem muito caricato, algo que logo mais explico. Ele é atormentado por visões e por um passado marcado por batalhas, e sua jornada o coloca frente a frente com Sasaki Ganryū, seu rival histórico, agora reimaginado como um guerreiro corrompido pela energia demoníaca da Manopla Oni.

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Este enredo vai misturar muita filosofia e ação ao longo de toda a jornada: Musashi não luta apenas contra inimigos físicos, mas contra a própria tentação do poder absoluto. A espada, símbolo de sua maestria, torna-se também um fardo, já que cada golpe o aproxima da verdade sobre o que significa ser humano em um mundo dominado por forças sobrenaturais. O próprio, inclusive, não vê a manopla como algo especial para suas batalhas. Aliás, o jogo também dá abertura para muita comicidade, o que, de verdade, dá ao jogo uma personalidade extremamente forte o tempo inteiro.

Conforme você se aprofunda em Onimusha: Way of the Sword, percebe o conflito entre honra e ambição, tradição e corrupção, sem contar o impacto das escolhas de Musashi sobre o equilíbrio entre o mundo dos vivos e o dos demônios. É uma narrativa que não foge muito do espírito clássico da série Onimusha enfrentando o mal, mas agora com uma profundidade que fica ainda mais evidente.

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No centro de tudo, está Miyamoto Musashi, nosso espadachim que parece ter saído de um anime. O protagonismo do personagem é uma das primeiras coisas que me chamaram a atenção. Musashi é extremamente expressivo. Suas animações são exageradas, cheias de personalidade e, em determinados momentos, parece até um filme cômico. E eu não digo isso como crítica, pelo contrário, há uma energia quase de Naruto em alguns de seus movimentos, principalmente quando ele começa a encadear ataques e utilizar os poderes Oni. Ao mesmo tempo, lembra Jackie Chan na maneira como o personagem se movimenta, reage e transforma as próprias lutas em um espetáculo.

Uma homenagem em forma de jogo

Mas então entendi que, na verdade, estava diante de Toshiro Mifune, um ator japonês famosíssimo que, inclusive, já deu vida às histórias de Musashi na trilogia de filmes Samurai Trilogy nos anos 1950. Acontece que a Capcom modelou o personagem com base na imagem do ator e, graças à capacidade visual da RE Engine, hoje, quase 29 anos após seu falecimento, existe uma nova forma de acompanhar o ator em mais uma interpretação incrível de batalhas samurais. Uma baita homenagem, né?

E depois de assistir a algumas cenas do ator, dá para ver que o mesmo é sério, mas nunca parece ter medo de ser divertido. Essa combinação está presente na captura e funciona muito bem, dando ao Onimusha: Way of the Sword um guerreiro extremamente habilidoso, mas também carismático, debochado e, principalmente, expressivo. Tudo fica ainda melhor com a dublagem em português, tornando toda a jogatina um “absolute cinema samurai”. Mas não é só sobre visual, tudo isso acaba sendo fundamental para o ritmo da aventura.

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E não poderia deixar de falar da trilha sonora, né? Ela é gostosa demais de ouvir. Mas Onimusha: Way of the Sword não faz um espetáculo musical o tempo todo e, curiosamente, é isso que destaca sua composição. Existem trechos em que a música praticamente desaparece, deixando Quioto, os sons do ambiente e até os nossos próprios passos conduzirem a experiência.

Parece proposital, como se o jogo entendesse que o silêncio também precisa existir antes de uma batalha ou de um momento de tensão. Quando a música finalmente entra em cena, com seus instrumentos tradicionais japoneses e tons mais sombrios, ela ganha ainda mais força para agitar os confrontos. É uma trilha pensada para realmente nos transportar ao clima japonês feudal e faz isso muito bem.

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Não há como termos bons samurais em cena se não houver belos combates, não é mesmo? Esse é outro elemento que define Onimusha: Way of the Sword. Suas batalhas são insanamente boas, desde inimigos comuns até, obviamente, seus chefões demoníacos e mirabolantes. O sistema de batalha é dinâmico, envolvendo parry, esquivas, ataques especiais, Issen (que é a assinatura desta franquia), poderes Oni e diferentes maneiras de lidar com todos os inimigos.

O jogo ainda utiliza um sistema de desmembramento que faz os cortes acompanharem a trajetória da arma, reforçando visualmente o impacto de cada golpe. O resultado são cenas sanguinárias, com monstros sendo dilacerados por todas as partes. Claro que tudo requer uma precisão minuciosa para executar essa dança samurai. Combinar parry e Issen, por exemplo, pode resultar em combos devastadores seja contra quem for, mas a janela de execução não é fácil de dominar, então o combate tem aquele desafio viciante, reforçado pelos barulhos das espadas rangendo durante os confrontos.

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O que mais curti é que os comandos não são exatamente complicados de executar. Ou seja, existe profundidade e dá para ter o ápice das lutas samurais, mas o jogo não exige que você seja um especialista para começar a se divertir. Bom, em alguns momentos não tem como fugir dos treinamentos, especialmente para vencer os chefões que podem dar uma tremenda dor de cabeça para derrotar, do jeito que a gente gosta.

A sua Manopla Oni te dá poderes sobrenaturais, algo que quem assistiu à série da Netflix já pode imaginar (vale mencionar que a animação é uma história independente, beleza?). Ela é capaz de absorver almas que podem até recuperar vida e vigor, além de torná-lo mais apto a lidar com todos estes demônios. Mas também há outros equipamentos forjados pelos Onis para encontrar ao longo da jornada, e eles serão úteis em combate e até para resolver puzzles dos cenários.

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Existe arco e flecha, uma naginata de lâmina dupla, martelos que causam um efeito incrível, com seus golpes capazes de quebrar o tempo e o espaço, lâminas duplas, uma grande espada capaz de extrair almas, uma lança com poderes elétricos e até uma flauta que invoca pássaros de fogo. Todos eles combinam alguns elementos, algo que é comum na série, mas são armas com design e golpes lindos de executar, além de serem poderosos.

Quioto nunca parece exatamente normal

A aventura se passa em Quioto durante o início do período Edo, enquanto a cidade é tomada pelo Miasma e pelos Genma. Templos e locais históricos são reinterpretados dentro desse universo sobrenatural, criando uma Quioto que parece familiar e completamente errada ao mesmo tempo, resultando em um cenário mais sombrio a maior parte do tempo. Visualmente, é lindo e muito detalhado. Ainda assim, este não é um jogo de mundo aberto gigantesco. Existe, sim, um mapa central que é expansivo conforme você elimina o Miasma, mas há diversos outros locais para visitar que serão como dungeons separadas deste mapa principal.

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É interessante que, mesmo o mapa sendo relativamente pequeno, ele está cheio de detalhes acessíveis, como poços que levam a cavernas, grutas, além de muitas casas que estão abertas e guardam muitos itens. Há campos, templos, jardins e muitos lugares que, além de lindos, estão cheios de ameaças e, claro, muitos coletáveis.

A população de Onimusha: Way of the Sword parece escassa no início, deixando as ruas vazias até demais. A desculpa se dá pelo fato das ameaças e, de fato, conforme vamos liberando as áreas destas infecções, as pessoas começam a surgir e, com elas, alguns pedidos. Daí começam as missões secundárias.

Como eu havia dito, o jogo está totalmente dublado em português e isso é ótimo, proporcionando uma experiência ainda mais envolvente, mas teve dois pequenos detalhes que me chamaram a atenção. A repetição de falas dos personagens, especialmente de inimigos arqueiros que insistem em dizer que vão acertar o meu coração, ou do próprio Musashi, que possui um repertório pequeno para usar ao vencer grupos inimigos e abrir baús.

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Outro detalhe é quando conversamos com NPCs in-game. Às vezes ouvimos todo o diálogo e, às vezes, só um início seguido de murmúrios, onde ficamos livres para ler suas mensagens. É uma mistura que fica estranha no início. Poderiam ter dublado tudo, né, poxa. Ainda assim, dá para dizer que a dublagem é uma grata surpresa. Afinal, habemus o primeiro Onimusha dublado na nossa língua.

Além dos armamentos Oni, ainda temos habilidades de força e agilidade, que serão úteis para que Musashi possa explorar o cenário. A Agilidade, por exemplo, permite atravessar determinadas paredes e alcançar áreas que antes estavam inacessíveis, enquanto a Força permite abrir bloqueios criados pelo Miasma. Desta forma, o jogo traz sempre pequenos puzzles que ajudam a quebrar um pouco a estrutura de simplesmente entrar em uma área, matar todos os inimigos e seguir em frente.

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Tantos poderes, obviamente, precisam de atenção para serem evoluídos e acompanhar a ascensão dos vilões. Em Onimusha: Way of the Sword, há muitas formas de evoluir o personagem. A maioria dos upgrades pode ser feita no espelho espiritual. Nestes altares espalhados por toda a região, há opções para aprimorar todos os aspectos de Musashi como trajes, espadas, manopla e habilidades. Os itens para tais aprimoramentos são abundantes pelo mapa e também podem ser adquiridos através de missões secundárias.

Se fortalecendo em Onimusha: Way of the Sword

Nestes santuários também dá para alterar o visual do Musashi e outros personagens, acessar o depósito de consumíveis, viajar para outros lugares (os mapas separados, que mencionei) e até o campo de treinamento, onde há sessões de tutoriais com recompensas e revanche de chefões para quem quiser revisitar as batalhas épicas.

Ainda há outros meios de se fortalecer, como ao encontrar materiais Oni e falar com a Okuni para aprimorar a bolsa de Hozuki, que guarda restauradores de vida. Já no saguão Enma, você pode fazer oferendas de alimentos e diversos itens e, em troca, tornar seus amuletos ainda mais eficazes em seus atributos.

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Ainda existem outros monumentos que podem conceder diversos itens em troca de almas, como o Monumento de Yorimasa. No fim das contas, tudo ajuda a tornar Musashi mais habilidoso e forte. Apesar de toda essa qualidade, Way of the Sword não escapa de alguns pequenos tropeços. A estrutura de algumas atividades secundárias pode parecer repetitiva, e determinados inimigos e confrontos acabam reaparecendo mais do que deveriam.

Felizmente, esses momentos não conseguem apagar aquilo que realmente importa. Um retorno digno com combate modernizado sem perder sua identidade. Musashi com sua personalidade enorme e uma apresentação cinematográfica impressionante. O mais importante é que o resultado disso tudo torna Onimusha: Way of the Sword viciante.

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Você começa uma batalha querendo apenas eliminar alguns Genma e, alguns minutos depois, está tentando executar a sequência perfeita de aparadas, esquivas, Issen e poderes Oni simplesmente porque descobriu que consegue. Onimusha é considerado um gigante do gênero e, depois de tantos anos, a Capcom consegue manter a série no pódio.

100 %


Prós:

🔺Tem combate profundo, porém, acessível e divertido
🔺O parry, esquivas e Issen são muito satisfatórios
🔺Tem animações expressivas e cheias de personalidade
🔺O visual e composição sonora são cinematográficos
🔺Tem grande variedade de armas e poderes Oni
🔺A progressão é recompensadora
🔺Conta com dublagem brasileira
🔺Respeita à identidade clássica da franquia

Contras:

🔻Algumas atividades secundárias podem ser repetitivas
🔻Falas de NPCs e de Musashi se repetem bastante
🔻Algumas falas alternam entre dublagem e murmúrios

Ficha Técnica:

Lançamento: 04/09/2026
Desenvolvedora: CAPCOM
Distribuidora: CAPCOM
Plataformas: PS5, Xbox Series, PC, Switch 2
Testado no: PS5

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